Entre os desenhos estão lata de sopa Campbell's e retrato de Debbie Harry.
A
lata de sopa Campbell ou o rosto de Marilyn Monroe, que inspiraram as obras
mais famosas de pintor Andy Warhol, ganharam nova forma em uma dúzia de
desenhos e fotografias que o artista criou há quase 30 anos em um computador e
que até hoje permaneciam inéditos, escondidos em antigos disquetes.
O
museu Andy Warhol, situado na cidade natal do artista, Pittsburgh (Pensilvânia,
EUA), revelou nesta quinta-feira (24) uma série de trabalhos que a maior figura
do movimento de Pop Art desenhou em 1985 em um computador Commodore Amiga 1000,
e que não tinham sido reveladas antes devido à dificuldade de ler o conteúdo
dos disquetes.
Durante
o ano passado, membros da equipe de informática da Universidade Carnegie Mellon
(CMU) realizaram um complexo projeto para recuperar as imagens, armazenadas em
um formato obsoleto de disquetes que faziam parte dos arquivos da Coleção
Warhol desde 1994.
Entre
os resultados está a imagem de uma Vênus com três olhos, uma lata de Campbell
traçada com o programa do computador e um retrato de Debbie Harry, a vocalista
do grupo musical Blondie, este último já conhecido, tendo sido a base de uma
obra publicada pelo artista.
Warhol
produziu essas obras depois de assinar um contrato com Commodore International.
A empresa pagou para ele mostrar a capacidade de seu computador para as artes
gráficas, conforme informou o museu Andy Warhol em comunicado.
As
imagens devolvem ao espectador o "amanhecer da era da informática
acessível nos lares", em que Warhol e outros "exploravam as
tecnologias tão onipresentes hoje", conforme explicou o arquivista chefe
do Museu Andy Warhol, Matt Wrbican.
"Nas
imagens, vemos um artista maduro que tinha passado 50 anos desenvolvendo uma
coordenação específica entre o olho e a mão, e que de repente lida com a estranha
nova sensação de ter um mouse em sua mão, a alguns centímetros da tela. Sem
dúvida, tinha que resistir à tentação de tocar a tela", acrescentou.
O
projeto de recuperação dos arquivos começou em 2011, quando Cory Arcangel, um
fã da obra de Warhol, descobriu um vídeo no YouTube no qual o artista utilizava
o computador Amiga 1000 para desenhar o retrato de Debbie Harry.
Arcangel
entrou em contato com Tina Kukielski, do Carnegie Museum of Art, que, em
parceria com o Museu Andy Warhol, recorreu à equipe de informática da CMU,
conhecida por ser especializada em recuperar arquivos armazenados em formatos
antigos e que começou a examinar os disquetes em março de 2013.
O
resultado faz parte do projeto "A fotografia invisível" do Carnegie
Museum of Art de Pittsburgh, que pesquisa o mundo da fotografia através de
imagens escondidas, inacessíveis e de difícil acesso.
Fonte: G1

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