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Amarildo
desapareceu em julho de 2013
(Foto:
Reprodução GloboNews)
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João Tancredo diz que fato de
existir pena para PMs deve ser celebrado. 'Polícia foi responsável pelo
desaparecimento e morte', afirma ele.
No dia seguinte à reportagem
exclusiva do Fantástico sobre a sentença do Tribunal de Justiça do Rio que
condenou o comandante da UPP Rocinha e outros sete policiais pela tortura,
morte e desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, o advogado
da família, João Tancredo, comemorou a decisão. Mais importante do que o tempo
da condenação, segundo ele, é o fato de ela ter sido confirmada.
"O maior legado desse caso é
que a perceba que o Estado reconheceu que a Polícia Militar foi
responsável pelo desaparecimento e morte do Amarildo", afirmou o advogado
ao G1.
Em entrevista à Rádio CBN, o
secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que "a
justiça foi feita". "Hoje,a
gente fica pensando quantos Amarildos não existiram, quantos casos não
foram apurados", disse Beltrame.
A juíza do caso Amarildo, Daniela
Alvarez Prado, afirmou em sua sentença que o episódio que aconteceu em julho de
2013 foi marcado pela "covardia, a ilegalidade, o desvio de finalidade e
abuso de poder exercidos pelos réus".
Ainda em seu texto, a juíza
comenta sobre o despreparo dos policiais “que estariam nas UPPs justamente para
a pacificação”. Ela afirma que “tudo demonstra que Amarildo foi torturado até a
morte”.
A defesa do major Edson Santos,
comandante da UPP da Rocinha entre 2012 e a explosão do caso, afirmou que ainda
não teve acesso à sentença e por isso não iria se manifestar por enquanto.
"Caso se confirme, haverá apelação", afirmou Saulo Salles, advogado
do oficial.
Anos de prisão
Vinte e cinco PMs foram
denunciados. Pelo menos oito estão condenados. Por ser um superior, que deveria
dar exemplo, o major Edson Santos, que era comandante da UPP Rocinha na época,
recebeu a maior pena: 13 anos e sete meses de prisão.
O tenente Luiz Felipe de Medeiros,
então subcomandante de UPP, foi condenado a 10 anos e sete meses. De acordo com
a sentença, ele orquestrou o crime junto com o major Edson.
O soldado Douglas Roberto Vital
Machado pegou 11 anos e seis meses de prisão por ter atuado desde a captura de
Amarildo até a morte dele.
Os soldados Marlon Campos Reis,
Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Jairo da Conceição Ribas, Wellington Tavares da
Silva e Fábio Brasil da Rocha da Graça foram condenados a 10 anos e quatro
meses de prisão. Todos serão expulsos da corporação.
De acordo com as investigações,
quando Amarildo foi levado até a sede da UPP, policiais que não participavam da
ação foram levados a entrar nos contêineres e proibidos de sair dele.
Um PM que estava lá contou em
depoimento que Amarildo chegou a implorar. "Não, não. Isso não. Me mata,
mas não faz isso comigo", teria dito. Depois da tortura, o major Edson
ordenou que os policiais que estavam nos contêineres fossem embora. "Vai
todo mundo embora, não quero ninguém aqui."
Para a juiza, é evitende que o
major não queria testemunhas no local. Quanto menos policiais permanecessem na
sede, maiores as chances de encobrir o ocorrido, ela diz.
Uma pergunta, no entanto, segue em
aberto: o que foi feito com o corpo de Amarildo? Uma outra investigação segue
em andamento e policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) são
suspeitos de terem retirado o corpo dele da Rocinha dentro de uma viatura da
corporação.
Relembre o caso
Amarildo sumiu após ser levado por
policiais militares para ser interrogado na sede da Unidade de Polícia
Pacificadora (UPP) durante a "Operação Paz Armada", de combate ao
tráfico na comunidade, entre os dias 13 e 14 de julho de 2013.
Na UPP, teria passado por uma
averiguação. Após esse processo, segundo a versão dos PMs que estavam com
Amarildo, eles ainda passaram por vários pontos da cidade do Rio antes de
voltar à sede da Unidade de Polícia Pacificadora, onde as câmeras de segurança
mostram as últimas imagens de Amarildo, que, segundo os policiais, teria
deixado o local sozinho — fato não registrado pelas câmeras.
Após depoimentos, foram
identificados quatro policiais militares que participaram ativamente da sessão
de tortura a que Amarildo teria sido submetido ao lado do contêiner da UPP da
Rocinha. Segundo informou o Ministério Público, testemunhas contaram à polícia
sobre a participação desses PMs no crime. Após seis meses de buscas pelo corpo
do pedreiro, a Justiça decretou a morte presumida de Amarildo.
Tortura
De acordo com a promotora Carmem
Elisa Bastos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), o
tenente Luiz Medeiros, o sargento Reinaldo Gonçalves e os soldados Anderson
Maia e Douglas Roberto Vital torturaram Amarildo depois que ele foi levado para
uma "averiguação" na base da UPP. Ainda segundo eles, outros PMs são
suspeitos de participar ativamente da ação.
Enquanto, segundo a promotora, o
ajudante de pedreiro era torturado por quatro policiais, outros 12 ficaram do
lado de fora, de vigia. Oito PMs que estavam dentro dos contêineres que servem
de base à UPP foram considerados omissos porque não fizeram nada para impedir a
violência.
Outros cinco policiais que
decidiram colaborar com as investigações disseram que o major Edson, então
comandante da UPP, estava num dos contêineres, que não tem isolamento acústico,
e podia ouvir tudo.

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