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Em 9
de março, Lula foi a um café da manhã na residência oficial
do senador
Renan Calheiros (PMDB-AL). Foto: Dida Sampaio/Estadão
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Os grampos da Operação Lava Jato,
que monitoraram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com autorização
da Justiça, mostram que mesmo fora do governo ele foi um dos principais
interlocutores de caciques do PMDB, que nesta terça-feira, 29, desembarcam
da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff.
Em conversa gravada da entre Lula e
o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, no final de fevereiro, os
dois discutem os bastidores da aprovação pelo Senado do projeto que acabou
com a participação obrigatória da Petrobrás na exploração do petróleo nos
campos do pré-sal - uma das derrotas do governo Dilma no Congresso.
Proposta pelo senador José Serra
(PSDB-SP) - arquirrival dos petistas - o projeto foi aprovado no dia 24,
com texto substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR), após acordo entre
o PSDB e parte da bancada peemedebista.
"A orientação que ela
(presidente Dilma Rousseff) passou: só não pode dar o Serra", afirma
Wagner, para Lula, em conversa após a aprovação do projeto pelo
Senado.Lula então conta que esteve reunido com a bancada governista do PMDB
e tratou do assunto.
"Deixa eu te falar uma coisa
de bom senso, vai ficar entre eu e você essa porra. Logo que foi a
primeira votação do José Serra, você está lembrado? Eu estava em um almoço,
Jucá, Renan (Calheiros, presidente do Senado), (José) Sarney, (Edison)
Lobão, eu. Quando me disseram que o Renan ia votar a posição do Serra, eu
falei na mesa 'o Renan, pelo amor de Deus, o PMDB não pode embarcar
nessa porra. O PMDB pode até flexibilizar mas garantindo que a decisão
seja da Petrobrás".
Para Lula, "no fundo, no
fundo, um pouco dos que eles fizeram foi isso" ao aprovar o projeto,
com o substitutivo de Jucá.
Briga. Ao saber de
Lula que ele havia se encontrado com a cúpula congressista do PMDB, Wagner
fala: "Presidente ainda bem que você tocou no ponto, porque o Renan
publicamente estava trabalhando para essa posição que ficou saindo. Então a
gente ia ficar no isolamento, porque o Lindbergh acha que ia ganhar."
Lula responde: "Sabe, de vez
em quando você não briga por fatia por nada?".
Wagner disse que defendeu Dilma,
afirmando que ela não mudou de posição. O diálogo gravado entre os dois
petistas ocorre no domingo, 28 de fevereiro, após a festa de aniversário
dos 36 anos do PT, no Rio, em que Lula fez discurso aos partidários.
O ministro da Casa Civil
começa a conversa dizendo que tinha uma reunião marcada com senadores e
que não queria desmarcar por conta da votação do projeto da Petrobrás.
"A festa foi boa. Acho que
não tinha aquele mal humor que a imprensa falava contra a Dilma, sabe. Eu
falei ó 'tem problemas? Tem. O partido não é obrigado a acatar tudo que o
governo faz, o governo não éobrigado a atender tudo que o partido quer. Mas
temos que ter em conta que a Dilma é nossa presidenta. E ela sabe que
somos o exército dela", afirma Lula.
O ex-presidente brinca com Wagner:
"É que nem a mãe da gente, faz comida a gente não gosta, mas
come".
Lula demostra desacordo com o
enfrentamento travado pelo governo no Congresso pela aprovação do projeto
- o Senado aprovou por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas
abstenções, o texto substitutivo alterando as regras de exploração de petróleo
do pré-sal.
A proposta retira da
Petrobrás a exclusividade das atividades no pré-sal e acaba com a
obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos
em todos os consórcios de exploração dos campos."Sabe, de vez em quando a
gente briga com fatia por nada", diz Lula. O ex-presidente diz que
"continua achando que tem uma coisa que o pessoal se queixa".
"Que é a porra do diálogo."
Ele relata então conversa com
lideranças sindicais, que tinham ato público marcado contra o governo
Dilma. "Vamos imaginar que a medida provisória do Serra era o bode.
Tirou o bode da sala e colou uma coisa mais razoável, que é garantir que a
Petrobrás tenha preferência, mas que pode ser negociado montando uma boa
diretoria da Petrobrás, um bom conselho nacional de política
energética", afirma Lula.
Para o ex-presidente, "ficará
também muito ruim se a Petrobrás mantém a titularidade e não tem dinheiro
para fazer nada". "Acho que Dilma poderia conversar com a nossa
base, criando uma comissão especial para tentar fazer um a cordo
estratégico com os chineses em cima do pré-sal, porra, em cima desses 30%.
Tentando dar para os caras um discurso que coloca, como fala, um capilé,
uma rota de fuga."

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