A partir do próximo ano ficam proibidos os lixões no país e todas as prefeituras terão de dar um fim adequado aos resíduos, por meio de centros de tratamento e da coleta seletiva.
A implantação de coleta de lixo seletiva nos municípios e a
negociação das prefeituras diretamente com as cooperativas de catadores fazem
parte das prioridades que estão sendo debatidas na 1ª
Conferência Livre de Meio Ambiente de Catadores e Catadoras de Materiais
Recicláveis do Estado do Rio de Janeiro.
Com a vigência da Lei 12.305/2010, que
institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a partir do próximo ano ficam
proibidos os lixões no país e todas as prefeituras terão de dar um fim adequado
aos resíduos, por meio de centros de tratamento e da coleta seletiva.
A
coordenadora do Movimento Nacional dos Catadores no município do Rio, Claudete
Costa, reivindica que os resíduos sejam destinados às cooperativas em vez de
serem enviados às empresas de reciclagem. “O nosso principal objetivo é a
implantação da coleta seletiva com a inclusão dos catadores. Ainda não ocorreu
de fato a coleta com apoio do catador, que não está sendo o protagonista nesse
processo. Já somos reconhecidos como profissão, mas nossa maior luta é que as
prefeituras contratem as cooperativas como prestadoras de serviço”, disse
Claudete.
Ela
destacou que ainda é muito pequeno o percentual de coleta seletiva nas cidades,
em torno de 5%, o que gera muito desperdício. “Por não termos coleta seletiva,
no momento em que se mistura material reciclável com resíduo estamos jogando
fora matéria-prima que daria para gerar trabalho e renda às famílias”, disse.
Segundo Claudete, um catador consegue ganhar cerca de R$ 1,3 mil por mês por
meio da reciclagem.
O
coordenador do projeto Catadores em Rede Solidária, Dione Manetti, disse que o
objetivo é fortalecer a organização social e econômica dos catadores, para que
possam organizar melhor o processo produtivo. “O grande desafio hoje no país é
eles estarem organizados do ponto de vista da produção e da economia, a fim de
enfrentar essa nova realidade estabelecida pela Lei Nacional de Resíduos
Sólidos, que transformou a cadeia da reciclagem não só em uma questão ambiental,
mas também econômica”, disse Manetti, que trabalha para o Centro de Estudos
Socioambientais Pangea.
Segundo
ele, a lei estabelece um conjunto de novas obrigações para as prefeituras, que
têm de acabar com todos os lixões até 2014, e para os grandes geradores, que
passam a ser responsáveis por garantir a destinação adequada de seus resíduos.
“A lei abre uma grande rede de ofertas de serviços para coleta ou ampliação de
novos negócios nas prefeituras, que têm de contratar empresas para fazer a
coleta de resíduos. Essas são as oportunidades que estão sendo ofertadas nesse
novo mercado e os catadores têm que estar preparados para responder a elas”,
frisou Manetti.
O
secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, participou da abertura da
conferência e reconheceu que o ponto fraco do processo ainda é a baixa
implementação de coleta seletiva nos municípios. “A coleta seletiva é o
calcanhar de Aquiles. A gente avançou muito mais no fim dos lixões do que na
coleta seletiva, que é responsabilidade das prefeituras. O estado do Rio deu um
grande salto no fim dos lixões. Há seis anos, 10% do lixo iam para aterro e 90%
para lixão. Hoje isso se inverteu: 90% vão para aterro e 10% para lixão. O
grande desafio é a coleta seletiva domiciliar”, disse o secretário.
Uma
iniciativa importante será a inauguração, em breve, de dois galpões de
reciclagem na região onde funcionou o Aterro Sanitário de Gramacho, fechado em junho de 2012.
Segundo Minc, serão gerados empregos para cerca de 250 catadores, que vão se
tornar recicladores, agregando valor ao material coletado. Além de receber
resíduo reciclável da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), parte da coleta
seletiva do município de Duque de Caxias poderá ser processada nos dois
galpões.
Fonte: Agência Brasil

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