O religioso diz ter alertado o líder para casos na Austrália
O papa Bento 16 teria sido pessoalmente advertido sobre um
caso de abuso sexual de menores em uma escola católica de Toowoomba, no
nordeste da Austrália, mas teria ignorado as convocações do bispo da diocese,
Bill Morris, para estender o seu mandato e deixá-lo lidar com a situação.
A afirmação foi feita pelo próprio Morris em seu
recém-publicado livro "Benedict, Me and the Cardinals Three" (Bento,
eu e três cardeais, em tradução livre).
O bispo conta que escreveu ao papa Bento 16 pedindo uma
prorrogação de seu mandato para promover uma mediação em um caso de abuso
sexual em uma das escolas locais, mas o pontífice rejeitou o seu pedido.
O bispo Morris, conhecido e muito popular entre seus
seguidores por suas ideias progressistas, havia sido deposto pelo papa Bento 16
em maio de 2011, em um caso amplamente coberto pela mídia, por sua posição
progressista a favor do sacerdócio feminino e por suas críticas contra os
abusos no clero.
O bispo sustentava, entre outros, que o hábito de sigilo do
Vaticano havia criado condições para que os abusos fossem propagados. A
correspondência entre Morris e o Vaticano mostra, de acordo com o livro, uma
ignorância do impacto dos abusos sexuais no clero da Austrália.
"Não houve profundidade na compreensão dos efeitos
devastadores que os abusos sexuais no clero havia sobre as famílias e a
comunidade em toda a Austrália", escreve Morris.
O bispo afirma que tentou explicar "como os abusos
denigrem a psique de uma comunidade, com o efeito debilitante sobre alguns
indivíduos ao ponto de não confiarem mais na Igreja e em seus ministros",
mas os alto funcionários do Vaticano "não queriam saber".
A resposta, de um cardeal de alto escalão, foi que "nem
todos os padres são assim" e que as vítimas "deveria seguir com suas
vidas".

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