Maioria dos rios brasileiros tem baixa qualidade, aponta estudo | Rio das Ostras Jornal

Maioria dos rios brasileiros tem baixa qualidade, aponta estudo

Foram analisados 96 cursos d'água de 7 estados do Sul e Sudeste.
Fonte principal de poluição é o despejo de esgoto doméstico.

Estudo divulgado nesta quarta-feira (19) pela organização SOS Mata Atlântica analisou a qualidade da água de 96 rios, córregos e lagos de 7 estados das regiões Sul e Sudeste e aponta que 40% desses cursos d’água foram classificados como ruins e péssimos.
Apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade – todos eles localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas.

As principais fontes de poluição e contaminação, segundo a ONG, são decorrentes da falta de tratamento de esgoto doméstico, produtos químicos lançados nas redes públicas e da poluição proveniente do lixo.

Em São Paulo, foram feitas 34 coletas em rios das 32 subprefeituras da cidade. O levantamento apontou que em fevereiro deste ano 23,53% dos rios tinham qualidade péssima, 58,82% estavam com qualidade ruim e 17,65% tinham qualidade regular. Nenhum rio teve índice bom ou ótimo.

A qualidade do Lago do Ibirapuera foi classificada como ruim, assim como a água da represa Billings, na região de Cidade Ademar. Outros nove cursos d’água, como o Rio Tamanduateí, no trecho da Sé, o Riacho Podre e o Córrego do Oratório, na Vila Prudente, tinham qualidade péssima.

No Rio de Janeiro, foram analisados 15 pontos de coleta também em fevereiro e 100% das amostras eram ruins e regulares. A água dos canais do Jockey, no Jardim Botânico, e do Mangue, na Vila Isabel, do Rio Comprido, no bairro de mesmo nome, e do Rio Joana, na Vila Isabel, foi classificada como de qualidade ruim.

Os córregos e rios da capital fluminense desaguam diretamente no mar. Em alguns casos, a água passa por um tratamento prévio antes de se encaminharem para emissários submarinos, que também lançam os efluentes no oceano, mas longe da costa.

“Os dados têm o principal objetivo de alertar para que coloquemos a água numa agenda estratégica para a sociedade e para os governantes. Para que o assunto vire pauta das eleições para criação de políticas públicas”, disse Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Evolução na preservação

O estudo fez uma comparação entre 2010 e 2014 de 88 pontos em 34 cidades de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o relatório, o número de rios de qualidade péssima caiu de 15 para 7 no período; cursos d’água classificados como bom eram 5 e agora são 15; pontos analisados que tinham classificação regular caíram de 50 para 37.

No entanto, a quantidade de rios de qualidade ruim subiu de 18 para 29. “Não é que aumentou o ruim. Tivemos a diminuição da quantidade de classificações péssima", disse Gustavo Veronesi, um dos organizadores do levantamento.
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