REMENDOS
Não, eu não renasci:
Eu apenas me humilhei,
Me arrastei e implorei para ser perdoada,
Por ser essa mulher desfalcada,
Com nada além dessas lágrimas
Para lhe oferecer.
Não, eu não ressurgi:
Eu permaneci nas cinzas,
Sendo a eterna vítima do não querer.
Eu grudei-me em suas pernas,
Prometi ser sincera, fiel e leal
Ao seu jeito banal de não me perceber.
Não, eu não sou fênix,
Tampouco divina,
Musa felina que defende sua cria:
Sou covarde, como todos os males
Que herdei dos altares
Onde chorei sua partida.
Não, eu não sou nenhum anjo,
E tão menos são santos
Esses meus sentimentos:
Eu sou vaga, vazia,
Nunca fui concluída,
Porque toda minha vida
Foi feita de remendos.
(Vanessa Rodrigues)

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