Ela foi expulsa da avenida;
assessoria não respondeu ao
O presidente da Escola de Samba
Unidos do Peruche, Sidney de Moraes, conhecido como Ney, disse que a modelo Ju
Isen "prejudicou milhares de pessoas que estão comprometidas com o
carnaval". A jovem tirou a fantasia durante o desfile, ficando com os seios
à mostra, e foi expulsa do Sambódromo do Anhembi.
Segundo Ney, a modelo assinou um
termo com a escola em que se comprometia a não prejudicar a escola e a
"não causar nenhum tipo de desconforto" na avenida. O documento,
segundo ele, prevê multa e responsabilização caso algo acontecesse.
O G1 tentou contato com a passista
e com o seu assessor de imprensa diversas vezes para questionar sobre o
documento. Em nenhuma delas recebeu retorno.
"A atitude dela não é uma
atitude legal, não condiz com o carnaval. Nós temos muitas pessoas que deixaram
suas casas e perderam dias e noites se empenhando com a única finalidade de
fazer um carnaval especial para a escola. E vem uma mulher dessas, sem
comprometimento nenhum, unicamente pensando em si, e comete uma atitude
infeliz", afirmou Ney.
O carnavalesco teme possíveis
punições por causa do incidente na madrugada deste domingo (7). "O que ela
fez é inadmissível, prejudicou centenas de milhares de pessoas envolvidas com o
carnaval e comprometidas com a Unidos do Peruche. O que ela demonstrou foi ter
comprometimento nenhum."
O presidente do Peruche diz que já
temia alguma coisa desde que, durante um ensaio técnico no Anhembi, Ju Isen
tirou parte da alegoria para mostrar uma crítica ao governo federal nas costas.
"Nós ficamos muito preocupados por ela ter feito aquilo."
Ele também aguarda a posição
oficial da Liga Independente das Escolas da Samba para ver se a agremiação
perderá pontos diante da ação da passista. "Se, por acaso, tivermos uma
perda de pontos, aí vamos acabar processando sim", disse.
"Ela desrespeitou não só a
escola, mas famílias, pais e filhos que estavam assistindo, verdadeiros amantes
do carnaval. Não foi um ato digno de uma sambista", acrescentou.
Protesto contra Dilma
Ju ficou famosa por mostrar os
seios durante protestos contra o governo Dilma Rousseff, no ano passado. Antes
do início do desfile, a modelo, que queria desfilar com um tapa-sexo com o
rosto da presidente, reclamou de ter sido impedida de usar o adereço. "Não
sei por que proibiram, mas estou muito chateada. Estou me sentindo injustiçada.
Eu quero o impeachment, o povo quer o impeachment", disse.
Ney disse que não estava previsto
no figurino dela esse tapa-sexo e que ela assinou o termo dizendo que "ela
se comprometia a desfilar com a alegoria escolhida pela escola e não causar
nenhum tipo de desconforto". "Graças a Deus ela usava um macacão, o
que dificultou ela tirar toda a roupa. Se não o estrago ia ser bem maior."
'Caso encerrado'
Por meio de sua assessoria de
imprensa, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo disse ao G1 que
o regulamento não prevê punição para a escola e para a passista pela nudez ou
pelo ato isolado. A liga acrescenta que seu presidente, ao ver a atitude de Ju,
pediu para que ela deixasse a avenida, pois estava "prejudicando a
evolução e a avaliação da escola".
A assessoria de imprensa da Liga
disse, no início da tarde de domingo (7), que "via o caso como
encerrado".
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