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A partir da
direira: Playboy, Peixe e Fu da Mineira
(Foto:
Reprodução / Portal dos Procurados)
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Playboy, Peixe e Fu da Mineira não
voltaram à prisão depois de semiaberto.
Um traço une alguns dos criminosos
mais procurados do Rio. Homens como Playboy, Peixe e Fu da Mineira – cujas
recompensas no Disque Denúncia valem R$ 50 mil, R$ 20 mil e R$ 5 mil,
respectivamente, de acordo com informações do site Procurados.org.br –
escaparam da prisão logo após receber o benefício da progressão de pena e
entrar no regime semiaberto.
Dos 16 criminosos que tem
recompensas mais valiosas do Disque Denúncia e são citados no portal, 50% são
considerados procurados, ou seja, não foram presos ou condenados. Os outros 50%
cumpriam pena em algum presídio do Rio ou nacional e fugiram depois de ganhar o
direito a sair da cadeia para trabalhar ou visitar família.
Aos 43 anos, o traficante Ricardo
Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira cumpria pena num presídio de segurança
máxima em Rondônia, quando recebeu o benefício e o direito de visitar a família
por sete dias, em agosto de 2013. Nunca mais retornou à cadeia.
Fu da Mineira foi apontado pelo
secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, como responsável
pela guerra do tráfico iniciada no último fim de semana, nos Morros do Fallet e
da Coroa, no Catumbi, no Centro do Rio. Os confrontos entre os suspeitos e com
a polícia já somam oito mortos nessas comunidades desde sábado (9).
“É um homem, que se não me falha a
memória, tem 90 anos de condenação, conseguiu um recurso para sair, para ir
para casa, para visita. Se eu tivesse 90 anos de condenação, com a idade dele,
também não voltaria. Acho que isso é um contrassenso. No mínimo, é uma falta de
sensibilidade. E agora está ocasionando essa guerra no Rio de Janeiro e a
polícia tem de fazer esse trabalho [para prendê-lo] novamente”, reclamou
Beltrame, na terça-feira (12).
Considerado como o traficante mais
perigoso da atualidade, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy – cuja recompensa por
informações por sua captura de R$ 50 mil, é a mais alta do Rio – também se
tornou foragido ao receber o mesmo benefício que Fu da Mineira, do mesmo
presídio e na mesma ocasião. Playboy chefia o tráfico nas favelas de Costa
Barros, no Subúrbio.
Já o traficante Rafael Alves, o
Peixe, chefe do tráfico da Vila Aliança, em Bangu, na Zona Oeste, também fugiu
após entrar no regime semiaberto em julho de 2009. O valor da recompensa por
informações que levem à captura dele é de R$ 20 mil. Pelo menos outros sete
criminosos que ilustram a página procurados.org.br estão na mesma situação: não
retornaram após conquistar o direito ao regime semiaberto.
Também fugiram após a progressão
para o regime semiaberto o traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o
Marcelo Piloto, das favelas Mandela I, II e III, de Manguinhos, no Subúrbio.
Preso em março de 1998, fugiu seis dias depois de receber o benefício em agosto
de 2007. No site, o valor da recompensa
por sua captura é de R$ 10 mil. Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da
Mineira, também é foragido do presídio de Porto Velho, em Rondônia. Ele entrou
no regime semiaberto e ganhou sete dias para visitar a família. Saiu em agosto
de 2013 e não foi mais encontrado. As informações sobre ele valem R$ 5 mil.
Traficante de São Gonçalo, na
Região Metropolitana, Schumaker Antonácio do Rosário não perdeu tempo após receber
o benefício em outubro de 2013. Sete dias depois de entrar no regime semiaberto
não foi mais encontrado. Walace de Brito Trindade, o Lacosta, traficante da
Serrinha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, também é considerado "evadido
do sistema" desde setembro de 2007. As informações sobre o paradeiros
deles também vale R$ 5 mil.
Entre os procurados está também o
traficante Jorge Ribeiro, o Zidane ou Bodinho, como é conhecido, da Favela Nova
Holanda, no Conjunto de Favelas da Maré, foi preso em setembro de 1997, entrou no regime semiaberto em novembro
de 2001, quando fugiu. O criminoso foi recapturado em agosto de 2003 e fugiu
novamente - desta vez sem progressão de pena - em maio de 2007.
Alívio no sistema penitenciário
A sensação de impunidade é grande
e, segundo o antropólogo e consultor de segurança Paulo Storani, faz com que o
cidadão comum exija cada vez mais rigor das leis e punições. No entanto, ele
destaca a falta de condições do sistema penal brasileiro.
“A decisão dos juízes, a despeito
da periculosidade dos presos, não é ilegal. Em alguns casos pode ser
inadequada. Mas essa é uma tendência que se verifica, de se conceder a
progressão do regime, muito em função da superlotação dos presídios. Ou seja,
são medidas legais que visam aliviar o sistema penitenciário”, disse o
consultor de segurança.
Storani acrescenta que as leis de
execução penal foram elaboradas levando em consideração a ressocialização e
conscientização do preso. Mas que por falta de investimento por parte do
governo e do agravamento da falta de condição dos presídios, os presos
geralmente não são reintegrados à sociedade.
Por isso, na opinião de Storani,
são comuns a fuga e a reincidência em crimes de presos que receberam o
benefício da progressão para o regime semiaberto, quando o preso pode sair da
cadeia para trabalhar fora ou visitar a família.

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