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O procurador
geral da República, Rodrigo Janot, pede
ao STF perda
de mandato do deputado Vander Loubet
(PT-MS)(Evaristo Sá/AFP)
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Procurador-geral da República diz
que Vander Loubet está envolvido no esquema de corrupção instaurado na
Petrobras
O procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que decrete a perda do
mandato do deputado Vander Loubet (PT-MS), alvo da Operação Lava Jato, por
suposto recebimento de propinas que somaram 1,028 milhão de reais em esquema de
corrupção instalado na BR Distribuidora. Ao denunciar Loubet por corrupção
passiva - onze vezes - e lavagem de dinheiro - 99 vezes -, Janot atribui ao
petista ligação com "grupo criminoso" que repassava a ele valores
ilícitos "em função da ascendênca que o Partido dos Trabalhadores exercia
sobre parte da Petrobras Distribuidora S/A".
"O parlamentar, em conjunto
com seus auxiliares, acabou aderindo à organização criminosa preordenada à prática
de crimes de peculato, de corrupção ativa e passiva e de lavagem de dinheiro no
âmbito da BR Distribuidora", assinala o procurador-geral na denúncia
contra Loubet, protocolada no Supremo em 17 de dezembro de 2015.
Janot pediu ainda a decretação da
perda, em favor da União, dos bens e valores que sejam objeto de lavagem de
dinheiro no caso. Tais bens podem ser judicialmente apreendidos ou sequestrados
no valor originário total de 1,028 milhão reais, a ser acrescido de juros e
correção monetária. Janot quer a condenação do petista e de outros denunciados
- inclusive familiares de Loubet e o empresário e ex-ministro de Collor, Pedro
Paulo Leoni - "à reparação dos danos materiais e morais causados por suas
condutas", fixando-se um valor mínimo de cinco vezes o montante cobrado a
título de propina no caso, no total de 5,14 milhões de reais "à que os
prejuízos decorrentes da corrupção são difusos".
O procurador-geral aponta
"lesões à ordem econômica, à administração da Justiça, à administração
pública e ao processo eleitoral, inclusive à respeitabilidade do Congresso
Nacional perante a sociedade brasileira".
Janot afirma que as investigações
do Inquérito 3990/DF "evidenciaram que, para que o grupo criminoso em
questão atuasse, era necessário o repasse de valores ilícitos para o deputado
federal Vander Loubet, em função da ascendência que o Partido dos Trabalhadores
exercia sobre parte da Petrobras Distribuidora S/A". Na denúncia contra
Vander Loubet, o procurador dedica um capítulo para as diretorias da Petrobras
"controladas pelo PT".
"Em razão de o Partido dos
Trabalhadores deter praticamente metade da BR Distribuidora, Pedro Paulo Leoni
Ramos tinha que repassar parte das vantagens indevidas também ao deputado
federal petista Vander Loubet. Em compensação, Pedro Paulo tinha plena
liberdade para implementar o esquema criminoso na Petrobras Distribuidora S/A,
chegando a atuar inclusive nas diretorias politicamente indicadas pelo
PT."
Segundo Janot, em 2009, Vander
Loubet "participou da movimentação da bancada do Partido dos Trabalhadores
na Câmara dos Deputados que resultou na indicação política de Andurte de Barros
Duarte Filho para o cargo de diretor de Mercado Consumidor da Petrobras
Distribuidora S/A". "A partir de então, o parlamentar passou a exercer
considerável influência, em nome do PT, sobre a BR Distribuidora."
A investigação mostra que a
ascendência de Loubet sobre a sociedade de economia mista federal é indicada
pelos registros de entrada do deputado nos prédios da petrolífera.
"Existem visitas anteriores a 2009, o que aponta no sentido de que, antes
mesmo da nomeação de Andurte de Barros Duarte Filho, o parlamentar já tinha
interesses escusos diversos relacionados à BR Distribuidora."
"Vander Loubet, agindo como
representante do Partido dos Trabalhadores em relação à BR Distribuidora,
recebeu significativas vantagens pecuniárias indevidas de Pedro Paulo Leoni
Ramos, por intermédio de Alberto Youssef, entre 2012 e 2014, para deixar de
exercer a função parlamentar de fiscalização sobre a administração federal e
permitir a livre atuação da organização criminosa voltada à prática de crimes
de peculato, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro no âmbito da
Petrobras Distribuidora S/A", assinala o procurador-geral da República.
Segundo a denúncia, "para o
recebimento dissimulado e disfarçado dos valores ilícitos, o deputado federal
Vander Loubet utilizou seus familiares, especialmente sua esposa, Roseli da
Cruz Loubet, e seu cunhado Ademar Chagas da Cruz, além da sócia desse último
Fabiane Karina Miranda Avanci".
"A estratégia de ocultação
das quantias provenientes do delito de corrupção foi descoberta pelas
investigações", diz a denúncia.
A quebra do sigilo bancário do
parlamentar permitiu o rastreamento das propinas. "As operações
financeiras objetivavam em última instância o favorecimento do deputado com
vantagens pecuniárias indevidas. Foram utilizadas pessoas interpostas, a
maioria familiares do parlamentar, para ocultar e dissimular a natureza,
origem, localização, disposição, movimentação e propriedade de valores
provenientes de propina. No entanto, o afastamento de sigilo fiscal indicou
movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados do deputado
federal Vander Loubet nos anos de 2012, 2013 e 2014, além de variação patrimonial
a descoberto no ano de 2003, o que aponta no sentido da manipulação e
utilização de valores ilícitos pelo próprio parlamentar."
Defesa
A assessoria de Vander Loubet
informou que o deputado não iria comentar a acusação porque ainda não teve
acesso à denúncia do procurador-geral da República nem à delação do ex-diretor
da Petrobrás Nestor Cerveró.
A assessoria de imprensa de Pedro
Paulo Leoni Ramos disse que ele não vai se manifestar por não ter tido acesso
ao teor da denúncia.
(Com Estadão Conteúdo)

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