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O presidente
do Instituto Lula, Paulo Okamotto
(Eduardo
Knapp/Folhapress)
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Para investigadores, a mudança foi
uma tentativa de apagar rastros da ligação do ex-presidente com a construtora
OAS, diz jornal
O presidente do Instituto Lula,
Paulo Okamotto, mudou os contêineres que abrigam o acervo do ex-presidente Lula
da Granero para o depósito do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São
Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em janeiro deste ano. Os investigadores
da Operação Lava Jato interpretaram a mudança como uma tentativa de apagar a
ligação com a construtora OAS, segundo o jornal Folha de S. Paulo desta
quinta-feira.
A Granero armazenava o acervo
desde 2011 e o material foi retirado depois que o contrato entre a empresa e a
OAS, que pagou 1,3 milhão de reais pelo serviço, foi rescindido. A mudança
ocorreu nos dias 18 e 19 de janeiro - mês em que ganharam força os rumores de
que Lula poderia ser alvo da Lava Jato. De acordo com o jornal, a Granero começou
a pressionar a OAS para retirar os pertences de Lula. Tanto que, em 25 de
agosto do ano passado, a transportadora deu prazo de 30 dias para que isso
fosse feito e o contrato, encerrado - o que só veio a acontecer no início de
2016.
Os pagamentos da construtora à
Granero são investigados pela Procuradoria por serem evidência de supostos
favores recebidos pelo ex-presidente Lula de empreiteiras envolvidas no escândalo
do petrolão. "A última atuação ilícita de Paulo Okamotto nessa fraude
ocorreu no mês passado, no dia 12 de janeiro, quando ele indicou agentes para
retirar os bens pessoais de Lula armazenados pela Granero", disse a
força-tarefa da Lava Jato em peça que foi anexada aos autos.
A mudança também foi uma das
justificativas apresentadas no pedido de prisão temporária de Okamotto. O juiz
Sergio Moro, no entanto, autorizou somente a condução coercitiva do presidente
do Instituto Lula.
À Folha, Paulo Okamotto
disse que a mudança do acervo não tem qualquer relação com a Lava Jato e
ocorreu por necessidade de organizar os pertences do ex-presidente. "A
gente não conseguiu uma solução para o memorial que a gente ia construir.
Queremos retomar o trabalho de classificação. Eu aluguei o armazém porque
precisava de um lugar para guardar. A Granero me convenceu que era necessário
um lugar que não tivesse ratos, traças e umidade. O material ficava em
contêineres." Segundo Okamotto, o espaço no Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC foi alugado a um "preço bastante módico".
Em seu depoimento à Polícia
Federal, Okamotto explicou que os valores desembolsados pela OAS para bancar o
armazenamento dos contêineres na Granero foram uma espécie de doação ao
Instituto Lula.

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