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| As obras de Lobão se apresentam como uma significante intervenção urbana, capaz de emocionar, e ao mesmo tempo provocar reflexão sobre si e sobre o local que se habita. |
A arte chama a atenção de turistas e moradores locais.
Quem é
morador, ou turista e já passou pelas ruas da cidade de Rio das Ostras, na
região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro, deve ter visto uma novidade
estampada em alguns muros do município. São murais gigantes pintados com a
técnica da grafitagem. Assinando a arte está o nome Lobão. Natural de São
Paulo, o artista chegou à região dos Lagos, se apaixonou e fincou pé. Agora,
deixa um pouco do talento em vários locais que antes passavam despercebidos.
Muros,
fachadas de condomínios, entre outros espaços agora estão mais coloridos e chamando
atenção. O artista, antes aparentemente anônimo, agora já é conhecido
localmente. Ele conta que para toda arte que faz tem a permissão antes, pois
assim fica mais à vontade para compor seu trabalho com mais tempo e
tranquilidade. Através da produção artística ele tenta se superar e deixa
mensagem.
“Quando
pinto, a mensagem que tento passar é que para tudo tem jeito. O que parece que
está em pedaços, não é o final, pode ser revitalizado, transformado e isso se
aplica para nossa vida também. Às vezes a pessoa está um pouco para baixo e tem
um potencial gigantesco. Basta um pouquinho de arte”, disse Lobão.
A
intervenção nos muros
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| Lobão, o artista. |
“Peguei um
tema da cidade que gira em torno do Festival de Jazz e Blues. O desafio foi
exatamente o tamanho do retrato. Tinha feito alguns grandes na horizontal, mas
na vertical nunca tinha feito nada parecido”, disse.
Lobão
acredita ter mexido com as pessoas. “A fachada estava depredada, era um espaço
morto. Com o mural feito acho que conseguimos fazer as pessoas repararem o que
até então não reparavam. Se reparavam diziam: - Que coisa feia”, disse.
Para ele a
arte significa transformação. “Mudar local depredado é transformar, aplicar
isso no muro é a verdadeira transformação. Tudo a gente pode transformar, para
tudo tem um conceito”, opinou.
Como chegou
a Rio das Ostras
A
oportunidade parece ter acontecido por acaso. Lobão conta que estava pintando
na Praia de Búzios, quando passou uma pessoa do município de Rio das Ostras que
o convidou para desenvolver trabalho em escola, com adolescentes.
“Estava
fazendo um trabalho na rua quando passou Adriana Izidorio. Ela disse que sua
escola estava com problema com pichação e convidou para trocar ideias com as
crianças e fazer uma ação rápida, para mostrar a diferença da pichação e do
grafite. Fui voluntário nesse dia e assim começou a minha história aqui”,
explicou. A partir daí Lobão começou a desenvolver trabalhos em parceria com a
Secretaria de Educação do município.
“Conheci
outra pessoa chamada Nanci. Ela parece amar a arte até mais que eu, foi uma
espécie de madrinha. E como ela tinha um projeto dentro das escolas, o ‘Cuidar
e Preservar’, acabei realizando algumas intervenções. Acho que fiz sete, ou
oito escolas nesse projeto. A ideia era conscientizar as crianças e
adolescentes para não depredar o espaço público, parar de gastar com tinta,
carteira. Eles às vezes nem sabiam nem o sentido do que faziam, só reproduziam
e eu entrei junto com a arte para ajudar a conscientizar”, contou.
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| "Sempre é tempo!" está localizada próximo à praia da Tartaruga. |
“Pra mim a
região dos Lagos é especial, falo da região como um todo. Agora já comprei casa
e resolvi ficar. Se for para outros lugares, só de forma passageira, e depois
volto. Já são oito meses vindo direto a Rio das Ostras. A cultura da cidade, a
união dos artistas, tudo isso motiva muito”, revelou o artista.
De acordo
com Lobão, o lugar traz inspiração. “Foi o lugar que mais gostei, por ser
tranquilo e calmo. A capital é sempre aquela loucura, até para produzir eu não
consigo mais, nem em São
Paulo , em no próprio Rio. Recentemente passei 15 dias
pintando no Rio, mas volto”, disse.
Na barreira
do preconceito o que prevalece é o amor à arte
“Ainda
continuo o mesmo trabalho, porém as pessoas já me conhecem e conhecem a
técnica, isso ajuda um pouco o impacto que dá, o comentário das pessoas
positivo, ajuda muito”, explica Lobão.
De acordo
com o artista, o reconhecimento da sua arte ajudou as intervenções no
município. O desconhecimento, segundo conta, já gerou preconceitos por parte de
algumas pessoas em sua trajetória. “As pessoas que discriminam, que têm
preconceito, na verdade têm um pré-conceito. A partir do momento que passam a
perceber o trabalho feito com técnica, com coração e com amor, a percepção
muda. As pessoas que falam mal geralmente não conhecem, por isso nem me
aborreço”, diz.
Lobão conta
que durante uma apresentação no Interior de São Paulo, que aconteceu em
paralelo a show musical de Choro, ele foi recebido por um senhor inicialmente
de forma preconceituosa, mas que ao final esse mesmo homem teria pedido
desculpas. “Cheguei antes
da banda para organizar o material, foi quando chegou um senhor e perguntou o
que era aquilo, se tinha virado bagunça e pediu para não atrapalhar a
apresentação. Ele me olhou como um vândalo, mas rolou o show e a apresentação,
não deixei me abater. No final consegui fazer um mural em tempo recorde. Quando
acabou, esse mesmo senhor que veio jogar carga negativa, pediu desculpas e
agradeceu. Consegui mudar rápido o preconceito dele. Só dei oportunidade dele
ver e sentir o que é a arte” disse.
Para Lobão,
na barreira do preconceito o que prevalece é o amor pela arte. “Tenho amor
mesmo, sou apaixonado pelo mural, pelo que eu faço. Até quando encontro pessoas
nas ruas que falam mal de grafiteiro, dizem isso e aquilo, tem uma coisa comigo
que consigo quebrar. Às vezes as pessoas criticam, sem ter visto pelo menos”,
declarou Lobão.



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