A paciência dos moradores de Rio das Ostras com os constantes apagões chegou ao limite neste final de semana. Após novos transtornos registrados na noite de sábado, que deixaram bairros como Cidade Praiana completamente parados, o prefeito Carlos Augusto realizou uma reunião com a equipe operacional da Enel Brasil. No entanto, a postura do governo municipal vem sendo alvo de duras críticas por parte da população, que exige medidas mais severas e menos paliativas.
Embora o prefeito tenha destacado que ações preventivas,
como a poda de árvores, não podem ocorrer apenas após os problemas, o discurso
de apenas "acompanhar a situação" parece insuficiente diante do caos.
Enquanto a administração municipal orienta que os moradores registrem queixas
no Procon, diversas outras
cidades do Rio de Janeiro já
partiram para a ofensiva jurídica. Ao todo, 66 prefeituras atendidas pela Enel se uniram em uma ação civil pública contra a concessionária,
buscando inclusive a rescisão do contrato de concessão por má prestação de
serviço.
Cidades como Niterói,
São Gonçalo, Macaé e Cabo Frio têm adotado posturas muito mais agressivas na justiça e
através de CPIs para defender
seus cidadãos. Em Resende, o Ministério público já pediu
indenizações para os moradores, enquanto em Rio das Ostras a resposta oficial ainda se limita a reuniões de
cobrança e pedidos de planejamento. Comerciantes e moradores, especialmente de
áreas afetadas como o Âncora, São Cristóvão,
Nova Cidade, Cidade Praiana, Cidade Beira Mar, Serramar e
Rio Dourado, onde até incêndios
por uso de velas foram registrados, questionam quem arcará com os prejuízos de
equipamentos queimados e alimentos perdidos.
A sensação de desamparo cresce à medida que os apagões se
tornam rotina. A população agora cobra que o prefeito Carlos Augusto deixe de apenas "solicitar medidas" e
passe a exigir judicialmente, com o mesmo rigor de outros prefeitos
fluminenses, uma solução definitiva para o descaso da Enel. O governo municipal afirmou que continuará monitorando, mas
para quem está no escuro, o tempo de apenas monitorar já se esgotou.
Vozes da indignação: O que dizem os riostrenses sobre o
descaso da Enel
Comerciante de Cidade Praiana:
"Trabalho com produtos perecíveis e perdi quase todo o
meu estoque de laticínios e carnes neste final de semana. Ficamos completamente
no escuro e, enquanto a prefeitura faz reuniões, o boleto da luz continua
chegando alto e sem desconto pelos dias parados. Precisamos de uma atitude
enérgica contra a Enel, pois o
pequeno comerciante de Rio das Ostras
não aguenta mais pagar pelo que não recebe", afirma Ricardo Santos, proprietário de uma
mercearia local.
Moradora da Estrada Velha de Rio Dourado:
"É desesperador ter que colocar meus filhos para dormir
no calor e à base de velas, correndo o risco de um acidente grave como o que
vimos acontecer com nossos vizinhos. A falta de energia aqui é constante e
parece que fomos esquecidos pelo poder público, que só aparece para pedir
votos, mas não briga por nós na justiça como outros prefeitos estão
fazendo", desabafa a dona de casa Maria
Eduarda Oliveira.
Morador do bairro Âncora:
"Tive minha televisão e minha geladeira queimadas após
uma queda seguida de um pico de energia na última sexta-feira. Quando
procuramos o Procon, a
burocracia é enorme e a concessionária raramente assume a responsabilidade pelo
dano. O prefeito Carlos Augusto
precisa entender que reuniões de planejamento não consertam eletrodomésticos
nem devolvem a nossa paz", relata o aposentado João Carlos Ferreira.

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