Amarildo foi levado por Policiais Militares para uma averiguação no mínimo estranha no dia 14 de julho. Desde então Amarildo nunca mais foi visto.
A Justiça determinou que o governo do estado do Rio pague à
família do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, 47 anos, desaparecido desde
o dia 14 de julho, uma pensão mensal no valor de um salário mínimo e
tratamento psicológico para nove pessoas da família da vítima, no valor de R$
300, por sessão.
Na decisão, o juiz da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça
do Rio, desembargador Lindolpho Marinho, diz que a medida deve ser cumprida
dentro de um prazo de cinco dias, a contar da data da notificação ao governo.
Serão beneficiados com o tratamento psicológico a mulher de Amarildo, seis
filhos, uma irmã e uma sobrinha.
O
magistrado, em sua decisão, fala da família humilde, pobre, morando em uma casa
de apenas um cômodo na Favela da Rocinha, de futuro incerto e sem esperança de
dias melhores. O chefe da família é levado pela Polícia Militar para a Unidade
de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade e simplesmente desaparece sem que
quem tinha o dever de custodiá-lo, saiba do seu paradeiro. "Aparelhos de
vigília e localização, coincidentemente, naquele dia e hora, deixam de
funcionar. Tudo isso leva a crer fielmente que a família necessita de
ajuda", diz o desembargador.
Em
outro trecho do seu despacho, Marinho diz que é inequívoco que Amarildo foi
levado pela Polícia Militar. "É inequívoco que Amarildo não mais retornou
ao seu domicílio. É inequívoco que Amarildo não mais foi visto no lugar. É
inequívoco que os aparelhos eletrônicos de segurança, coincidentemente não
funcionavam no dia. É inequívoco que acontecimento deste jaez [tipo] já
perpassaram pelo comportamento da autoridade policial militar. É inequívoco que
sua família passa por privações materiais e imateriais. Assim, nada mais justo
que a pretensão requerida seja deferida e sejam antecipados os efeitos de
tutela pretendida, para viabilizar a família do desaparecido uma vivência senão
confortável, menos desprovida e menos sofrida", avaliou.
O
advogado João Tancredo, que defende a família de Amarildo, disse que da medida
cabe recurso, mas que "o Estado deve ter a decência de não recorrer do
caso".
Fonte: Agência Brasil

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