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Nelci é ex-funcionária
da área de marketing da Bancoop
e dona de
uma empresa de panfletagem, a Paulista Plus.
(Foto:
Douglas Pingituro/ Brazil Photo Press)
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Presa na 22ª
fase das apurações, batizada da Triplo X, publicitária que trabalhou para
Bancoop e amiga seriam usadas para ocultar donos de imóveis reformados pela OAS
A publicitária
Nelci Warken é considerada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público
Federal o caminho mais curto para descoberta dos verdadeiros proprietários de
imóveis adquiridos em um suposto esquema de ocultação patrimonial e lavagem do
dinheiro desviado da corrupção na Petrobrás, que teria envolvido a empreiteira
OAS, a Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop) e o PT.
Nelci é
ex-funcionária da área de marketing da Bancoop e dona de uma empresa de
panfletagem, a Paulista Plus. Junto com Eliana Pinheiro de Freitas – também
ligada a Bancoop e madrinha de uma de suas filhas -, as duas são apontadas pela
força-tarefa da Lava Jato como “testas-de-ferro” no esquema.
O ponto de
partida da apuração da Triplo X é o triplex 163-B, do Edifício Solaris, no
Guarujá (SP) – no mesmo endereço, a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva teria sido dona de um tríplex, o 164-A.
Formalmente o
apartamento 163-B pertence desde 2009 a Murray Holdings LLC, aberta em Las
Vegas, Estado de Nevada, nos Estados Unidos, em nome de Eliana Freitas. Para os
procuradores, Eliana é uma “laranja” de Nilce Warken.
A offshore foi
aberta em uma das maiores empresas do mundo especializada nesse tipo de
negócio, a Mossack Fonseca & CO – com sede no Panamá. Cinco pessoas ligadas
a Mossack no Brasil foram alvo da Triplo X.
“Fica
evidenciado que a Mossack Fonseca era uma grande lavadora, participava de um
grande esquema de lavagem. Oferecia seu serviço a esquemas dos mais diversos.
Nós temos indicações de que a participação dela em outros esquema em andamento
na qual não é nossa responsabilidade”, afirmou o procurador da República Carlos
Fernando Santos de Lima.
“A formal
propriedade do tríplex 163-B do Condomínio Solaris por parte da offshore Murray
Holdings LLC, registrada em Nevada/EUA levantou suspeitas pela evidente
disparidade de um imóvel de tais padrões frente à pessoa que se apresentou
perante as autoridades fazendárias brasileiras como representante da dita
offshore, qual seja, Eliana Pinheiro de Freitas, pessoa de condições simples,
porém, representante de offshore que adquiriu uma série de imóveis desde 2009”,
informa documento da PF.
14 imóveis. A
Lava Jato chegou aos nomes de Eliana Freitas (Murray) e Nelci Warken (Paulista
Plus), após a transferência – por adjudicação em processo judicial – “de 14
imóveis para saldar débito incompatível com o valor dos bens transmitidos.”
Entre esses imóveis, o tríplex 163-B do Edifício Solaris.
Um dos
problemas que levantaram suspeita dos investigadores da Lava Jato é que a
transferência de bens da Paulista Plus para a Murray envolveu “valor muito
superior ao valor da suposta dívida”.
Nos registros
da Receita, a “Murray adquiriu a propriedade de 10 imóveis em 2009, dentre os
quais o triplex do Condomínio Solaris, 163-B, conforme Declarações de Operações
Imobiliárias, num total declarado de R$ 5 milhões.
Bancoop. Foi em
2009 também que a OAS assumiu a responsabilidade pelo empreendimento Condomínio
Solaris, época em que Vaccari era diretor da Bancoop, num negócio que segundo a
Lava Jato “envolve também uma série de pontos controvertidos”.
“Inobstante a
referida cooperativa tivesse várias obras inacabadas quando passou por
problemas financeiros, apenas algumas foram repassadas à OAS, dentre elas a do
Condomínio Solaris (em 2009). Cooperados ligados a outros empreendimentos
enfrentam dificuldades até hoje para receber os imóveis.”
“Aqui surgem
suspeitas de que o Poder Judiciário tenha sido usado em uma ação judicial
simulada visando a transferência fictícia de propriedade, uma das típicas
manobras para a lavagem de dinheiro”, escreveu a delegada da PF Erika Marena.
Vinculo
afetivo. Apesar de terem figurado em polos distintos na pendenga judicial,
Eliana e Nelci, respectivamente as responsáveis pela Murray e pela Paulista
Plus, “aparentam ser próximas”. Eliana é madrinha de Maria Warken, filha de
Nelci. “Os indícios já descritos na inicial ministerial demonstraram o claro
vínculo entre Eliana Pinheiro de Freitas e Nelci Warken, ambas com alguma
atuação passada junto à Bancoop, provável local de sua aproximação, restando
clara a condição de ‘laranja’ de Nelci que Eliana veio a ocupar.”
Além da baixa
renda para manter os imóveis, chamou a atenção da força-tarefa da Lava Jato o
fato de Eliana não ter passaporte válido desde 1991. “Chama a atenção também o
fato de que Eliana, embora seja procuradora de empresa estrangeira, situada no
EUA, não possui passaporte válido. O único registrado em seu nome foi expedido
em 29 de março de 1985, tendo sua validade expirado em 28 de março de 1991,
mais de 14 anos antes da abertura da Murray.”
Nilce foi presa
nesta quarta-feira, como alvo principal da Triplo X. Eliana Freitas foi
conduzida coercitivamente para depor em São Paulo, e foi liberada depois de
ouvida.


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