UFRJ decide substituir professor condenado por terrorismo na França | Rio das Ostras Jornal

UFRJ decide substituir professor condenado por terrorismo na França

De origem argelina, Adlène Hicheur cumpriu pena no país europeu.
O Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu nesta quinta-feira (14) substituir o professor Adlène Hicheur, condenado por terrorismo na França e que ministrava aulas na universidade.
Hicheur já havia avisado a professores da universidade que decidiu deixar o Brasil após a revista "Época", ter revelado que o físico, de origem argelina, foi condenado por terrorismo na França. Preso em 2009, cumpriu a pena e chegou ao Brasil em 2013. A UFRJ diz que a contratação do professor seguiu os tramites habituais.
Hicheur não informou quando pretende deixar o Brasil, mas confirmou que irá embora. A universidade informou que ele já foi substituído por outro professor e, enquanto não deixar o país, só trabalhará com pesquisa, fora da sala de aula, na área de pós-graduação do Instituto de Física. Ele tem contrato com a UFRJ até 13 de julho deste ano.
O Instituto de Física o substituiu nas aulas de graduação "para evitar que influências não acadêmicas interfiram no andamento das aulas"
Além de ter sido cumprido pena na França por terrorismo, em 10 de abril de 2013, Adlène Hicheur teve negado pelas autoridades suíças o ingresso no país até 9 de abril de 2018. A proibição foi da Polícia Federal da Suíça, que argumentou com a necessidade de proteção da segurança nacional. Hicheur recorreu à Justiça suíça, que manteve a proibição e concluiu que ele representava "uma ameaça de certa gravidade para a ordem pública".
A Polícia Federal monitorava Adlène Icheur desde 2013. Em outubro do ano passado, agentes fizeram buscas na casa dele, no Rio, e na UFRJ. O visto de trabalho do professor vale até julho deste ano.
Nesta terça-feira, a presidente Dilma Roussef conversou sobre o assunto com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que avalia quais medidas pode tomar.
"Eu não posso dar detalhes daquilo que efetivamente se coloca. Por isso, a questão está sendo estudada do ponto de vista jurídico pelo Ministério da Justiça, pelo Itamaraty, pela Casa Civil, para que possamos então ter uma definição a respeito", afirmou Cardozo nesta terça.
Adlene só sai do país se a UFRJ cancelar o contrato de trabalho – já que a permanência no Brasil está vinculada a isso – ou se o Ministério da Justiça decidir cancelar a permissão para ele ficar no país.
Em carta a colegas, o professor disse que foi preso de forma injusta e que somente visitou sites islâmicos subversivos.
O caso
Decisão da Justiça francesa, à qual o Jornal Nacional teve acesso, cita mensagens trocadas entre Hicheur e um representante da rede terrorista Al Qaeda encontradas em buscas na casa do professor, em Ornéx, na França.
O JN teve acesso a 35 emails que comprovariam relações do professor com a organização.
Em junho de 2009, ele recebe a proposta em francês:
"Caro irmão, vamos ser diretos: você está disposto a trabalhar dentro de uma unidade em ativação na França? Quais ajudas seriam possíveis oferecer? Quais suas sugestões?"
Ele responde que sim e diz que queria morar na Argélia, mas pode mudar seus planos e ir para a Europa se a estratégia for "trabalhar dentro da casa do inimigo e esvaziar o sangue das suas forças".
O integrante da Al Qaeda comemora: "Por Deus, você me agradou muito".

A Justiça francesa cita também documentos encontrados na casa de Hicheur sobre a historia do Islã. Um deles traz indicações sobre fuzis de precisão e detalhes militares.
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