Com a reviravolta na composição da
Comissão Especial que decidirá sobre o impeachment da presidente Dilma
Rousseff, o governo voltou atrás em sua estratégia de acelerar o processo no
Congresso. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que vinha
mantendo discurso alinhado aos interesses do Palácio do Planalto, também mudou
de tom nesta quarta-feira e anunciou preferir um recesso parlamentar mais curto.
Antes contrário ao recesso para
evitar desgaste com manifestações de rua, o governo passou a defender uma
interrupção parcial dos trabalhos legislativos para não "estressar as
bancadas". Os parlamentares fariam pausa para o Natal e voltariam para
votar o processo de impeachment em sessão extraordinária do Congresso em meados
de janeiro. A decisão veio após derrota na eleição da chapa oposicionista para
a comissão do impeachment, mesmo após decisão do ministro Edson Fachin, do
Supremo Tribunal Federal, que sustou o processo até a próxima quarta-feira.
A estratégia foi costurada na
reunião de líderes aliados com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo
Berzoini, durante a manhã desta quarta. O ministro ficou de ligar para Renan
para pedir a manutenção do recesso parlamentar, além da convocação do Congresso
para votar matérias orçamentárias.
O presidente do Senado negou
qualquer contato do governo. "Eu conversei com setores da oposição. Me
surpreende o Berzoini estar nessa posição", afirmou. Mas apesar de, até
então, dar sinais contra a convocação do Congresso, Renan também mudou.
"Deveremos ter sessão na terça e na quarta-feira e, a partir daí, quantas
vezes forem necessárias", afirmou.
O objetivo do governo, confirmado
no discurso de Renan Calheiros, é votar todas as propostas sobre o orçamento de
2016, com prioridade para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ainda em
dezembro. Em seguida, haveria uma pausa para o Natal e convocação
extraordinária do Congresso durante o recesso. Renan, entretanto, disse não
saber exatamente quando e como se dará a convocação.
Quem primeiro sugeriu um recesso
parlamentar parcial foi a oposição. A hipótese de interromper as atividades
legislativas para o Natal e retornar até 15 de janeiro foi trazida pelo senador
Aécio Neves (PSDB-MG), para alcançar, segundo ele, um meio termo entre a
suspensão total ou a manutenção do recesso, ponto de divergência entre governo
e oposição.
Outra ordem que veio da reunião de
líderes com Berzoini é suspender demais estratégias até o próxima quarta-feira,
quando os ministros do Supremo reúnem-se para decidir sobre os questionamentos
apresentados pelo PC do B a respeito da formação de chapa com candidaturas
avulsas e da realização de votação secreta para escolher os integrantes da
comissão do impeachment na Câmara.
Segundo líderes governistas que
participaram da reunião, o tom no Planalto é de cautela e não de comemoração.
Na avaliação do governo, a decisão de Fachin apenas equilibrou o jogo. Líderes
avaliaram, por exemplo, que a votação secreta é "a tentação do
demônio". O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), propôs um
acompanhamento meticuloso da situação.
A análise inicial mostra que mais
de vinte deputados governistas não estavam presentes, o que eleva o placar
pró-Dilma para 219 votos - 199 votos a favor da chapa governista mais os 20
ausentes).
No horário da reunião, deputados
da ala oposicionista do PMDB ainda não haviam protocolado pedido de destituição
do líder do partido, Leonardo Picciani (RJ), que não participou do encontro. A
questão, no entanto, já preocupa o Planalto, pois a mudança no maior partido da
Câmara coloca o grupo de 66 deputados sob as ordens de um comando contrário à
presidente Dilma.
Na reunião, o governo anunciou o
ex-deputado do PT, Geraldo Magela, como novo assessor de Berzoini para lidar
com as bancadas no Congresso. Ele assume o lugar de Tadeu Filippelli (PMDB).
(Com Estadão Conteúdo)

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