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Negócio da
Petrobras com petroleira estatal de Angola
teria rendido de R$ 40 a R$ 50 milhões para a
campanha
de Lula (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
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Ex-diretor Nestor Cerveró afirmou
que dinheiro saiu da compra de blocos de petróleo em Angola
A campanha presidencial de Luiz
Inácio Lula da Silva em 2006 recebeu um aporte de até R$ 50 milhões em propina
de um negócio fechado pela Petrobras em Angola um ano antes, segundo o
ex-diretor internacional da petroleira Nestor Cerveró. A informação está na
edição do jornal Valor Econômico desta segunda-feira 18).
O dinheiro teria vindo da
aquisição de US$ 300 milhões em blocos de petróleo pela petroleira brasileira
que pertenciam à Sonangol, empresa estatal angolana, na Àfrica. Segundo a
reportagem, Cerveró repassou as informações antes de fechar o acordo de delação
premiada.
O ex-diretor da Petrobras acertou
o acordo com os investigadores da Lava Jato e com a PGR (Procuradoria-Geral da
República) em novembro de 2015.
Cerveró informou que descobriu o
acordo por Manuel Domingos Vicente, então presidente do Conselho de
Administração da Sonangol e hoje vice-presidente de Angola. O Valor Econômico
conseguiu um anexo de informações feito pelos advogados de Cerveró, que foi
entregue às autoridades brasileiras.
— Manoel [sic] Vicente foi
explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobras a
Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como
propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40
milhões e R$ 50 milhões.
Meio de campo
O intermediário para o acordo de
recebimento de propina teria sido, segundo Cerveró, o ex-ministro Antonio
Palocci. O ex-diretor da Petrobras disse aos investigadores que "a
referida negociação foi conduzida pelos altos escalões do governo brasileiro e
angolano, sendo o representante brasileiro o ministro da Fazenda [Antonio]
Palocci”. Palocci negou, via assessoria, “participação em qualquer ‘tratativa
política’ do tema”.
— Embora o senhor Cerveró, em sua
delação, não tenha mencionado envolvimento de Antonio Palocci em qualquer
atividade ilícita, cabe esclarecer que Palocci não participou de nenhuma
negociação em tempo algum com a empresa Sonangol de Angola.
Cerveró, porém, não justifica
porque Palocci, então ministro da Fazenda do governo Lula, teria sido o
responsável por fechar um acordo sob responsabilidade da Petrobras.
O ex-diretor ressaltou ainda no
documento que, "em 2005, houve uma oferta internacional de Angola, de
venda de blocos de exploração em águas profundas, como se fosse um grande
leilão”. — O país era extremamente interessante para a Petrobras: tanto pelo
regime político do país aliado do governo brasileiro, quanto pelo fato da
companhia já operar e ter escritórios desde 1975 em Angola. O anexo entregue
pela defesa de Cerveró à PGR diz ainda que "Nestor tinha uma relação de
amizade com o Dr. Manoel [sic] Vicente [presidente da Sonangol], que em
conversas mencionou textualmente a frase: ‘Porque nós somos homens do partido!
Temos que atender as determinações do Partido!.
Outro lado
A reportagem procurou a assessoria
de imprensa do Instituto Lula, que não quis comentar as informações porque
considera as "supostas delações, quanto mais supostos acordos de delação,
vazados de forma seletiva, parcial e provavelmente ilegal, que alimentam um mercado
de busca por benefícios penais e manchetes sensacionalistas”.
Nem a Sonangol nem o
vice-presidente Manuel Vicente foram localizados para comentar o caso. A
Petrobras reconheceu que comprou três blocos de petróleo da Sonangol em maio de
2006. A petroleira disse ainda que conquistou 30% e a posição de operadora do
bloco 18, em Angola, em consórcio formado pelas empresas Sonangol Sinopec
International (40%), Sonangol P&P (20%), Falcon Oil (5%) e Grupo Gema (5%).

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