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Centenário colégio Souza Aguiar, na Lapa, sofre abandono.
Há três anos, alunos convivem com rachaduras
(Foto: Estefan Radovicz /
Agência O Dia)
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Secretaria de Estado de Educação
ainda suspendeu a limpeza das escolas às terças e quintas-feiras
A crise financeira do estado
também frequenta os bancos escolares. Para reduzir gastos, a Secretaria de
Estado de Educação (Seeduc) suspendeu a limpeza das escolas às terças e
quintas-feiras. O cardápio da escassez segue um calendário próprio. Durante
seis dias, as refeições serão substituídas por lanches com biscoitos, bolos, sucos,
leite e iogurte. A medida é para evitar o uso do gás no preparo de comida. Em
outros seis dias, as unidades ficarão sem porteiros.
“O quadro de funcionários está
quebrado, com falta de inspetores e outros profissionais. Preocupa-nos que em
dias de conselho de classe fiquemos sem portaria. Há escolas em áreas
perigosas, todos sabemos. As questões mais graves, entretanto, mais urgentes,
são a defasagem salarial, que ano que vem chegará a 30% e a manutenção das
escolas”, criticou Beatriz Lugão, diretora do Sindicato Estadual dos
Profissionais de Educação.
Há quase três anos, alunos do
centenário Colégio Estadual Souza Aguiar, na Lapa, convivem com rachaduras que
interditaram a quadra de esportes. Uma obra vizinha de uma construtora causou o
problema. Segundo a diretora da unidade, Ana Cristina Rodrigues, a construtora
e a Seeduc entraram em um acordo para que fossem feitos os reparos, mas a
quadra só deve ser usada no ano que vem. “Os danos também afetaram a cozinha
que estávamos construindo, pois a escola tem três turnos”, diz a diretora Ana
Cristina.
Eles reclamam que a parte isolada
do prédio interditou os bancos de concreto do pátio e que a falta de limpeza em
dois dias da semana deixa os banheiros insuportáveis. “O cheiro é horrível. Às
vezes temos que ir embora por causa do fedor”, contou uma adolescente. Um laudo
da Defesa Civil municipal mostrou que o prédio não tem risco de desabamento.
A Seeduc garantiu que o cardápio
alternativo suprirá as necessidades nutricionais dos estudantes. A
nutricionista Ana Rosa Cunha, professora do Centro Universitário Celso Lisboa,
não concorda. “Essa troca não é a mais adequada visto que não supre as
necessidades nutricionais, como proteína e ferro, principalmente em se tratando
de crianças e adolescentes que estão em fase de crescimento”, diz.
Presidente da Comissão de Educação
da Alerj, o deputado Comte Bittencourt (PPS) diz que está atento ao problema.
“Estamos acompanhando as dificuldades pelas quais a administração estadual está
passando para garantirmos que alunos e profissionais não sejam afetados”,
disse. Segundo ele, as medidas foram tomadas respeitando a crise
orçamentária. “Há prioridades como merenda, manutenção e limpeza que é preciso
garantir”.
Alerj cobra explicação de
reitor da Uerj
Pelo segundo dia, estudantes
mantiveram a ocupação na Uerj, para exigir o pagamento de bolsas e salários de
terceirizados e funcionários. O reitor Ricardo Vieiralves foi convocado pela
Comissão de Educação da Alerj, no próximo dia 9, para justificar o fechamento
da universidade por uma semana, o que afetou 28 mil alunos. “Ele já faltou a
dois convites”, criticou o presidente da Comissão de Educação da Alerj,
deputado Comte Bittencourt (PPS).
“Tivemos que demitir 157 funcionários”, diz Antonio Neto, secretário de Educação
Há 22 anos, na rede estadual de
Educação, o atual secretário Antonio Neto, comenta o corte no
orçamento que tem afetado a rotina das escolas fluminenses. Ele lembra que mais
da metade do orçamento está comprometido com pagamento de salários dos
servidores.
Como a crise do estado afetou a
educação?
— Desde o primeiro dia do ano, procuramos garantir a merenda e a manutenção das escolas para que nenhum atraso prejudicasse os alunos. Temos orçamento de R$ 5 bilhões, porém, deste total, R$ 3,6 bilhões são destinados a salários, o que limita investimentos. Revisamos contratos, reduzindo carros e ar-condicionado.
— Desde o primeiro dia do ano, procuramos garantir a merenda e a manutenção das escolas para que nenhum atraso prejudicasse os alunos. Temos orçamento de R$ 5 bilhões, porém, deste total, R$ 3,6 bilhões são destinados a salários, o que limita investimentos. Revisamos contratos, reduzindo carros e ar-condicionado.
Por que a rede estadual passou
o ano todo sem greve, diferentemente de 2013 e 2014?
— Negociamos mês a mês com o
sindicato dos professores para evitar perder dias de aula. Claro que, com todo
o estado em dificuldades orçamentárias graves, não pudemos atender muitas
reivindicações, mas conseguimos cumprir algumas demandas da classe.
Houve corte de pessoal?
— Sim. Nós, aqui na secretaria,
tivemos que demitir 157 funcionários, o que foi um trauma para nós. Então,
setores que trabalhavam com dez funcionários passaram a ter quatro, cinco.
Serviços executados por cinco, foram distribuídos para dois. Foi um aperto, mas
necessário.
Como será em 2016?
— O governo federal está
finalizando a questão dos planos estaduais e municipais de educação, o que será
a base para que estados e municípios recebam financiamentos. O Estado do Rio
tem um plano aprovado em 2009 com metas para 20 anos que serviu de modelo para
o país, estão estamos otimistas em relação à liberação de recursos. Sobre o
orçamento do estado, nosso montante deve girar em torno dos R$ 5 bilhões,
praticamente o mesmo de 2015.

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