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O empresário
Ronan Maria Pinto, preso na Operação
Carbono 14,
a 27ª fase da Operação Lava Jato
(Joedson
Alves/Estadão Conteúdo)
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Preso na 27ª fase da Operação Lava
Jato, Ronan Maria Pinto depôs à PF em Curitiba. Ele afirmou que o dinheiro para
a compra de um jornal em Santo André, que o MP diz ter vindo do petrolão, foi
viabilizado de empréstimos de uma de suas empresas
O empresário Ronan Maria Pinto,
preso na sexta-feira passada na 27ª fase da Operação Lava Jato, batizada de
Carbono 14, disse em depoimento à Polícia Federal nesta segunda-feira em
Curitiba que não participou do esquema de corrupção na prefeitura de Santo
André (SP) nem de chantagens ao ex-presidente Lula e aos ex-ministros José
Dirceu e Gilberto Carvalho depois do assassinato do ex-prefeito Celso Daniel
(PT), em janeiro de 2002. A Carbono 14 descobriu que Maria Pinto foi o
destinatário de metade do empréstimo fraudulento de 12 milhões de reais feito
pelo pecuarista José Carlos Bumlai no Banco Schahin em 2004.
Dono de empresas do setor de
transporte e coleta de lixo, além de um jornal na cidade do ABC paulista, o
empresário afirmou aos investigadores da Lava Jato nunca ter recebido dinheiro
de "origem política" e sequer possuir conta bancária pessoal,
argumentando que "a razão de movimentar recursos pessoas pelas contas de
suas pessoas jurídicas é porque sempre fez dessa forma". Segundo Ronan
Maria Pinto, a compra do jornal Grande ABC, em 2003, que o Ministério Público
diz ter sido efetuada com o dinheiro desviado do petrolão, é um exemplo da
prática de misturar a contabilidade pessoal às de seus negócios. Ele disse que
emprestou 4 milhões de reais de uma de suas empresas para comprar a publicação.
Ao analisar as considerações
apresentadas pelo Ministério Público, o juiz federal Sergio Moro considerou ter
havido um "malabarismo financeiro" para simular, a mando do PT, o
repasse ao empresário, apontado pelo operador do mensalão, Marcos Valério
Fernandes de Souza, como detentor de segredos sobre o esquema de corrupção em
Santo André e o assassinato de Daniel. O magistrado vai além, e diz que "é
possível que este esquema criminoso tenha alguma relação com o homicídio, em
janeiro de 2002, do então Prefeito de Santo André, Celso Daniel, o que é ainda
mais grave".
O empréstimo fraudulento filtrado
pelo tal "malabarismo" passou de Bumlai a contas do Frigorífico
Bertin até chegar à Remar Assessoria, do empresário Oswaldo Rodrigues, que
finalmente repassou o dinheiro a Ronan Maria Pinto. Para camuflar o pagamento
de propina, foram elaborados contratos fraudulentos de mútuo, um deles com a
empresa 2S Participações, controlada por Marcos Valério. A versão do empresário
para o empréstimo é a de que o jornalista Breno Altman, ligado ao PT e alvo de
condução coercitiva na Carbono 14, apresentou a ele uma empresa, a Via Investe,
que lhe faria um empréstimo para comprar uma frota de ônibus. Maria Pinto
explicou que "fez a negociação com a Via Investe, mas quem emprestou foi a
Remar", em um contrato de seis milhões de reais cujas prestações eram de
319.000 reais mensais e não teria sido destinado, segundo o empresário, ao
pagamento da aquisição do jornal.
A respeito de Enivaldo Quadrado,
doleiro que dizia guardar no escritório da contadora de Alberto Youssef, Meire
Poza, uma cópia do contrato entre Remar e 2S como "seguro de vida contra
Lula e o PT", Ronan Maria Pinto disse que "nunca tratou diretamente
com ele e não se recorda" de Quadrado. Ele também diz não conhecer Youssef
e Meire, assim como não "tem conhecimento de que o dinheiro era de
destinação política, mais precisamente do Partido dos Trabalhadores", nem
do empréstimo fraudulento de José Carlos Bumlai no Banco Schahin.
Ronan Maria Pinto admitiu conhecer
o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, um dos supostos alvos da chantagem do
empresário e também preso na 27ª da Operação Lava Jato, da época em que a
deputada federal Luiza Erundina, então no PT, era prefeita de São Paulo.

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