03/10/2026

O voto é seu. A responsabilidade também.


Artigo - Por Angel Morote

Amanhã, milhões de brasileiros irão às urnas exercer um dos mais importantes direitos de uma democracia: o direito de escolher seus representantes.

Ser eleitor não significa apenas possuir um título eleitoral ou comparecer à seção de votação. Ser eleitor é participar da construção do país, do Estado e da cidade em que vivemos. É compreender que cada voto representa uma escolha e que cada escolha pode produzir consequências na vida de toda a sociedade.

Por isso, neste momento, quero fazer um convite ao eleitor: vote. Mas vote com consciência.

Não escolha alguém simplesmente porque conhece o nome, porque viu uma propaganda bonita, porque recebeu uma promessa ou porque alguém pediu seu voto. Procure conhecer quem está pedindo a sua confiança.

Antes de apertar a tecla CONFIRMA, conheça quem está pedindo o seu voto

O voto é secreto e a escolha pertence exclusivamente ao eleitor. Não existe candidato “certo” para todos. Existe a escolha de cada cidadão, de acordo com sua consciência e com aquilo que considera importante para o futuro da sociedade.

Mas existe uma responsabilidade que é de todos nós: procurar informação antes de decidir.

Conheça a história do candidato. Procure saber sua trajetória pública e profissional, suas posições, seus compromissos, sua atuação anterior e, quando houver, seu histórico na vida pública.

Não aceite apenas aquilo que aparece nas redes sociais ou nos discursos de campanha. Procure fontes confiáveis. A própria Justiça Eleitoral disponibiliza ferramentas para consulta de informações sobre candidaturas, partidos e prestação de contas.

E faça perguntas.

O candidato respeita as leis?

É transparente?

Cumpre aquilo que assume como compromisso?

Tem coerência entre o discurso e suas atitudes?

Sua trajetória demonstra dedicação à causa que afirma defender?

São perguntas que cada eleitor pode fazer antes de entregar seu voto.

Não venda sua consciência por uma promessa

O eleitor não deve trocar sua consciência por um favor, um benefício momentâneo ou uma promessa pessoal.

O voto não é mercadoria.

Também não deve ser utilizado para pagar uma dívida de gratidão ou atender à pressão de amigos, familiares, grupos ou lideranças.

A democracia depende da liberdade de escolha.

E essa liberdade começa quando o eleitor entende que ninguém pode decidir por ele.

A escolha não termina na urna

Existe ainda outro ponto que considero fundamental.

Depois da eleição, o cidadão não deve desaparecer da vida pública.

Quem recebe um voto passa a ter uma responsabilidade diante da sociedade. E quem votou também tem o direito — e, dentro da participação cidadã, a responsabilidade — de acompanhar o trabalho daqueles que foram escolhidos.

Promessas precisam ser acompanhadas.

Recursos públicos precisam ser fiscalizados.

Decisões precisam ser conhecidas.

Mandatos precisam ser avaliados pelos fatos.

É assim que a cidadania ultrapassa o dia da eleição.

Não permita que a história se repita sem ser analisada

Muitas vezes, o eleitor reclama da política, dos políticos e dos problemas que atingem a população. Mas existe uma reflexão que precisa ser feita por todos nós: antes de escolher novamente, precisamos olhar para aquilo que já aconteceu.

Não para alimentar ódio ou perseguição.

Mas para aprender.

Se alguém já exerceu um cargo público, procure conhecer o que fez durante aquele período. Se já apresentou propostas, veja o que efetivamente realizou. Se já assumiu compromissos, confira se foram cumpridos.

A memória do eleitor também é uma ferramenta de cidadania.

Não devemos ser enganados novamente por aquilo que já conhecemos.

O Brasil precisa de eleitores conscientes

Não escrevo este artigo para dizer ao eleitor em quem votar.

Não é esse o papel.

Escrevo para lembrar que o voto é uma das ferramentas que cada cidadão possui para participar da democracia.

Escolha quem quiser. Escolha de acordo com sua consciência. Mas procure conhecer antes de escolher.

Que o candidato escolhido seja aquele em quem você realmente deposita sua confiança, levando em consideração sua trajetória, seus compromissos, sua transparência, o respeito às leis e a disposição demonstrada para trabalhar pela causa que defende.

E, depois da eleição, continue acompanhando.

Porque democracia não é apenas votar.

Democracia também é fiscalizar, cobrar, participar, respeitar opiniões diferentes e defender o interesse público.

Amanhã, quando você estiver diante da urna eletrônica, lembre-se de uma coisa simples:

o voto é secreto, livre e seu.

Mas a responsabilidade pela escolha também é sua.

Vote. Participe. Informe-se. Escolha com consciência. E não entregue a ninguém o direito de decidir por você.

Angel Morote
Jornalista e editor-chefe do Rio das Ostras Jornal

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