Morre ex-prefeito de Macaé Carlos Emir Mussi | Rio das Ostras Jornal

Morre ex-prefeito de Macaé Carlos Emir Mussi

Última aparição pública de Carlos Emir foi no velório 
do companheiro político Nacif Salim Selem (foto: Wanderlei Gil)

Prefeitura e Câmara decretam luto pela morte de Carlos Emir
Última aparição pública de Carlos Emir foi no velório do companheiro político Nacif Salim Selem
Por Márcio Siqueira

Após lutar por cerca de sete anos contra o câncer, faleceu ontem, aos 72 anos, por volta das 11h30m, no Hospital São José da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, o ex-prefeito de Macaé, Carlos Emir Mussi. Em respeito a sua morte, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura decretaram três dias de luto oficial no município. As últimas homenagens serão realizadas hoje, a partir das 5h, horário em que o corpo do político deverá chegar ao plenário do Palácio Cláudio Moacyr de Azevedo, segundo estimaram os familiares, onde será velado. O sepultamento acontece às 17h30 no Cemitério Memorial Mirante da Igualdade.

Vítima de um câncer de próstata, Carlos Emir Mussi estava internado, desde a última quinta-feira (24), na Beneficência Portuguesa de São Paulo, sendo atendido pela equipe médica que acompanhava o seu tratamento contra a doença, antes realizado no Hospital Sírio Libanês da cidade. Acompanhado dos filhos, o suplente de vereador, Carlos Emir Mussi Júnior (PPS), Tatiana Mussi e da esposa, a ex-deputada estadual e atual coordenadora regional de Educação, Tânia Jardim Mussi, o ex-prefeito viajou a São Paulo para realizar exames em decorrência de complicações da doença.

De acordo com Carlos Emir Júnior, ele chegou a realizar um procedimento de quimioterapia em São Paulo, no último dia 21, retornando em seguida para Macaé.

"Meu pai era tratado no Sírio Libanês, mas há cerca de um mês a equipe médica que acompanhava o seu caso passou a atuar na Beneficência Portuguesa. Na quinta-feira, ele se sentiu mal e o seu quadro piorou. Foi internado no CTI e acabou falecendo por insuficiência respiratória", informou o filho.

Diagnosticado há cerca de sete anos, o câncer de próstata acabou evoluindo para quadros mais graves nas últimas semanas, desenvolvendo em Carlos Emir uma metástase hepática. De acordo com o filho, ele faleceu sedado e sem sentir dores.

"Ele lutou muito contra a doença. Também nos confortou por sempre estar disposto a viver. Lembro que, quando perguntei que homenagem gostaria de receber atualmente, ele disse não pensar nisso, porque não queria pensar em morrer", comentou Carlos Emir Júnior.

Após a finalização dos trâmites legais, o corpo do ex-prefeito, acompanhado por Carlos Emir Júnior, saiu de São Paulo por volta das 19h de ontem, em uma Van que seguiu para Macaé, com previsão de chegada às 5h. A esposa, Tânia Jardim Mussi, e a filha Tatiana voltaram ontem para o Rio de avião e retornaram para Macaé de automóvel.

De acordo com a família, o corpo será velado no plenário da Câmara de Vereadores até às 15h30, quando será encaminhado para a sede da Lyra dos Conspiradores. "Vamos atender a um pedido do meu pai feito à minha mãe", afirmou Carlos Emir Júnior.

Após as visitações, o corpo segue em cortejo, liderado por batedores da secretaria de Mobilidade Urbana, até a Imbetiba, onde passará em frente à casa onde morava e em seguida para o sepultamento marcado para às 17h30m, no Cemitério Memorial Mirante da Igualdade.

Luto na cidade

Logo após receber a notícia sobre a morte do ex-prefeito Carlos Emir Mussi, o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Antunes (PMDB), que ainda conduzia a sessão ordinária de ontem, lamentou a morte do político, solicitando um minuto de silêncio em respeito, e, em seguida, anunciou o decreto de luto de três dias na cidade, em sua homenagem.

"Macaé perdeu um grande político. Eu fui presidente da Câmara quando ele era prefeito e acompanhei grande parte dos seus projetos. O município está de luto mais uma vez", disse Paulo Antunes.
Em nota emitida no início da tarde pela assessoria de imprensa, o prefeito Riverton Mussi também anunciou o decreto de luto oficial de três dias. Ao lamentar o falecimento do primo, ele pontuou o compromisso do ex-prefeito com a sociedade macaense seja como político, seja como cidadão. Riverton também assinalou o trabalho de Carlos Emir a favor da justiça social. 

Prefeito duas vezes, enfrentou adversários fortes na gestão
 
O médico Carlos Emir Mussi iniciou sua carreira política após o macaense Claudio Moacyr de Azevedo, fundador do então Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ter sido eleito prefeito do município em 1966, convidando-o para assumir o cargo do departamento de saúde da prefeitura. Em 1970, Claudio Moacyr foi eleito deputado estadual mas o MDB não conseguiu na soma da legenda ganhar do ex-prefeito Antonio Curvelo Benjamin que conquistou o mandato pela terceira vez, de apenas dois anos, para acabar com a coincidência das eleições.

Em 1972, Carlos Emir Mussi concorreu como candidato a vice-prefeito de Alcides Ramos que também governou o município por três mandatos e em 1976, foi ele o escolhido pelo deputado e líder político Claudio Moacyr para disputar o pleito na segunda sublegenda, tendo como candidado a vice-prefeito o então ex-vereador Nacif Salim Selem, falecido no dia 30 de janeiro passado. A sua chapa obteve 6.549 votos que somados aos 5.933 de Juarez Grion Nochi, somaram 12.482 votos contra os 9.327 obtidos pelo candidato da Arena (Aliança Renovadora Nacional).

A diplomação presidida pelo juiz Gamaliel Quinto de Souza ocorreu no dia 21 de dezembro de 1976, e em 31 de janeiro de 1977, junto com 17 vereadores ele foi empossado no cargo para a gestão que deveria ter sido encerrada em 1980 mas a alteração na legislação eleitoral prorrogou os mandatos de prefeitos e vereadores por mais dois anos, até 1982. No mês de maio ele deixou o cargo e foi substituído pelo vice Nacif Salim Selem que concluiu a gestão, para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não obteve êxito e os partidos voltaram a ser formados. A legenda do PMDB, a partir de então, começou a ser disputada no município com forte influência de Anthony Garotinho e o caso acabou indo parar na Justiça e ele conseguiu comandar o partido para disputar outra vez a eleição em 1992, quando se elegeu pela segunda vez, tendo como vice o médico Carlos Augusto de Paula, o Carlão.

Empossado no cargo dia 1º de janeiro de 1993, Carlos Emir Mussi enfrentou uma grande resistência a sua administração e mudou a sede da prefeitura onde funciona a Câmara Municipal para um prédio situado na Rua Teixeira de Gouveia. Ao fazer uma viagem para o Rio de Janeiro, sofreu um grave acidente e, afastado para tratamento de saúde, foi substituído pelo vice Carlão que ficou pouco tempo no posto. Ao tomar conhecimento de que alguns vereadores e o próprio vice-prefeito estavam articulando seu afastamento definitivo, Carlos Emir Mussi acompanhado da primeira dama Tânia Jardim Mussi, no dia 7 de setembro quando se comemorava o Dia da Independência, desembarcou de um helicóptero do governo estadual que pousou no campo do Forte Marechal Hermes e, mesmo na cadeira de rodas e quase sem controle motor, acompanhado de assessores e militantes políticos, munido de um atestado médico e de oficial de justiça, reassumiu o cargo administrando o município até o final do mandato, em dezembro de 1996, quando o empresário Silvio Lopes era outra vez escolhido pelos eleitores para exercer seu segundo mandato.

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