Rebeldes tuaregues declaram norte do Mali independente | Rio das Ostras Jornal

Rebeldes tuaregues declaram norte do Mali independente

País encara instabilidade depois de golpe militar que derrubou poder central.
Junta militar pediu que cidadãos resistam aos 'invasores'.

Os rebeldes tuaregues do Mali declararam nesta sexta-feira (6) a independência da região Norte, dividindo o devastado país em duas partes e aumentando os temores de um desastre humanitário em uma região que já foi considerada uma experiência democrática de sucesso. Com Mali agora dividido em uma metade Norte controlada pelos rebeldes e uma ao Sul governada por uma junta militar golpista, a comunidade internacional se mobiliza para tentar uma solução ante o colapso deste país da região oeste africana.

Organizações humanitárias alertam sobre a iminente catástrofe humanitária, ao mesmo tempo que centenas de pessoas fogem das principais cidades do norte do país, enquanto grupos rebeldes roubam alimentos e remédios em toda a região. O Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), importante componente da rebelião tuaregue no Mali, proclamou na manhã desta sexta-feira a independência de uma região que chamam de Azawad e que ocupa todo o norte do Mali, uma área pela qual lutam há décadas.

"Proclamamos solenemente a independência do Azawad a partir deste dia", declarou o porta-voz do MNLA, Mossa Ag Attaher, ao canal de televisão France 24, confirmando uma mensagem publicada no site do grupo. Attaher prometeu que o MNLA respeitará "as fronteiras dos Estados limítrofes" e interromperá todas as ações militares. Os tuaregues controlaram todo o norte do Mali em apenas duas semanas, com a ajuda de grupos islamistas, após o golpe militar na capital, Bamaco.

O anúncio ocorre após os rebeldes tuaregues e grupos islâmicos tomarem o controle das três cidades do norte - Kidal, Gao e Timbuktu - sem nenhuma resistência por parte do Exército malinês, desorganizado e desarmado. Na França, antiga potência colonial, o ministro da Defesa, Gérard Longuet, afirmou que uma "declaração unilateral de independência não será reconhecida pelos Estados africanos não tem sentido".

Mas o controle real dos tuaregues sobre a região parece tênue, já que seus aliados islamistas anunciaram a imposição da sharia (lei islâmica) e sequestraram sete argelinos ao noroeste do país. O porta-voz condenou o sequestro do cônsul da Argélia em Gao "por um comando terrorista" e disse que um grupo de assaltantes "não identificados" levou o cônsul e seis de seus colaboradores para um destino desconhecido".

O Movimento Nacional para a Libertação da Azawad (MNLA) teve a adesão dos islamitas do Ansar Dine, liderados por Iyad Ag Ghaly, e de membros da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), que lideram as "operações militares" do grupo. Testemunhas afirmam que os reais senhores do Norte do Mali não são os tuaregues, e sim o grupo Ansar Dine.

Organizações humanitárias, como a Oxfam e World Vision, manifestaram preocupação com as severas sanções impostas ao Mali, inclusive por países vizinhos, depois do golpe militar. Estas temem o aumento da crise alimentar no caso de manutenção das sanções.
O Mali mergulhou no caos após o golpe de Estado de 22 de março contra o regime do presidente Amadou Toumani Toure, que deixaria o poder uma semana depois. A junta militar que assumiu o controle do país é liderada pelo capitão Amadou Sanogo. As tropas justificaram o golpe com a alegação de que o governo de Toure havia fracassado no confronto contra a rebelião tuaregue, mas os rebeldes aproveitaram o vácuo de poder e controlaram o norte do Mali.

A junta golpista, que orientou o Exército malinês a não resistir à ofensiva, convocou os cidadãos do Norte na quinta-feira a resistir aos "invasores". União Africana A União Africana (UA) anunciou nesta sexta que "rejeita totalmente a pretensa declaração 'de independência'" do Norte do Mali, proclamada pelos rebeldes tuaregues).

O presidente da Comissão da UA, Jean Ping, informou em um comunicado que condena "com firmeza este anúncio, que é nulo e sem qualquer valor". 
Ele também pediu à comunidade internacional apoio a esta posição de princípio da África.
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