'Máfia da Saúde' do Rio superfaturava preços em até 1.000%, diz MP | Rio das Ostras Jornal

'Máfia da Saúde' do Rio superfaturava preços em até 1.000%, diz MP

Empresa teria desviado R$ 50 milhões; donos estão presos.
Uma investigação do Ministério Público apurou que a empresa Biotech, uma organização social (OS) dos irmãos Wagner e Walter Pelegrini, combinava com oito empresas o valor superfaturado de material comprado para hospitais municipais de Acari e Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Os promotores identificaram superfaturamento de mais de 1.000% por cento em alguns produtos.
O RJTV teve acesso a escutas telefônicas autorizadas pela Justiça em que Bruno Simões, da Cirúrgica Simões, combina compra de um tipo de cateter com a funcionária do setor de compras do hospital, Barbara Pinho Salgado.
A denúncia do MP diz que o setor de compras do hospital deveria pedir as cotações para os fornecedores, e não o contrário, de modo que o hospital pudesse escolher o fornecedor com o preço mais vantajoso.
Os promotores afirmam que o esquema só funcionou porque a prefeitura falhou na fiscalização. Os irmãos Pelegrini, presos na quarta-feira (9) receberam R$ 515 milhões da prefeitura desde 2012. Tinham carros de luxo, joias e escondiam quase R$ 1,5 milhão numa mala.
Em 2007, a prefeitura do Rio terceirizou a gestão de alguns hospitais públicos. A empresa GPS venceu a licitação para administrar o Hospital de Acari. A GPS pertence aos irmãos Walter e Wagner Pelegrini. Como os problemas na unidade continuaram, a prefeitura decidiu então trocar as empresas por organizações sem fins lucrativos, de modo a dar mais eficiência e transparência ao sistema.
Em 2012, a Organização Social Biotech assumiu o Hospital Pedro II, em Santa Cruz. No início de 2015, a Biotech entrou no lugar da empresa GPS no Hospital de Acari. Os donos da GPS são os mesmos da Biotech que, apesar da fiscalização, teria desviado R$ 50 milhões.
O secretário de Saúde, Daniel Soranz, explicou que a fiscalização das OS é feita em parceria com a Fundação Getulio Vargas.
“Nada é tão investigado hoje, e de fato auditado, quanto as Organizações Sociais. A gente tem um painel produzido junto com a fundação para dar transparência a essas informações. Então, pela primeira vez, a gente consegue ver todos os dados de compra, de RH, de tudo, coisa que não tinha anteriormente com as ONGs”, disse.
Desde 2011, a prefeitura pagou quase R$ 7 milhões à Fundação Getulio Vargas para monitorar e controlar as organizações sociais. Um site foi criado para dar transparências às informações, mas ao clicar nenhuma informação aparece.
O prefeito Eduardo Paes vetou projeto de lei de autoria do vereador Paulo Pinheiro (PSOL), que exigia das organizações sociais prestação de contas detalhada a cada dois meses. O veto ainda vai ser analisado pela Câmara dos Vereadores.

A assessoria de Eduardo Paes informou que o prefeito vetou o projeto de lei porque a prefeitura já tem mecanismos próprios de controle e fiscalização. Sobre o acesso público aos dados pela internet, a Secretaria Municipal de Saúde disse que as informações devem estar disponíveis até janeiro. Procurados os advogados dos irmãos Wagner e Walter Pelegrini, Bruno Simões e Bárbara Pinho Salgado não responderam ao contato.
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