Pelo menos uma moradora está
soterrada na Ladeira da Montanha.
Pelo oito casarões antigos foram
atingidos pela terra que deslizou na Ladeira da Montanha, no Centro Histórico
de Salvador, na manhã desta quarta-feira (20). A situação aconteceu por volta
das 7h e uma moradora de cerca de 50 anos está soterrada, segundo informou o
Corpo de Bombeiros e a polícia. "Está muito difícil. Tem muita terra.
Estamos tentando retirar a terra para chegar até ela", disse o Major
Correjosa, do Corpo dos Bombeiros. Outros moradores conseguiram se salvar a
tempo do desmoronamento dos imóveis.
Edson de Souza, que mora na casa
ao lado, disse que, na hora do desabamento, começou a avisar aos vizinhos, mas
que a moradora tinha entrado no banho e não conseguiu sair a tempo. Na casa,
estavam a mulher e mais três filhos dela. Familiares, como a mãe da moradora,
acompanham o resgate no local, porém não querem falar com a imprensa.
"Quando houve o barulho, uma
parede do banheiro caiu. Os filhos saíram correndo para tentar sair. Uma das
filhas estava no banheiro e a mãe voltou para socorrer a filha, quando outra
parede caiu. A filha conseguiu se salvar e a mãe foi atingida. Ela [filha] está
chorando muito, desconsolada", afirmou a amiga da filha de 25 anos, Anita
Santos.
De acordo com a Defesa Civil
(Codesal), já foram registrados 39 ocorrências nesta quarta-feira. Dentre elas,
13 deslizamentos de terra e seis desabamentos de muro.
Lagoa transborda
As chuvas foram frequentes durante
toda a madrugada e persistem na manhã desta quarta-feira. Ao menos três árvores
caíram. Uma lagoa transbordou e deixa o trânsito complicado na Avenida
Paralela.
Segundo o Instituto Nacional de
Meteorologia (Inmet), a previsão é de tempo chuvoso durante toda a
quarta-feira. A temperatura na capital deve variar entre 23ºC e 27ºC.
De acordo com o metereologista
Heráclio Alves, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a
chuva que atinge Salvador é provocada por frente fria que saiu do sul do país e
que passa pelo litoral do sudeste em direção ao oceano, intensificando ventos e
trazendo umidade para o recôncavo baiano e o litoral sul do estado.
A Secretaria de Promoção Social,
Esporte e Combate à Pobreza (Semps) diz que cadastrou 1.424 pessoas para
recebimento de assistência, após as perdas enfrentadas com as chuvas das
últimas semanas. De acordo com a prefeitura, as pessoas cadastradas têm acesso
a benefícios financeiros como o auxílio emergência, que atendeu 195 cidadãos
concedendo valor de até três salários mínimos; e o Aluguel Social, que foi entregue
a 1.229 desabrigados no valor de R$ 300.
20 mortes em três semanas
Vinte mortes já foram registradas
em Salvador após três semanas de intensas chuvas. Quatro regiões da capital
concentram as tragédias: Barro Branco, no bairro de San Martin; Marotinho, em
Bom Juá; região da Nilo Peçanha, na
Liberdade; e Ladeira da Preguiça, ligação entre o Comércio e a Cidade Alta.
No dia 28 de abril, 11 vítimas
morreram soterradas na região de Barro Branco, no bairro de San Martin. No
mesmo dia, outras quatro pessoas também foram resgatadas sem vida debaixo da
terra que deslizou na região do Marotinho, no bairro de Bom Juá.
Quase duas semanas depois, no dia
10 de maio, uma nova tragédia causou quatro mortes na região da Rua Nilo
Peçanha, no bairro da Liberdade. Um deslizamento de terra provocou as mortes de
um idoso de 64 anos e outras três pessoas da mesma família: mulher, irmão e
filho.
Sem dar tréguas, com as chuvas, um
casarão desabou na Ladeira da Preguiça, ligação entre as Cidades Baixa e Alta,
na manhã de segunda (11). Uma das paredes do imóvel caiu sobre duas casas. Em
uma delas, dois irmãos dormiam - um deles sofreu ferimentos leves e sobreviveu;
outro ficou debaixo dos escombros e morreu após parada cardiorrespiratória.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!