07/10/2026

Oposição religiosa ao Estado de Israel: a complexidade dos ultraortodoxos

Oposição religiosa ao Estado de Israel: a complexidade dos ultraortodoxos
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Em Israel, a relação com o Estado é um tema de profunda complexidade, especialmente para os judeus ultraortodoxos, conhecidos como Haredim. Esta corrente religiosa, que se recusa a reconhecer a legitimidade do Estado antes da vinda do Messias, voltou aos holofotes esta semana após declarações polêmicas do influente rabino Dov Lando, de 96 anos, que criticou abertamente o sionismo e as relações com árabes.

Os Haredim, ou “os que tremem” diante da palavra de Deus, dividem-se em facções: algumas interagem com o governo e participam do parlamento, enquanto outras são abertamente antissionistas. Um dos maiores pontos de atrito com a população secular e nacionalista é a recusa dos ultraortodoxos em servir nas Forças de Defesa de Israel, mesmo diante de concessões, o que frequentemente resulta em conflitos com as autoridades.

As visões dos Haredim e o cenário político

Os ultraortodoxos que mantêm alguma relação com as instituições governamentais, muitas vezes para garantir o financiamento de suas escolas religiosas dedicadas ao estudo da Torá, estão representados por dois partidos no parlamento israelense. O Shas representa os judeus de origem ibérica ou do Oriente Médio, enquanto o Judaísmo Unificado da Torá agrupa os asquenazes, originários da Europa. Ambos os grupos compartilham a crença de que a nação de Israel só deveria renascer após a vinda do Messias, o que fundamenta sua postura não sionista ou antissionista.

A recente controvérsia ganhou força com a divulgação de um vídeo onde o rabino Dov Lando, uma figura de grande influência na comunidade ultraortodoxa lituana, fez declarações consideradas chocantes por muitos. Ele afirmou que o sionismo foi o responsável por “fazer os árabes odiarem os judeus” e que, sem o Estado de Israel, seria possível “viver bem com os árabes, conviver, respeitar os árabes”, chegando a dizer que “era muito bom quando os árabes estavam no comando”.

Essas afirmações, que ignoram séculos de controle otomano e britânico sobre o território disputado, geram indignação entre judeus laicos e nacionalistas religiosos, sendo frequentemente exploradas por grupos inimigos de Israel para fins de propaganda. O rabino Lando é líder de uma das facções que compõem o partido Judaísmo Unificado da Torá, atualmente parte da coalizão de governo de Benjamin Netanyahu.

Neturei Karta: os "inocentes úteis" e o crescimento populacional

Dentro do espectro antissionista religioso, uma facção ainda mais radical é o Neturei Karta. Este pequeno grupo é conhecido por participar ativamente de protestos contra Israel, chegando a “assessorar” Yasser Arafat e a marcar presença em conferências que negavam o Holocausto, como a organizada por Mahmoud Ahmadinejad. Sua presença, com o visual característico dos ultraortodoxos (terno preto, camisa ou túnica branca, chapéu e barbas longas), é muitas vezes usada para dar a impressão de que a oposição a Israel não é contra os judeus, mas sim contra o Estado, tornando-os “inocentes úteis” na narrativa de inimigos de Israel.

Apesar de o Neturei Karta ser uma minoria, a população ultraortodoxa em Israel cresce exponencialmente, impulsionada por famílias numerosas. Atualmente, eles representam quase 15% dos habitantes do país, o que amplia sua influência política e social. Essa expansão, no entanto, agrava a contradição de um grupo que preferiria que o Estado não existisse e que se recusa a defendê-lo militarmente, mesmo em um contexto de conflito.

A situação é ainda mais complexa quando se consideram facções ultraortodoxas que, por vezes, atacam comunidades palestinas com o objetivo de expulsar seus moradores, entrando em confronto até mesmo com militares israelenses encarregados de contê-los. Em um momento de profunda tensão, como os três anos do massacre do Hamas, a busca por um espírito conciliatório em Israel parece distante da realidade. Para mais informações sobre o tema, você pode consultar fontes como a BBC News Brasil.

O Rio das Ostras Jornal acompanha os desdobramentos da complexa situação em Israel.

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