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Deputada
Luiza Erundina (PSB-SP) vai fundar seu próprio
partido, a Raiz Movimento Cidadanista
(Beto
Oliveira/Agência Câmara)
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Nova legenda vai costurar um
acordo de filiação com o PSOL, a exemplo do que a Rede Sustentabilidade fez com
o PSB no ano passado, para concorrer às eleições de 2016
A deputada federal e ex-prefeita
de São Paulo Luiza Erundina (PSB-SP) vai comandar no dia 22 de janeiro a
plenária de fundação do seu próprio partido, a Raiz Movimento Cidadanista.
O evento ocorrerá durante o Fórum
Social Mundial, em Porto Alegre. Inspirado no Podemos, da Espanha, e Syriza, da
Grécia, novos partidos de matriz socialista que despontaram na Europa nos
últimos dois anos, o movimento liderado por Erundina já organizou diretórios em
21 Estados e começará sua coleta de assinaturas para conseguir o registro junto
ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no encontro no Rio Grande do Sul. Para
tornar-se a 36° legenda em funcionamento no Brasil, a Raiz Cidadanista precisa
agora reunir 486.000 assinaturas.
Como não será viável atingir essa
meta em 2016 a tempo de disputar as eleições municipais, a Raiz costura um
acordo de "filiação democrática" com o PSOL semelhante ao feito entre
a Rede Sustentabilidade e o PSB em 2014. Na ocasião, a deputada foi
coordenadora-geral da campanha de Marina Silva à Presidência, quando a ex-ministra,
hoje filiada à Rede Sustentabilidade, concorreu pelo PSB após a morte de
Eduardo Campos.
Ou seja: a ideia é que o PSOL abra
suas portas para que integrantes da Raiz concorram a prefeito e vereador.
Quando o ritual de legalização junto ao TSE for finalizado, os eleitos poderão
migrar para o novo partido. "Não há como fazer esse processo de filiação
democrática com o PSB, pois ele está, hoje, mais próximo do PSDB. Nas próximas
eleições, eles devem estar juntos. Não queremos fazer concessões", destaca
Erundina.
A deputada diz que foi isolada
pelo PSB depois do primeiro turno das eleições presidenciais no ano passado. No
segundo, o partido apoiou a candidatura do senador Aécio Neves (MG), do PSDB.
"Fui isolada na bancada. Votaram contra meu nome na comissão que analisará
o pedido de impeachment. Não sou mais alinhada com o PSB. Isso me constrange,
pois sou uma pessoa de partido", afirma a deputada.
Durante a campanha presidencial de
2014, Erundina tornou-se uma das principais operadoras políticas de Marina
Silva depois da morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo. Tanto que, quando
a ex-ministra liderava as pesquisas de opinião, o nome da ex-prefeita era
apontado como uma das peças-chave de um eventual governo. A relação entre as
duas esfriou depois que Marina apoiou o tucano, no segundo turno das eleições.
O modelo de estrutura adotado pela
Raiz é o mesmo da Rede. "Teremos uma forma circular e horizontal de
funcionamento", detalha o historiador Célio Turino, que foi porta-voz da
Rede e é um dos fundadores da Raiz. A principal diferença entre os dois grupos
é ideológica.
O novo partido, que já se
manifestou oficialmente contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff,
pretende ocupar um vácuo criado no eleitorado que tradicionalmente votava no
PT. "Somos contra o impeachment, mas temos críticas profundas ao governo
Dilma", diz Erundina.

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