Segundo o conselho, somente em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8
milhões
Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
informa que pessoas físicas e jurídicas investigadas na Operação Lava-Jato
fizeram movimentações consideradas atípicas no valor de R$ 23,7 bilhões entre
2011 e 2014. Só em espécie, o grupo movimentou R$ 906,8 milhões. Ao todo, o
Coaf produziu 108 relatórios com alertas sobre possíveis irregularidades nas
movimentações financeiras do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa e das empreiteiras, entre outras pessoas e
empresas acusadas de fraudes em contratos com a estatal.
Nos relatórios do Coaf aparecem os nomes de 4.322 pessoas e 4.298
empresas que, de alguma forma, participaram da movimentação da montanha de
dinheiro, parte dele de origem ilegal, vinculados a negócios da Petrobras. O
Coaf deixa claro, no entanto, que os números não são valores absolutos. Em
algumas situações nomes de pessoas e empresas são mencionados várias vezes. A
soma total envolve saques e depósitos. Mas, ainda assim, as cifras são
consideradas estratosféricas até mesmo para autoridades acostumadas a lidar com
dados expressivos.
Os relatórios do Coaf deram origem às investigações que, mais tarde,
levaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal a deflagrar a Operação
Lava-Jato em 17 de março deste ano. Na última sexta-feira, a sétima etapa da
operação, batizada de Juízo Final, resultou na prisão de 24 pessoas, entre elas
dirigentes das maiores empreiteiras do país e do ex-diretor de Serviços da
Petrobras Renato Duque. A decisão já está sendo considerada um marco histórico.
É a primeira vez que dirigentes de empreiteiras acusados de corrupção são
presos no país.
Analistas do Coaf começaram a produzir os primeiros relatórios em 2011
quase de forma burocrática. Os alvos eram empresas que, sem aparente capacidade
técnica e operacional, passaram a fazer movimentação financeira elevada.
Naquele momento os analistas não tinham a menor ideia de que, três anos depois,
o caso ganharia dimensão nacional e se tornaria a mais explosiva investigação
criminal da história recente do país.
— A gente acha que tem alguma coisa estranha acontecendo e manda os
relatórios para PF e MP. A investigação criminal é que vai constatar se houve
ou não crime. Foi assim no mensalão. E está sendo assim agora nessa operação,
que ganhou uma dimensão enorme — disse ao GLOBO o presidente do Coaf, Antonio
Gustavo Rodrigues.
A produção dos analistas do Coaf aumentou no ritmo do trabalho da PF e
do Ministério Público. Ano passado, quando começaram as investigações formais,
foram produzidos 29 relatórios. Este ano, quando procuradores e delegados
começaram a colecionar acordos de delação premiada e confissões detalhadas
sobre fraudes na Petrobras e em outras áreas do governo federeal, o Coaf
remeteu 78 relatórios ao procurador da República Deltan Delagnol e ao delegado
Márcio Anselmo.
DELAÇÕES DEVEM AMPLIAR INQUÉRITO
As análises do Coaf teriam começado a partir de empresas controladas
por Alberto Youssef. O doleiro já tinha sido alvo de investigação no caso
Banestado. Os analistas não imaginavam que, depois de preso e condenado, o
doleiro teria fôlego financeiro para retomar e até ampliar os negócios ilegais.
No decorrer da análise, acabaram se deparando com as movimentações de grandes
empreiteiras vinculadas a empresas de fachada do doleiro. O emaranhado de
transações ainda está sendo destrinchado.
As investigações podem ser ampliadas também à medida que novas
informações surgem no âmbito dos inquéritos em tramitação na 13ª Vara Federal,
em Curitiba. Os primeiros inquéritos foram abertos e, a partir deles, a
força-tarefa do Ministério Publico pediu e obteve a instauração de 10
processos. Mas outros inquéritos e processos devem ser abertos a partir das revelações
de Paulo Roberto Costa, Youssef e do executivo Paulo Camargo, da Toyo Setal,
entre outros que decidiram fazer acordo de delação premiada.
Fonte: G1

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!