Negócio marca retorno da companhia
ao mercado internacional de capitais após estouro da Operação Lava Jato.
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira
(1) uma emissão de títulos com prazo de 100 anos, no valor total de US$ 2,5
bilhões, na primeira investida da companhia no mercado internacional de
capitais desde o estouro da Operação Lava Jato. A conclusão da operação está
prevista para ocorrer na próxima sexta-feira (5).
O comunicado foi divulgado pela
empresa ao mercado na noite desta segunda. O rendimento ao investidor será de
8,45%. A data de vencimento é 5 de junho de 2115. Segundo a estatal, "os
títulos serão emitidos através da sua subsidiária integral Petrobras Global
Finance B.V. (“PGF”) e com garantia incondicional da Petrobras". A
operação foi conduzida pelo Deutsche Bank Securities Inc e J.P. Morgan
Securities.
A Petrobras ressaltou que o
comunicado divulgado nesta segunda "não constitui uma oferta de venda e
nem num convite para a compra dos títulos", acrescentando que não
"ocorrerá qualquer negociação desses títulos em qualquer jurisdição na
qual tal oferta, convite ou venda seja considerada ilegal, ou antes dela ser registrada
ou qualificada sob as leis de valores mobiliários das respectivas
jurisdições".
O negócio é a primeira emissão de
bônus em dólares da companhia desde março de 2014, segundo a agência de
notícias Reuters, quando a petroleira fez uma emissão em seis fatias de US$ 8,5
bilhões.
O México foi o único nos últimos
anos, fora da América Latina, que tentou uma emissão de 100 anos, segundo a
Reuters.
Em março, o Conselho de
Administração da petroleira havia autorizado que a estatal fizesse captações de
até US$ 19,1 bilhões líquidos em recursos ao longo de 2015.
Depois disso, a empresa contratou
uma série de financiamentos com diversos bancos e informou em abril que já
havia coberto necessidades para este ano. Entretanto, que continuaria a avaliar
oportunidades de financiamento visando antecipar parte das necessidades de
2016.
"O fato de ela vir realmente
a emitir bônus dessa natureza, mesmo depois de ter falado que já tinha cumprido
suas necessidades (de financiamentos), mostra uma certa instabilidade para com
o plano de negócios da companhia", afirmou à Reuters o analista da
corretora Spinelli Elad Revi.
Avaliação das agências
As agências de classificação de
risco Standard & Poor's e Fitch classificaram a emissão da Petrobras em
"BBB-", mesmo rating dado à estatal, conforme comunicados de imprensa
publicados nesta segunda-feira (1).
"Esperamos que a empresa use
os recursos para propósitos corporativos gerais, incluindo o financiamento de
seu plano de investimentos", afirmou a S&P, em seu comunicado. "O
nosso rating corporativo 'BBB-' na Petrobras reflete nossa visão de que há uma
probabilidade 'muito alta' de que o governo brasileiro poderia fornecer apoio
extraordinário e suficiente para a empresa no caso de crise financeira."
A Fitch também destacou que os ratings
da Petrobras "continuam a refletir a sua estreita ligação com o rating
soberano do Brasil devido ao controle do governo sobre a empresa e sua
importância estratégica para o Brasil com seu quase monopólio no fornecimento
dos combustíveis líquidos".
Já a Moody's classificarou a
emissão em "Ba2", mesma nota da dívida geral da companhia, que na
classificação desta agência está abaixo do grau de investimento. A Moody's
comentou que os recursos serão usados para propósitos corporativos gerais, incluindo
refinanciamento de dívida e investimentos.

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