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Soldados
observam prédio do exército destruído após
explosão de um carro-bomba em Cabul, no
Afeganistão
(Ahmad
Masood/Reuters)
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Ataques aéreos dos Estados Unidos
no distrito de Achim, uma região remota do Afeganistão, destruíram uma estação
de rádio operada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), informaram
militares americanos e afegãos nesta terça-feira. A rádio "Voz do
Califado" era a principal emissora da ideologia extremista na região e era
usada para os jihadistas transmitirem recados entre eles mesmos.
A estação de rádio funcionava
ilegalmente, fazia ameaças aos jornalistas na capital Jalalabad e também
tentava recrutar jovens para a sua causa. Autoridades afegãs acreditavam que a
estação de rádio, que foi criada no final de 2015, operava com equipamentos
móveis que permitia o grupo se mover facilmente para outro lado da fronteira
montanhosa, o que ficava difícil de rastrear.
Os ataques aéreos também mataram
21 membros do Estado Islâmico, incluindo cinco que estavam trabalhando na
estação de rádio. O rádio é o meio de comunicação mais forte no Afeganistão,
onde a maioria das pessoas não tem televisão e apenas 10% da população tem
acesso à internet.
Liderado pelo iraquiano Abu Bakr
Al Baghdadi, o grupo jihadista nasceu de uma dissidência do braço da Al Qaeda
no Iraque na segunda metade dos anos 2000. O objetivo original do EI era
expulsar os soldados americanos do país, matar xiitas, considerados apóstatas e
traidores, e estabelecer um governo controlado por radicais sunitas. A guerra
civil na Síria, iniciada em 2011 e ainda sem perspectiva de terminar,
representou uma oportunidade para o EI crescer e se estruturar. Atuando nas
regiões de maioria sunita do Iraque e da Síria, o grupo se apoderou de muitas
cidades, campos de petróleo, armas e fortificações dos Exércitos da Síria e do
Iraque. Em junho do ano passado, depois de um avanço surpreendente e devastador
no leste da Síria e norte do Iraque, o grupo proclamou um califado nas regiões
que mantém sob seu controle.
Mesmo sofrendo constantes ataques
aéreos da coalizão militar liderada pelos EUA e sendo combatido por Egito,
Jordânia, Iraque e Síria, além de forças curdas, o Estado Islâmico está longe
de ser aniquilado. Seus métodos brutais – que incluem decapitações,
crucificações, execuções sumárias – e sua forte companha de comunicação o alçaram
à condição de grupo terrorista mais conhecido e temido do mundo na atualidade.
Especialistas estimam que o grupo tenha cerca de 30.000 soldados, sendo 20.000
estrangeiros (que não são sírios ou iraquianos) -- mais de 10.000 são
provenientes de outras nações e 3.000 vêm de países ocidentais. Acredita-se
também que o grupo disponha de 2 bilhões de dólares (6 bilhões de reais) em
ativos (dinheiro, joias, armamentos, petróleo e outros bens). O tráfico de
órgãos foi apontado como uma das fontes de recurso dos jihadistas.


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