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| Deputado e pastor Feliciano. (Foto: Alexandra Martins) |
Cerca de
60 pessoas participaram neste sábado em Paris, de uma manifestação contra a
nomeação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de
Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados.
''Como
todos aqui, estava indignada com essa nomeação. Vi manifestações sendo
organizadas que em várias cidades, tanto no Brasil como outros países e achei
que poderíamos fazer algo aqui em Paris também'', explica a coordenadora do
evento, Maíra Pôssas Abreu.
O
deputado e pastor Feliciano tem sido chamado de homofóbico e racista devido a
declarações dadas por ele em entrevistas, a pronunciamentos seus feitos no
plenário da Câmara e a mensagens postadas em sua conta de Twitter.
Conhecendo
apenas alguns conterrâneos na capital francesa, Maíria decidiu consultar as
redes sociais em busca de grupos de brasileiros que moram na França para sondar
qual seria o grau de interesse em um ato desse tipo.
''Percebi
que havia uma boa quantidade de pessoas que se engajariam e criei o evento no
Facebook'', relata. Após a criação do evento, ela enviou um convite online a
diversos potenciais participantes e conseguiu a confirmação de 200 pessoas.
Cartazes
e palavras de ordem
O
próximo passo foi obter uma permissão da polícia francesa, sem a qual não
poderia haver manifestação. A ideia inicial era a de reunir os participantes em
frente ao Consulado brasileiro, mas ''por motivos de segurança'', a polícia não
permitiu.
A
autorização só foi liberada para que a manifestação ocorresse em uma praça
próxima ao consulado. Alguns manifestantes até tentaram fazer fotos em frente
ao edifício da representação brasileira em Paris, mas foram impedidos pelos
policiais que estavam no local.
Manifestantes
assinaram carta aberta pedindo saída de Feliciano
Na
praça do evento, os participantes exibiram cartazes com dizeres como
''Homofobia e racismo não'' e ''Racismo não é opinião'' e gritaram palavras de
ordem, pedindo a saída do deputado Feliciano da presidência da CDHM.
A
motivação dos manifestantes era a vontade de participar da vida política do
Brasil, mesmo estando longe do país. ''Moro
aqui há oito anos, mas vou ser brasileiro para sempre e tenho que lutar pelos
direitos do meu país'', comenta Carlos Rizzetto, que trabalha na unidade
francesa de uma multinacional. ''O Brasil é tratado como uma grande fazenda e
isso tem que acabar'', complementa.
Carta
aberta
Uma
carta aberta pedindo a saída de Feliciano da presidência da CDHM foi assinada
pelos manifestantes e será entregue ao consulado brasileiro na França. A
expectativa é a de que o documento seja encaminhado para a Câmara dos
Deputados.
A
CDHM é constituída por 18 parlamentares e tem como objetivo tratar de violações
aos direitos humanos e de assuntos referentes às minorias étnicas e sociais.
Marco Feliciano foi eleito presidente da comissão por 11 votos, um a mais do
necessário, no dia 7 de março último.
Em
entrevistas, Feliciano já deu declarações dizendo que ''união homossexual não é
normal'' e que ''o reto não foi feito para ser penetrado, (porque) não haveria
condição de dar sequência à nossa raça''.
Ele
também afirmou que ''quando você estimula as pessoas a liberarem os seus
instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família,
cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade
tende a desaparecer porque ela não gera filhos''.
Fonte: BBC Brasil

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