Representações
brasileiras nos EUA e na Europa serão afetadas pela paralisação
Funcionários
de 13 representações diplomáticas brasileiras no exterior anunciaram a
realização de uma paralisação de 48 horas a partir desta terça-feira (13) para
exigir reajustes salariais e maiores garantias trabalhistas, entre outras
reivindicações.
Serão
afetados os consulados de Nova York, Atlanta, Los Angeles, Hartford, São
Francisco e Houston, nos Estados Unidos; os consulados de Londres, Montreal,
Frankfurt e Bruxelas; o consulado e a embaixada em Paris, e a embaixada em
Berna.
O movimento
é organizado pela Associação dos Funcionários Locais do Ministério das Relações
Exteriores no Mundo (Aflex), organização que não inclui servidores de carreira
que também atuam nas missões brasileiras no exterior, como diplomatas e
oficiais de chancelaria.
Segundo a
presidente da Aflex, Claudia Rajecki, os funcionários querem negociar um
aumento de salário que acompanhe a inflação. A associação defende que se priorizem
os casos de salários congelados há mais de três anos ou de funcionários com
ganhos aquém das funções exercidas.
A associação
quer ainda a aprovação do Projeto de Lei 246/2013, em tramitação no Congresso,
que garante benefícios trabalhistas (como 13º salário, férias com adicional de
um terço e licenças maternidade e paternidade) a funcionários contratados por
missões brasileiras no exterior.
'Vamos
aguardar que algum representante do governo entre em contato conosco', disse
Rajecki à BBC Brasil.
Segundo a
Aflex, caso o Itamaraty não negocie, os funcionários vão interromper os
serviços por tempo indeterminado, o que poderia afetar a emissão de vistos de
turistas que virão para a Copa do Mundo, no mês que vem.
'Queremos
negociar. Ninguém quer ficar em casa', afirma a presidente da Aflex, que é
funcionária do Consulado-Geral do Brasil em Atlanta.
Outro ponto
defendido pelos funcionários é o 'direito à liberdade de expressão, à liberdade
política, à livre representação de classe e o cessamento imediato de
perseguições, assédios e ameaças de demissão aos dirigentes da Aflex'.
Segundo
Rajecki, membros da Aflex vêm sofrendo ameaças, e funcionários de outros
consulados nos Estados Unidos não vão aderir ao movimento por medo de
represálias ou demissões.
As
representações diplomáticas brasileiras nos Estados Unidos têm aproximadamente
340 funcionários locais, responsáveis por atividades como emissão de vistos e
passaportes, disse ela.
'Limbo
jurídico'
Em Nova
York, o consulado brasileiro tem 55 funcionários locais. Desses, 28 trabalham
no setor consular e atendem a uma média de 350 a 400 pessoas por dia.
No ano
passado, o consulado em Nova York emitiu 81.767 vistos brasileiros para
estrangeiros e 14.013 passaportes brasileiros. Só na semana passada, o
consulado disse ter emitido 2.504 vistos, dos quais 692 eram específicos para a
Copa do Mundo.
Os
organizadores do movimento reclamam que os funcionários locais do consulado de
Nova York estão há cinco anos sem aumento de salário ou reajuste.
Afirmam
ainda que esses funcionários vivem em um 'limbo jurídico', já que não são
regidos pelas leis trabalhistas brasileiras nem reconhecidos legalmente pelos
Estados Unidos. De acordo com a Aflex, os Estados Unidos dizem não ter autonomia
jurídica para legislar sobre esses funcionários, já que são pagos e contratados
pelo governo brasileiro.
Os
organizadores reclamam também do que consideram discrepâncias entre os salários
de funcionários com mesma função e categoria nos três escritórios do Ministério
de Relações Exteriores em Nova York - o consulado, o escritório financeiro e a
missão do Brasil na ONU.
Citam como
exemplo o piso salarial para auxiliar administrativo, de US$ 2.750 (R$ 6.100)
no consulado e US$ 3.500 (R$ 7.770) no escritório financeiro.
'Os
critérios são completamente subjetivos', diz Rajecki.
Outra
discrepância citada pela Aflex é em relação às férias. Enquanto no escritório
financeiro e na missão os funcionários locais têm direito a 30 dias de férias
desde o primeiro ano de trabalho, no consulado só podem ter um mês de férias a
partir do terceiro ano.
'Não
queríamos paralisar, mas a situação chegou ao limite', diz Rajecki. 'Nós
estamos abandonados pelo nosso governo'.
Atendimentos
emergenciais
O consulado
em Nova York diz que permanecerá aberto durante a greve, com prioridade para
atendimentos emergenciais. Os demais serviços serão mantidos na medida do
possível.
Em nota, o
Itamaraty afirmou que os contratos dos funcionários locais são regidos pela lei
do país onde estão instalados, como determinam a Lei 11.440/06 e o Decreto
1.570/95.
'Os salários
seguem a legislação e as condições de mercado locais... Tendo em conta que os
países têm legislações específicas e condições de mercado diferentes, o
ministério entende que não há como fazer uma negociação global de salário com a
Aflex'.
Segundo o
Itamaraty, não haverá interrupção no expediente e no atendimento ao público nas
repartições diplomáticas e consulares.
'Os postos
afetados pela greve tomarão as medidas cabíveis de acordo com a legislação
local para garantir o funcionamento do atendimento ao público'.
Caso
necessário, diz o órgão, funcionários de outros setores serão deslocados para o
atendimento ao público.

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