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Morto na noite de quarta-feira, o vereador Geraldo Cardoso Gerpe
(PSB) foi o décimo político de
Magé assassinado nas últimas
duas décadas (Foto: Reprodução Facebook)
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A morte do vereador Geraldo
Cardoso Gerpe (PSB), conhecido como Geraldão, recoloca a política da cidade de
Magé em foco graças à violência contra parlamentares. Ele é o décimo político
assassinado no município desde 1997, um recorde brasileiro. Geraldão foi morto
por volta das 22h de quarta-feira, no estacionamento da Câmara Municipal, alvo
de um tiro na cabeça e no ombro. Ele estava à frente de uma das Comissões
Especiais de Inquérito (CEIs) que investigam irregularidades na gestão do
prefeito Nestor Vidal (PMDB), e era responsável pela apuração de problemas nas
folhas de pagamentos de supostos funcionários fantasmas contratados pela
prefeitura.
Vereadores ouvidos pelo DIA estão consternados pelo crime
e suspeitam de que haja motivação política para o assassinato, embora evitem o
assunto abertamente - pelo próprio histórico da cidade. A família de Geraldão
não quer velório na Câmara de Vereadores, que, via assessoria, relatou a
presença de agentes Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) no
local. O corpo segue no Instituto Médico Legal (IML) e só deve ser liberado no
período da tarde.
A morte de Geraldão agrava um
quadro político complicado, de cassações, renúncias e denúncias em série, que
se estendem desde a cassação da ex-prefeita Núbia Cozzolino pela Justiça
Eleitoral, eleita em 2008, e da eleição suplementar de Nestor Vidal, em 2011.
Em entrevista ao DIA, em
novembro do ano passado, o atual prefeito relatou ter sofrido ameaças de morte.
À época, ele, que gozava de grande aprovação do eleitorado mageense, começou
seu calvário a partir da renúncia do vice, Dr. Claúdio da Pakera.
Em sessão na Câmara Municipal, ele
denunciou as irregularidades que hoje são investigadas pela Casa, e que podem
resultar em mais um processo de cassação na cidade. No dia 4 deste mês, o
plenário aprovou relatório que constata suposta fraude em contrato entre a
prefeitura e uma clínica. "Eu saí desse mundo do crime que é a política,
já não sei absolutamente nada. Sou empresário, quero minha vida longe disso.
Não sei se é motivo político, se é particular dele", afirmou o ex-vice
prefeito, cujas denúncias colocaram 15 dos 17 vereadores da cidade na oposição
a Nestor Vidal.
Geraldão foi outro dos que mudou
de lado na mesma época: vereador eleito com 2.316 votos em 2012, ele logo
assumiu a secretaria de Ordem Pública do governo Nestor Vidal, e saiu do cargo
para voltar à Câmara no final de 2015. Lá, assumiu a investigação das folhas de
pagamento de supostos funcionários fantasmas da prefeitura. "As denúncias
vieram no fim do ano, e, por isso, não tivemos o recesso parlamentar. A cidade
acabou", resumiu o vereador Carlinhos da Ambulância (PSDB), relator da investigação
presidida por Geraldão.
Viúva escreve depoimento em
rede social
Segundo a DHBF, testemunhas estão
sendo ouvidas e imagens de câmeras estão sendo analisadas. Na manhã desta
quinta, Thaís Gerpe, viúva de Geraldão, postou desabafo em seu Facebook.
"Hoje as lágrimas que escorrem de meus olhos, são de lembranças boas que
vivi ao lado de um ser humano tão especial. Peço ao Senhor que olhe com
misericórdia para aqueles que um ato de crueldade tiraram a vida do meu marido.
Aonde vamos parar, meu Deus? Essa violência sem limites, ceifando vidas",
escreveu.

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