O anúncio do lançamento de um satélite
pela Coreia do Norte, no último fim de semana, leva a imprensa francesa a
os riscos que representa o regime do líder comunista Kim Jong-un à
comunidade internacional.
Em sua manchete, o jornal
Libération informa que o lançamento do satélite deve ser considerado como o
lançamento de um míssil de longo alcance. O exercício militar demonstra, na
opinião do jornal, a impotência da comunidade internacional ante o poder bélico
norte-coreano. Libération estima que depois de quatro testes nucleares
recentes, a capacidade de ataque da Coreia do Norte tornou-se preocupante.
"O engenho disparado nesse
domingo vem sendo aperfeiçoado pelo regime desde 1998 e pode percorrer uma
distância de 10.000 quilômetros. Pyongyang defende o direito de utilizar o
espaço de forma independente e pacífica. Mas, no caso de regimes autoritários, as
armas nucleares funcionam como um seguro de vida para os ditadores",
escreve Libération.
É consenso entre especialistas que
a Coreia do Norte, no estágio atual, possui a bomba de hidrogênio e mísseis de
longo alcance. Porém, isso não significa que a bomba atômica norte-coreana seja
operacional, embora essa situação esteja próxima. A grande interrogação é o que
fará esse regime, "herdeiro do stalinismo, imprevisível e paranóico",
com esse poderio nuclear. Libération questiona como um país "isolado e
pobre" pôde se transformar em uma potência nuclear pelas suas próprias
forças. E considera que o mundo está diante do maior fracasso na luta contra a
proliferação nuclear.
China não consegue controlar
regime norte-coreano
O diário especializado em economia
Les Echos denuncia "a total impunidade que marca o desenvolvimento dos
mísseis norte-coreanos", e adverte que as tecnologias em poder de
Pyongyang podem atingir os Estados Unidos.
O jornal explica que o foguete
utilizado no suposto lançamento do satélite é tão semelhante ao usado para o
disparo de um míssil intercontinental [capaz de transportar uma carga nuclear]
que "a Rússia e a China recorreram à mesma prática durante décadas, com o
objetivo de disfarçar seus programas nucleares de alcance militar".
Especialistas ouvidos pelo jornal
advertem que o lançamento deste fim de semana não permitiu testar o retorno do
míssil à atmosfera, o que é absolutamente necessário para o lançamento de uma
ogiva militar. Essa é a etapa complexa que ainda precisa ser superada pelo
regime de Pyongyang antes de dispor de uma bomba atômica capaz de atingir um
território inimigo. Os engenheiros norte-coreanos estudam atualmente meios de
produzir bombas em miniatura, mas esses equipamentos ainda carecem de novos
testes.
O assunto também preocupa o jornal
conservador Le Figaro. "No plano tecnológico, o lançamento norte-coreano
marca um novo avanço do programa balístico de Pyongyang, cujo principal
objetivo é ameaçar o território norte-americano", conclui o veículo.
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