Reajuste dos repasses da prefeitura não ocorre desde 2013. No Rio elas recebem R$ 233 por aluno, quando o ideal seria R$ 820.
Cerca de cem creches comunitárias ameaçam fechar ou cortar vagas para a
população que mais precisa. Como mostrou o Bom Dia Rio desta quarta-feira (31),
os responsáveis dizem que o dinheiro que a Prefeitura do Rio paga não é
suficiente.
A mãe de gêmeos Tânia Azevedo só conseguiu matricular os filhos de 2 anos
e meio numa creche particular, a Santa Clara. Ela até tentou nas creches
públicas. Mas tem muito tempo de espera.
“Não tem previsão. Eles nem estão naquela lista dos dez primeiros. Eles
estão por volta dos cem, muito, muito longe”, disse a mãe.
No projeto social da Casa de Francisco de Assis as mães não pagam nada.
Na creche Santa Clara tem um convênio com a prefeitura. O repasse é de R$ 233
por aluno. A Associação das Creches Conveniadas com a Prefeitura do Rio diz que
esse valor não é suficiente.
Um cálculo feito pela própria associação mostra que o valor ideal é de R$
820. O que falta acaba ficando na conta das próprias instituições.
Na Santa Clara, eles recebiam com doações. Mas por causa da crise
financeira, ajuda não está chegando. Para manter a qualidade no atendimento,
nada foi cortado. Alimentação, projeto pedagógico, estrutura, tudo continua do
mesmo jeito. Mas se o valor repassado pela prefeitura não tiver um reajuste,
metade das crianças pode ficar sem vagas.
“Vamos no dia 14 novamente na Câmara de Vereadores pedir o reajuste. E
pedir para que esse reajuste seja anual”, disse Sandra Biar, agente
administrativa da creche.
Em outras capitais, como em Belo Horizonte, o repasse mensal varia de R$
260 a R$ 520, dependendo da idade dos alunos e do tempo de aula. O último
reajuste foi em maio. Em São Paulo, varia de R$ 379 a R$ 574. Depende do número
de vagas de cada instituição e teve reajuste em outubro. Em Brasília, o repasse
também varia, de R$ 588 a R$ 686, de acordo com a idade.
Na Zona Oeste do Rio, algumas creches já passam por dificuldades. As
creches reclamam que o valor não é atualizado desde 2013. Mas a Secretaria Municipal
de Educação disse que houve reajuste.
A Cruzada Pela Infância, no Leme, na Zona Sul, também enfrenta problemas.
Sem reajuste, as 60 crianças podem ficar sem vagas.
“O dinheiro que está entrando só dá para pagar os funcionários. O resto
está sendo feito com a maior dificuldade. Estou colocando do meu dinheiro, que
recebo do meu marido, na creche, “disse a presidente da creche Arlita de
Andrade.
Por meio de nota, a Prefeitura do Rio disse que, diante das
reivindicações, está avaliando a possibilidade de fazer um reajuste, mas sem
previsão de valor ou data. E disse que os repasses feitos às creches estão em
dia.
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