Policiais informavam traficantes,
segundo denúncia do MP.
Os policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) acusados de
repassarem informações a traficantes sobre as operações da tropa foram
novamente a juízo nesta segunda-feira (15). Ao todo, três testemunhas de
acusação foram ouvidas: um oficial da Corregedoria da PM, um policial civil e o
comandante do Bope, tenente-coronel Carlos Sarmento.
Presos em dezembro do ano passado,
os PMs Maicon Ricardo Alves da Costa, André Silva de Oliveira, Raphael Canthé
Santos, Silvestre André da Silva Felizardo e Rodrigo Mileipe Vermelho Reis são
acusados de corrupção passiva. Os militares são julgados pela Auditoria Militar
do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), em audiência presidida juíza Ana Paula
Monte Figueiredo Pena Barros.
A primeira testemunha a ser ouvida
na tarde desta segunda foi exatamente o comandante da tropa de elite da PM.
Segundo o oficial, durante as investigações ele autou como "agente
facilitador" e reiterou que só o fato do Inquérito Policial ter sido
aberto com suspeitas de participação de integrantes do próprio batalhão já
significou um "arranhão na imagem" do Bope.
Sarmento, que assumiu o comando da
tropa em maio de 2015, começou o relato reforçando que achava estranho que em
sucessivas operações do Bope nenhum tiro fosse disparado.
"Ninguém com rádios ou
qualquer comércio de drogas no local, nenhum confronto. Saí de um batalhão que
era em uma área bastante conflagrada e esperava que no Bope isso fosse ainda
mais intenso", disse o tenente-coronel.
"Você vai ao Faz Quem Quer
[comunidade da Zona Norte do Rio], num sábado, à meia-noite, e nada acontece?
Não é razoável. Sabíamos que algo estava acontecendo, mas, ao mesmo tempo, você
não quer acreditar que isso [vazamento de informações] possa estar
acontecendo", complementou Sarmento.
Questionado sobre prejuízos
causados pela interceptação de informações, o comandante não soube estimar
quanto teria sido gasto nas operações frustradas, mas informou que o uso de
blindados e deslocamento de equipes tem um alto custo para o Estado.
Além do comandante Sarmento, foram
ouvidos um oficial da Corregedoria da Polícia Militar e um policial civil.
Outras cinco testemunhas intimadas foram dispensadas pelo MP. A defesa do
policial Maicon pediu a revogação da prisão preventiva do policial, alegando
que o denunciado possui residência fixa, é réu primário e tem bons
antecedentes.
A próxima audiência do caso foi
marcada para o dia 7 de março, às 12h30, quando mais testemunhas da acusação
serão ouvidas.

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