Artigo - Por Angel Morote
Amanhã, milhões de brasileiros irão às urnas exercer um dos
mais importantes direitos de uma democracia: o direito de escolher seus
representantes.
Ser eleitor não significa apenas possuir um título eleitoral
ou comparecer à seção de votação. Ser eleitor é participar da construção do
país, do Estado e da cidade em que vivemos. É compreender que cada voto
representa uma escolha e que cada escolha pode produzir consequências na vida
de toda a sociedade.
Por isso, neste momento, quero fazer um convite ao eleitor:
vote. Mas vote com consciência.
Não escolha alguém simplesmente porque conhece o nome,
porque viu uma propaganda bonita, porque recebeu uma promessa ou porque alguém
pediu seu voto. Procure conhecer quem está pedindo a sua confiança.
Antes de apertar a tecla CONFIRMA, conheça quem está
pedindo o seu voto
O voto é secreto e a escolha pertence exclusivamente ao
eleitor. Não existe candidato “certo” para todos. Existe a escolha de cada
cidadão, de acordo com sua consciência e com aquilo que considera importante
para o futuro da sociedade.
Mas existe uma responsabilidade que é de todos nós: procurar
informação antes de decidir.
Conheça a história do candidato. Procure saber sua
trajetória pública e profissional, suas posições, seus compromissos, sua
atuação anterior e, quando houver, seu histórico na vida pública.
Não aceite apenas aquilo que aparece nas redes sociais ou
nos discursos de campanha. Procure fontes confiáveis. A própria Justiça
Eleitoral disponibiliza ferramentas para consulta de informações sobre
candidaturas, partidos e prestação de contas.
E faça perguntas.
O candidato respeita as leis?
É transparente?
Cumpre aquilo que assume como compromisso?
Tem coerência entre o discurso e suas atitudes?
Sua trajetória demonstra dedicação à causa que afirma
defender?
São perguntas que cada eleitor pode fazer antes de entregar
seu voto.
Não venda sua consciência por uma promessa
O eleitor não deve trocar sua consciência por um favor, um
benefício momentâneo ou uma promessa pessoal.
O voto não é mercadoria.
Também não deve ser utilizado para pagar uma dívida de
gratidão ou atender à pressão de amigos, familiares, grupos ou lideranças.
A democracia depende da liberdade de escolha.
E essa liberdade começa quando o eleitor entende que ninguém
pode decidir por ele.
A escolha não termina na urna
Existe ainda outro ponto que considero fundamental.
Depois da eleição, o cidadão não deve desaparecer da vida
pública.
Quem recebe um voto passa a ter uma responsabilidade diante
da sociedade. E quem votou também tem o direito — e, dentro da participação
cidadã, a responsabilidade — de acompanhar o trabalho daqueles que foram
escolhidos.
Promessas precisam ser acompanhadas.
Recursos públicos precisam ser fiscalizados.
Decisões precisam ser conhecidas.
Mandatos precisam ser avaliados pelos fatos.
É assim que a cidadania ultrapassa o dia da eleição.
Não permita que a história se repita sem ser analisada
Muitas vezes, o eleitor reclama da política, dos políticos e
dos problemas que atingem a população. Mas existe uma reflexão que precisa ser
feita por todos nós: antes de escolher novamente, precisamos olhar para aquilo
que já aconteceu.
Não para alimentar ódio ou perseguição.
Mas para aprender.
Se alguém já exerceu um cargo público, procure conhecer o
que fez durante aquele período. Se já apresentou propostas, veja o que
efetivamente realizou. Se já assumiu compromissos, confira se foram cumpridos.
A memória do eleitor também é uma ferramenta de cidadania.
Não devemos ser enganados novamente por aquilo que já
conhecemos.
O Brasil precisa de eleitores conscientes
Não escrevo este artigo para dizer ao eleitor em quem votar.
Não é esse o papel.
Escrevo para lembrar que o voto é uma das ferramentas que
cada cidadão possui para participar da democracia.
Escolha quem quiser. Escolha de acordo com sua consciência.
Mas procure conhecer antes de escolher.
Que o candidato escolhido seja aquele em quem você realmente
deposita sua confiança, levando em consideração sua trajetória, seus
compromissos, sua transparência, o respeito às leis e a disposição demonstrada
para trabalhar pela causa que defende.
E, depois da eleição, continue acompanhando.
Porque democracia não é apenas votar.
Democracia também é fiscalizar, cobrar, participar,
respeitar opiniões diferentes e defender o interesse público.
Amanhã, quando você estiver diante da urna eletrônica,
lembre-se de uma coisa simples:
o voto é secreto, livre e seu.
Mas a responsabilidade pela escolha também é sua.
Vote. Participe. Informe-se. Escolha com consciência. E
não entregue a ninguém o direito de decidir por você.
Angel Morote
Jornalista e editor-chefe do Rio das Ostras Jornal

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