Músicos Lobão e Roger e o apresentador Danilo Gentili
disparam contra decreto federal
Vários artistas, celebridades e pensadores brasileiros,
engajados em causas políticas e sociais, se mobilizaram e abraçaram a ideia de
derrubar o decreto federal que cria conselhos populares para ajudar o Executivo
a tomar decisões relevantes para o País.
Os músicos Lobão e Roger, vocalista da banda Ultraje a
Rigor, e o apresentador Danilo Gentili usaram as redes sociais para criticar o
decreto federal 8.243/14, que trata da Política Nacional de Participação
Social, um sistema de interação popular associado ao governo federal.
Os três acompanharam a votação da urgência do projeto que suspende o decreto que
institui os conselhos populares. Em sua conta oficial no Twitter, Lobão
compartilhou a mensagem postada pelo ex-deputado estadual Romeu Tuma Jr., autor
do livro Assassinato de Reputações, que critica o governo do ex-presidente
Lula.
— Acabou a Festa, é bom acabar com a Farra! Cobrança total e
diuturna aos políticos e aos candidatos sobre a anulação do Decreto 8.243/14!
O apresentador Danilo Gentili também disparou contra o
decreto que cria os conselhos populares. Ele retuitou uma mensagem que dizia:
“E SEM DITADURA BOLIVARIANA! RT @PrisciIlIa: 294 votam CONTRA o decreto
bolivariano d BANDO. Vão se lascar seus bandidos. O Brasil é NOSSO.”
(sic)
O vocalista da banda Ultraje a Rigor, Roger, também postou
diversas imagens e mensagens contrárias aos conselhos consultivos. Um dos
textos retuitados por Roger, no dia da votação da urgência da votação da suspensão
do decreto, dizia: “VAMOS LÁ GENTE!!! Vamos continuar pressionando,ligando p
0800-619-619! Não podemos baixar a guarda! #TodosContraDec8243 (sic)”.
Outro crítico do projeto de criação de conselhos populares é
o filósofo e colunista do jornal Folha de S.Paulo Luiz Felipe Pondé. Ele
classificou a criação de conselhos populares como um “golpe totalitário
indireto”. Em entrevista à TV Cultura, na semana passada, Pondé explicou que
“esse tipo de prática que é bem ao gosto da sensibilidade bolivariana, que destruiu
a Venezuela e Cuba, entre outros países”.
— Esses conselhos populares são, na realidade, uma espécie
de aparelhamento do Estado indireto, por grupos militantes. O povo passa o
tempo cuidando da própria vida, o que é normal: trabalhando, pagando conta,
levando o filho para a escola. [...] As pessoas que se ocupam com esses
conselhos populares são pessoas que representam um aparelhamento da vida
democrática. É uma espécie de golpe totalitário indireto em que você vai ter
uma gama de militantes profissionais, que não fazem nada da vida, além disso,
cercando os órgãos legislativos do País para fazer com que, supostamente
representando a população, eles vão transformando o País naquilo que eles
querem.
Vale lembrar que, em junho, Lobão e Danilo Gentili foram
alvo — ao lado de outros comunicadores como Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor,
Diogo Mainardi e Marcelo Madureira — de um artigo do vice-presidente nacional
do PT, Alberto Cantalice.
Segundo Cantalice, as “pregações” desses comunicadores “nas
páginas dos veículos conservadores estimulam setores reacionários e
exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada
vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes”.

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