Dentro de algumas semanas, a
Coca-Cola abrirá uma fábrica em Gaza, criando milhares de novos empregos
diretos e indiretos, segundo empresários palestinos. O projeto é anunciado como
um alívio para a região, que sofre com os altos índices de desemprego. Os
moradores questionam, no entanto, de onde virá a água potável, escassa no local
e que deve ser utilizada em abundância para fabricar a bebida.
A ideia partiu do diretor da
Sociedade Nacional de Bebidas Palestinas, Zahi Khouri. É ele quem dirige a
filial da Coca-Cola na Cisjordânia. Depois de abrir três fábricas em Ramallah,
Jericó e Tulkarem, ele se perguntou: por que não fazer o mesmo em Gaza? O
projeto deveria ter saído do papel em 2014, mas a guerra que arrasou a região
adiou os sonhos do empresário.
Difícil conceber a construção de
uma fábrica em Gaza quando falta o essencial para isso: material de construção,
cimento e aço. Israel, que impõe um bloqueio à região desde 2007, autoriza a
passagem de pequenas quantidades desses produtos, temendo que eles sejam
utilizados na construção de túneis.
Mas, no início deste ano, a
informação foi confirmada: a inauguração da Coca-Cola de Gaza deve acontecer
dentro de algumas semanas. Embora ainda não haja uma data para a inauguração do
local, a construção da fábrica foi concluída e os primeiros funcionários já
foram até mesmo contratados.
Coca-Cola anuncia a criação de
mil empregos em Gaza
A empresa norte-americana indica
que mais de mil moradores de Gaza serão empregados na nova fábrica. Segundo a
companhia, se os empregos indiretos forem considerados, o número pode aumentar
para três mil novas vagas de trabalho. Uma boa notícia para a região que tem um
dos índices de desemprego mais elevados do mundo, atingindo um de cada dois
moradores.
Além disso, os empresários
palestinos indicam que o impacto pode ser ainda mais positivo. Segundo eles, se
o projeto funcionar, ele poderia motivar outros investidores a abrirem novos
negócios na região.
Nem tudo são flores, nem água
Muitos se preocupam com a origem
da água que será utilizada pela Coca-Cola. Cerca de 95% da água existente em
Gaza não é potável. Para o banho, por exemplo, a população utiliza água do mar
armazenada em poços. Os moradores temem que a fábrica utilize as já escassas
reservas de água dos lençóis freáticos da região.
Outra dúvida é se o projeto terá
vida longa. Em apenas seis anos, três guerras desolaram Gaza, vítima dos
intensos bombardeios de Israel. Nas últimas semanas, rumores de um novo
conflito ocuparam as páginas da imprensa israelense.
Muitos duvidam do sucesso do
projeto, no entanto, alguns otimistas lembram que duas fábricas
estrangeiras de refrigerantes, a Pepsi e a 7Up funcionam em Gaza há décadas.
Além disso, o preço da Coca-Cola, que será comercializada a 1 sheikel (R$ 1)
deve atrair a clientela. Atualmente, as bebidas importadas de Israel ou da
Cisjordânia custam mais que o dobro deste valor em Gaza.
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