Gilmar Mauro, do MST, diz que
mudanças promovidas pelo tucano deveriam ser seguidas pelo governo Dilma
Rousseff
O governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin (PSDB), sancionou nesta quinta-feira a lei 1.209/2015, que promove
mudanças na lei de terras do Estado e agradou ao Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), historicamente ligado ao PT. Um dos líderes do MST,
Gilmar Mauro, participou da cerimônia de sanção da lei ao lado de Alckmin e
secretários no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
O principal ponto da nova lei é
transformar em concessão a antiga permissão para explorar lotes dedicados a
assentamentos agrícolas. Com a nova lei, que revisa norma de 1985, da gestão
Franco Montoro, a concessão do uso da terra também poderá ser passada
hereditariamente. Se o titular do lote morrer, a concessão passa para o filho
ou sucessor legal. A lei também facilita o acesso a mecanismos de financiamento
para a agricultura familiar, antes restrito ao titular da terra.
Alckmin negou que a medida tenha
contornos eleitoreiros. "[A aproximação] não é com o MST, é com todos
aqueles que se dedicam à área de política agrícola. O assentado não tem
filiação partidária, ele quer trabalhar", disse o tucano. "Estamos
ampliando esse bom trabalho, temos o diálogo com todos, não tem nada a ver com
questão eleitoral."
A revisão da lei de terras foi
costurada politicamente com apoio dos secretários do governador, em especial da
pasta de Justiça e da Defesa da Cidadania. Braço direito de Alckmin, o
secretário da Casa Civil, Edson Aparecido (PSDB), também teve papel importante
na aproximação com o MST.
O gesto do tucano para o MST
ocorre em um momento de dificuldade na relação do governo Dilma Rousseff com os
movimentos sociais, descontentes com o ajuste fiscal do Planalto. O MST,
especificamente, tem também críticas à condução da reforma agrária no governo
Dilma. Gilmar Mauro disse nesta quinta que a nova lei de terras paulista é
"fundamental e a melhor lei de terras do Brasil" e cutucou o governo
Dilma ao dizer que o texto tem "efeito simbólico" no país.
"Esperamos que, em nível nacional, se aprove uma lei como esta do Estado
de São Paulo."
O dirigente do MST evitou falar em
alinhamento político para a disputa presidencial de 2018. Ele disse que a
aproximação com Alckmin faz parte do dever do movimento. "É da nossa
característica fazer pressão, mobilizar e ao mesmo tempo negociar. Temos que
resolver problemas objetivos da nossa base. Independentemente de quem for o
governo, qual partido for, evidentemente vamos ter que negociar."
Questionado sobre as eleições
municipais deste ano, Mauro disse que o MST não vê problema em apoiar um
candidato do PSDB se ele tiver propostas alinhadas com as do movimento.
"Há uma orientação política de que queremos avanços, de votar em setores
progressistas. Se dentro de setores progressistas tiver alguém do PSDB",
ponderou.
O governador pediu compreensão aos
ruralistas por causa das alterações legais. O presidente da Sociedade Rural
Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, disse que a aproximação de Alckmin com o
MST era "oportunismo" e que o governador estaria querendo
"comprar votos" desse "grupo terrorista". Junqueira chegou
a afirmar que Alckmin pode perder o apoio do setor produtivo.
Alckmin minimizou a insatisfação
dos ruralistas. "Não tem essa coisa de beneficiar 'a' ou 'b', de brigar
com 'a' ou 'b'. São Paulo é a terra da segurança jurídica, fomos de 125
invasões para 25 no ano passado, reduzimos em um quinto as ocupações. Essas coisas
não são incompatíveis, a gente precisa ter um pouco de paciência, dialogar com
todos os lados. Tenho grande apreço pela Sociedade Rural Brasileira e tenho
certeza de que eles vão entender o trabalho que está sendo feito."
(Com Estadão Conteúdo)

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