11/19/2014

Famílias deixam condomínio invadido em Guadalupe, no Rio

Justiça determinou reintegração de posse de conjunto habitacional.
Até as 9h30, a desocupação ocorria de forma pacífica.
A reintegração de posse do conjunto habitacional do "Minha Casa, Minha Vida", o Residencial Guadalupe, no Subúrbio do Rio, começou por volta das 9h desta quarta-feira (19). O local foi invadido no dia 9 de novembro. Policiais do 41° BPM (Irajá) auxiliaram os oficiais de Justiça durante a notificação de cumprimento de ordem judicial e o Comando de Operações Especiais (COE) dava suporte no entorno do local.
"Desde o início, o comandante do 41º BPM vem conversando com os moradores. A ação começou e permanece tranquila. Temos um caminhão ajudando a retirar os pertences dos moradores. A maior parte do efetivo policial está concentrada no entorno do conjunto habitacional e a menor parte entrou para ajudar o oficial de justiça”, disse o coronel Cláudio Costa, Relações Públicas da PM.
Às 9h10, algumas famílias já deixavam o local sem resistência. Os moradores que começaram a deixar o conjunto habitacional falaram que a situação era tranquila no local.
Juarez Ferreira, de 58 anos, contou que trabalhava como vigia e foi demitido quando invadiu o prédio. “Não tenho para onde ir, vou ficar na rua mesmo. Soube por vizinhos que tinha apartamento aqui e entreguei a minha casa. Arrisquei, achei que era uma coisa e foi outra”, lamentou Ferreira, que é pai de quatro filhos.
Por volta das 10h15, cem pessoas que estavam deixando os imóveis do conjunto habitacional reclamaram que nenhum tipo de assistência estava sendo dada aos moradores. "A gente quer o Conselho Tutelar, psicólogos, algum tipo de amparo. Quero saber das autoridades o que vai ser da gente. Não estamos tendo nenhum tipo de amparo", afirmou Davison Leandro, motorista de caminhão que está desempregado. A prefeitura informou ao G1 que há equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social acompanhando a reintegração.
Como mostrou o Bom Dia Rio, o efetivo empenhado não foi divulgado por questões estratégicas. Por volta das 6h45, policiais ocupavam uma área de mata nas proximidades do condomínio.
Às 6h55, agentes da Cet-Rio interditaram algumas ruas ao redor do conjunto habitacional. Com o fechamento da Rua Fernando Lobo, entre a Rua Pedra Rasa e a Estrada do Camboatá, o trânsito era desviado para a Estrada do Camboatá. Segundo o Centro de Operações, havia retenção na região. Um blindado da Polícia Militar estava na região para auxiliar os trabalhos.
Alunos sem aulas
Cerca de 2820 alunos da rede municipal ficaram sem aulas durante a manhã desta quarta em Guadalupe. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as aulas foram afetadas em quatro escolas, uma creche e um Espaço de Desenvolvimento Infantil.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que, até as 10h20, todas as unidades da rede estavam funcionando normalmente.
Desde o dia da invasão, imagens do Globocop mostraram um homem armado de fuzil no condomínio e um carro em chamas em um terreno que margeia a Estrada do Camboatá, que fica no entorno do conjunto invadido. Também foram vistas barricadas feitas com estruturas de concreto para evitar o trânsito de imóveis em quarteirões próximos ao empreendimento.
Reintegração de posse
O tenente-coronel Luiz Carlos, comandante do 41ºBPM (Irajá), responsável pelo policiamento da área, vêm negociando com as famílias e algumas começaram a deixar os apartamentos desde última sexta-feira (17). “Vamos fazer de tudo para proceder essa reintegração de posse da forma mais tranquila possível”, disse o coronel.
A Justiça determinou a reintegração de posse do local na quinta-feira (13). Na decisão, foi pedido o acompanhamento do Samu, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar e Secretaria de Assistência Social do município.
Na quinta-feira, após a Justiça determinar a reintegração de posse do conjunto habitacional, o comandante interino da Polícia Militar do Rio, Íbis Silva Pereira, se reuniu com executivos da Caixa Econômica Federal para discutir a desocupação. Participaram da reunião também agentes das polícias civil e federal, já que a Caixa é uma das instituições lesadas com a invasão, e da prefeitura do Rio, parceira do projeto do condomínio do "Minha Casa, Minha Vida" em questão.
Área é considerada violenta
O conjunto habitacional fica ao lado da favela Gogó da Ema, em Guadalupe. A área é considerada violenta, onde traficantes costumam instalar barricadas para dificultar as operações da polícia. Na terça-feira (11), um homem com um fuzil foi flagrado caminhando dentro do condomínio. Um grupo de moradores também abriu uma passagem no muro que divide o condomínio de um terreno onde existem vários barracos.
As famílias contempladas pelo "Minha Casa, Minha Vida", que têm renda de até três salários mínimos, receberiam as chaves em dezembro. Mas a construtora BR4, responsável pela obra, admite que deve ser estabelecido um novo prazo de entrega. Em nota, a empresa informou que as obras foram finalizadas e o condomínio está em fase de legalização.

A Secretaria de Habitação do Rio de Janeiro informa que os donos dos apartamentos receberão os imóveis. O prefeito Eduardo Paes descartou a possibilidade de cadastrar os invasores em um programa social.

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