Em parecer ao STF,
procurador-geral apontou 'desvio de finalidade' na nomeação do petista à Casa
Civil, mas defendeu, 'por ora', a prerrogativa da presidente de escolher seus
ministros
O procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, enviou nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) um
parecer em que defende a manutenção da posse do ex-presidente Lula como
ministro-chefe da Casa Civil. Ao ver indícios de irregularidade na nomeação do
petista, porém, Janot pede que as investigações sobre ele sejam mantidas na justiça
de primeiro grau, ou seja, nas mãos do juiz Sérgio Moro, que conduz os
processos da Operação Lava Jato em Curitiba.
"Com isso se preserva, ao
menos por ora, a prerrogativa presidencial de nomear seu auxiliar, com base nos
critérios próprios de confiança, mas ao mesmo tempo se evitam os efeitos
negativos para o interesse público decorrentes do desvio existente no
ato", escreveu Janot.
Do ponto de vista jurídico,
segundo o procurador-geral, não há obstáculos para a nomeação de pessoa
investigada criminalmente. Porém, ele sugere que existem elementos para apontar
"ocorrência de desvio de finalidade" no ato da nomeação de Lula para
determinar o foro perante o qual o petista seria investigado. Por esse motivo,
o procurador-geral pede a manutenção do foro de Lula na Justiça de primeiro
grau.
Janot aponta no parecer que Lula
ganharia tempo com a remessa das investigações ao Supremo e que os processos
criminais nos Tribunais são "sabidamente" mais lentos, o que poderia
beneficiar o petista. "Diante desses fatores e da atuação inusual da
Presidência da República em torno da nomeação, há elementos suficientes para
afirmar ocorrência de desvio de finalidade no ato", escreveu Janot.
O procurador-geral também
considerou "inegavelmente inusual" o fato de que a Presidência
encaminhou a Lula o termo de posse para assinatura pelo ex-presidente antes da
cerimônia oficial. "Se havia óbice à posse, por qualquer motivo,
naturalmente existiria também à entrada em exercício, o que afastaria a
urgência da remessa do termo à pessoa do nomeado, já que ele estaria
impossibilitado de colaborar na qualidade de ministro, como almejava a
nomeação", escreveu Janot.
Posse suspensa - O
petista foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para a Casa Civil no último
dia 16. No dia 18, o ministro do STF Gilmar Mendes suspendeu a posse, aceitando
o pedido do mandado de segurança de PSDB e PPS, que alegavam que Lula havia
sido nomeada para ganhar foro privilegiado e ser julgado pelo Supremo,
escapando do juiz Sergio Moro.
Mendes remeteu as investigações
para primeira instância, sob comando de Moro. No dia 23, porém, o ministro
Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, determinou que o magistrado
enviasse à Corte os processos que envolvem o ex-presidente. A decisão, porém,
não anulou a liminar concedida por Gilmar Mendes que suspendeu a posse do
petista para a Casa Civil. A questão da nomeação deve ser decidida no plenário
do STF nesta semana.
(Com Estadão Conteúdo)
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