12/10/2026

Temporada de balanços nos EUA eleva a régua para empresas e investidores

Temporada de balanços nos EUA eleva a régua para empresas e investidores
Brendan Mcdermid / Reuters

A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2026 nos Estados Unidos começa com um cenário mais exigente para as grandes corporações e para o mercado financeiro global. Em um relatório recente, a XP Investimentos projeta um crescimento de cerca de 31% no lucro por ação (LPA) agregado das companhias do S&P 500 em comparação anual, um desempenho que supera ligeiramente a expectativa de mercado de 29%.

No entanto, a casa de investimentos alerta que a elevação das estimativas nos últimos meses reduziu significativamente a margem para surpresas positivas. Esse panorama global influencia o sentimento dos investidores e a confiança econômica, com reflexos que podem ser observados até mesmo em regiões como Rio das Ostras, Macaé e em toda a Região dos Lagos e Norte Fluminense, impactando o ambiente de negócios e as decisões de investimento locais.

Expectativas Elevadas e o Novo Debate do Mercado

A XP espera que o lucro por ação das empresas do índice S&P 500 atinja US$ 91 no terceiro trimestre, representando um avanço de 31,4% sobre o mesmo período do ano anterior e 1,6% acima do consenso de mercado. Esse desempenho é impulsionado principalmente pelos setores de tecnologia e energia, que lideraram as revisões positivas nas projeções ao longo do trimestre.

O comportamento das estimativas neste período fugiu do padrão histórico. Normalmente, as empresas adotam um tom mais conservador em seus guidances, levando analistas a reduzirem suas projeções antes da divulgação dos resultados. Desde 2022, o corte médio nas estimativas para o terceiro trimestre costuma ser de aproximadamente 2,6%. Desta vez, ocorreu o movimento oposto: o lucro esperado para o S&P 500 avançou significativamente ao longo do ano.

Essa alta reflete a incorporação de fatores como o ciclo favorável para semicondutores e memória, impulsionado pela inteligência artificial, além da forte recuperação dos preços do petróleo. A projeção de lucro por ação para o período passou de US$ 80, no fim de 2025, para US$ 89,55 às vésperas da temporada de balanços. Isso significa que grande parte da melhora operacional já está refletida nas estimativas atuais.

Por essa razão, a XP avalia que o debate do mercado neste trimestre será diferente. Mais importante do que superar as projeções de lucro será a capacidade das companhias de sustentar perspectivas futuras compatíveis com os níveis atuais de valuation. "Vemos que, mais uma vez, do ponto de vista do preço, o debate relevante para o trimestre não é se o crescimento esperado será atingido, mas se as companhias conseguirão sustentar guidances à altura do valuation atual", resume o relatório.

Pressão Macroeconômica e a Dispersão do Mercado

O cenário macroeconômico contribuiu para elevar o grau de exigência dos investidores nos últimos meses. O terceiro trimestre foi marcado pelo aumento das tensões geopolíticas globais, que impulsionaram o petróleo para patamares superiores a US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, os juros de longo prazo dos Estados Unidos voltaram aos maiores níveis observados em décadas, impulsionados tanto pela alta dos juros reais quanto pelo aumento do prêmio de prazo exigido pelos investidores.

Outro fator relevante foi a decisão do Federal Reserve de elevar a taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos, mesmo diante de sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho americano. Apesar desse pano de fundo mais restritivo, o S&P 500 acumulou valorização de 2% durante o trimestre. No entanto, por trás do desempenho positivo do índice, a XP observa uma deterioração significativa da amplitude do mercado.

A versão com pesos iguais do S&P 500, que reduz a influência das gigantes de tecnologia, registrou queda de 2,3% no período. Já a ação mediana do índice recuou 4,4%, evidenciando que os ganhos ficaram concentrados em um grupo restrito de companhias. Cerca de 60% das empresas do índice negociam mais de 20% abaixo de suas máximas históricas, reforçando a percepção de que a bolsa americana segue cada vez mais dependente de poucos nomes de grande capitalização.

Investimento Seletivo em um Cenário Desafiador

Diante desse contexto, a XP Investimentos acredita que a temporada de resultados do terceiro trimestre deverá aumentar a dispersão entre os desempenhos das ações. Com a régua mais alta, margens próximas dos recordes históricos e expectativas já bastante otimistas, os resultados individuais tendem a ter peso maior sobre o comportamento dos papéis.

Para a casa, o ambiente favorece uma postura mais seletiva dos investidores, especialmente em um mercado que continua dependente dos investimentos em inteligência artificial, dos preços elevados do petróleo e da capacidade das empresas de sustentar crescimento em meio a condições macroeconômicas mais desafiadoras. Entre as principais companhias que divulgarão seus dados nos próximos dias estão JPMorgan, Johnson & Johnson, Goldman Sachs, Wells Fargo, Bank of America, ASML, Morgan Stanley, BlackRock, TSM e Charles Schwab.

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