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Vendas de
veículos no mercado brasileiro somaram
262.758
unidades em junho. (Marco de Bari)
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Depois de terminar 2015 com a pior
queda nas vendas em quase 30 anos, o mercado automotivo brasileiro se prepara
para adotar uma estratégia arriscada em 2016
Depois de terminar 2015 com a pior
queda nas vendas em quase 30 anos, o mercado automotivo brasileiro se prepara
para adotar uma estratégia arriscada em 2016: deixar o veículo mais caro no
momento em que o consumo se retrai, o desemprego sobe e o crédito tende a ficar
mais restrito.
Embora o reajuste seja uma decisão
de cada montadora, todas as marcas passam, segundo analistas e executivos do
setor, por uma forte pressão de custos, em especial do câmbio. Uma projeção
feita pela consultoria Tendências aponta que os preços dos veículos novos
deverão subir em 2016 no mesmo ritmo da inflação medida pelo IPC-Fipe (Índice
de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), pondo
fim a um período de 10 anos em que a variação sempre ficou em um patamar
abaixo.
Na previsão da consultoria, os
veículos novos deverão ter aumento de 5,8% em 2016, a mesma estimativa para o
IPC. Para este ano, a expectativa é de que os preços dos carros subam 5,4%,
abaixo dos 8,4% previstos para a índice geral. A última vez em que houve queda
dos veículos foi em 2012, de 5,0%. À época, as montadoras ainda contavam com a
redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). O benefício, criado
pelo governo em 2011 para estimular o consumo, deixou de vigorar em 31 de
outubro de 2014. A extinção, que contribuiu para que os preços subissem em
2015, deve continuar pressionando o mercado no ano que vem.
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Responsável pelo levantamento da
Tendências, o economista Rodrigo Baggi diz que a pressão de custos já havia
atingido as montadoras neste ano, em razão da forte depreciação do câmbio e do
aumento da energia. No entanto, como as vendas caem no ritmo mais forte desde
1987, as empresas evitaram ao máximo repassar o reajuste para o consumidor.
"O aperto nas margens já aconteceu e aconteceu bem. Uma parte do reajuste
que precisava ter sido feito em 2015 não foi feito porque as montadoras não
queriam perder volume de venda", avalia.
"Agora, para 2016, as
montadoras terão mais espaço para subir os preços", prevê o economista,
referindo-se à expectativa do setor de que as vendas tenham uma queda mais
tímida no ano que vem. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição
de Veículos Automotores), o volume de veículos novos vendidos em 2015 deve cair
27% em comparação com 2014, para cerca de 2,53 milhões de unidades. A retração
esperada para 2016 é de 5%, para algo em torno de 2,4 milhões. "Os
repasses (de preços ao consumidor) só serão limitados se houver uma
deterioração muito absurda do cenário (no ano que vem)", afirma Baggi.
No cenário que se desenha para
2016, o câmbio será novamente o principal vilão dos custos das fabricantes,
aponta o economista Fábio Silveira, diretor de pesquisas econômicas da
consultoria GO Associados. "Tivemos uma acentuada depreciação do câmbio ao
longo de 2015, mas só uma pequena parte foi repassada ao consumidor, porque
ainda havia muito estoque com o câmbio mais apreciado. A outra parcela vai ser
repassada ao consumidor no ano que vem. Será algo que as montadoras não vão
conseguir segurar, caso contrário, fecham o negócio", diz Silveira. Em
suas contas, o patamar médio do câmbio em 2015 será de R$ 3,33 e, em 2016,
deverá subir para R$ 4,09.
Por questões ligadas à estratégia
de mercado, as montadoras que lideram as vendas no Brasil evitam abrir o jogo
em relação à política de preços. No entanto, admitem que a pressão de custos
seguirá em 2016. "O preço é algo que será definido pela dinâmica do
mercado no ano que vem, mas que existe uma forte pressão de custos, existe
sim", disse o vice-presidente de relações institucionais da Ford, Rogelio
Golfarb, em evento realizado pela montadora neste mês. Em um congresso do
setor, dois meses antes, ele já havia afirmado que "lucro é coisa do
passado". "O problema agora é falta de caixa para arcar compromissos.
Em um momento como esse, fica mais agudo o dilema de subir ou não subir o
preço", afirmou.
Mais sensíveis ao câmbio, as
importadoras são mais abertas em relação a reajustes. A Kia Motors, líder em
venda de carros importados no Brasil, já trabalha com um cenário de alta dos
preços em 2016. "Eu não tenho dúvida de que todos terão de repassar a alta
do dólar no ano que vem. É impossível qualquer marca instalada no Brasil
continuar vendendo o carro no preço que está. Comprar carro importado no Brasil
hoje é como comprar dólar a R$ 2,30, porque ninguém repassou. Nós estamos
vendendo o Ceratto a R$ 69,9 mil, que antes era vendido a R$ 76,9 mil, porque
precisamos cumprir o objetivo que traçamos para a Coreia do Sul (matriz da
Kia)", disse o presidente da montadora no Brasil, José Luiz Gandini.
Para aliviar o custo da mão de
obra, algumas montadoras aderiram ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE),
medida do governo federal que permite a redução das jornadas dos trabalhadores
em até 30%, com diminuição salarial no mesmo nível. Metade da perda salarial,
contudo, é compensada pelo governo, com recursos do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT). Entre as companhias estão a Volkswagen, a Mercedes-Benz e a
Ford. Mas a chinesa Chery, que instalou sua fábrica no Brasil no ano passado,
teve de trilhar o caminho contrário, realizando em 2015 dois reajustes
salariais superiores à inflação.
De acordo com o vice-presidente da
companhia chinesa no Brasil, Luis Curi, será inevitável realizar uma
"adequação dos custos sofridos" em 2015. "O porcentual ainda não
foi definido, mas seguirá duas diretrizes: acompanhar os reajustes do mercado e
chegar o mais perto possível da incidência dos aumentos que impactaram os
nossos custos. Essa adequação será feita gradativamente, aos poucos, no
decorrer de 2016", afirmou. Desde que chegou ao Brasil, a montadora não
encontrou vida fácil. A fábrica instalada em Jacareí, no interior de São Paulo,
tem capacidade para produzir 50 mil veículos por ano, mas só deverá produzir
algo próximo de 5 mil.

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