| Sarau da Cooperifa (Coperativa Cultural da Periferia), idealizado por Sérgio Vaz, é um dos pólos de encontros artístico culturais nas periferias paulistanas. |
Também estão surgindo autores vindos do interior, saindo um pouco do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, bem como de outras regiões do país.
O Brasil está assistindo, nos últimos anos, a um movimento
cultural vindo da periferia, englobando literatura, música, entre outras
manifestações. “Em todas as manifestações artísticas há uma efervescência
cultural, novos interesses e talentos aparecendo”, disse hoje (9) à Agência Brasil a presidenta
do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sônia Jardim.
Sônia
ressaltou, porém, a importância de se ter um padrão de qualidade no que se
refere à literatura marginal, ou de periferia, “como em toda manifestação
cultural”, para que ela saia desse nicho e possa atingir o mercado como um
todo. Segundo Sônia, as editoras estão atentas à voz da periferia. “Se essa voz
é restrita só aos seus vizinhos ou se ela pode atingir outro público”.
Não
há preconceito das editoras em relação à literatura marginal,
afiançou. “Ela está crescendo e a gente tem visto um ou outro
talento despontando. Acho que pode vir a ser uma nova linha”. Sônia Jardim
observou que estão surgindo também autores vindos do interior, saindo um pouco
do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, bem como de outras regiões do país, o que é
muito positivo.
Um
dos escritores que falam da periferia paulista, Sérgio Vaz, disse hoje à Agência Brasil que esse é
um movimento que tende a crescer. “Porque não é um movimento de escritores. É
um movimento para formar leitores, aquilo que as pessoas esqueceram de fazer:
fomentar a literatura entre as pessoas. E essa literatura dialoga diretamente
com as pessoas da periferia, nas praças, nos bares, nas escolas. Está trazendo
mais gente, cada vez mais”.
A
aceitação e a abrangência da literatura de periferia ocorrem, segundo Sérgio
Vaz, devido não só à identificação com o leitor, mas porque os escritores vivem
o dia a dia da comunidade. “É um cara que é possível você encontrar na feira,
no campo batendo uma pelada. A gente está escrevendo a nossa
realidade”, disse.
Com
cinco livros editados de forma independente e vendidos de porta em porta,
Sérgio Vaz integra agora o rol de escritores da Global Editora, onde já
publicou dois livros e está prestes a lançar o terceiro, ainda este ano.
“Depois de 25 anos de carreira, que completo este ano, acho que demorou até
demais”, brincou. Ele aconselha os jovens da periferia a perseguirem o sonho de
se tornar escritores. Mas, acima de tudo, que estudem. “Eu demorei tanto porque
não estudei. Não sou exemplo para ninguém”.
Embora
reitere que sempre se deve acreditar no sonho e lutar por ele, é a escola a
prioridade dos autores da periferia. “Eu acho hoje que o melhor lugar para se
passar a infância e a adolescência ainda é a escola. Ainda que os governos não
nos queiram educar, a educação é uma coisa a ser respeitada e ser seguida.
Porque acho que eu escrevo a palavra da rua, mas eu adoraria conhecer a norma
culta. A língua portuguesa é uma coisa maravilhosa. É mágica. Tem sabores e
saberes. Todos nós temos o direito e o dever de aprender a norma culta e a
dialetar do jeito que a gente quer”.
Fonte: Agência Brasil
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