Um mar de esgoto tomou conta da Rua Cachoeiras de Macacu, no Recreio, em Rio das Ostras, e transformou a rotina dos moradores em um problema de saúde, mobilidade e segurança. Há semanas, o extravasamento prejudica quem vive na região, com relatos de água contaminada, mau cheiro e dificuldade até para sair de casa.
A situação é ainda mais grave para pessoas com mobilidade
reduzida. O morador Paulo Roberto Coelho, que é cadeirante e vive na rua há
seis anos, afirma que perdeu o direito de ir e vir por causa do esgoto. “É
muito complicado não poder sair de casa por causa deste mar de esgoto. Meu caso
se agrava bastante porque sou cadeirante, com mobilidade reduzida. Perdi meu
direito de ir e vir. É uma total falta de respeito”, desabafou.
Moradores relatam insalubridade e contaminação de
cisternas
A terapeuta Nathalie Leão e Silva também afirma que o
problema já interfere diretamente no trabalho e na vida da família. Ela atende
clientes em casa e diz que o mau cheiro e a sujeira tornaram o ambiente
inadequado para receber pessoas.
“Trabalho com terapias integrativas e atendo aqui em casa.
Esse ambiente, com fedor de esgoto e sujeira, é insalubre para receber meus
clientes e principalmente viver aqui com minha família”, reclamou.
Segundo a moradora, o vazamento também teria atingido suas
cisternas de água.
Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Rio das
Ostras mobilizou, na sexta-feira (2), equipes de diferentes órgãos municipais
para atuar no local e cobrar providências da Rio+ Saneamento, concessionária
responsável pelo serviço.
De acordo com o presidente do Serviço Autônomo de Água e
Esgoto (SAAE), Maycon Prata, o extravasamento já durava mais de uma semana e
afetava diretamente os moradores.
“As pessoas estão com suas cisternas afetadas, água nos
tornozelos e sem mobilidade urbana. O morador não consegue sair de casa”,
afirmou.
Segundo Maycon, inicialmente a concessionária teria
informado que o problema não seria de sua responsabilidade. Após ações de
investigação realizadas pelo Município, entretanto, a empresa teria reconhecido
a existência da falha.
O presidente do SAAE informou ainda que as equipes
municipais identificaram um extravasamento no coletor-tronco da concessionária.
A solução, segundo ele, deverá exigir uma intervenção de maior porte,
envolvendo áreas do Recreio, Costazul e Jardim Mariléa.
A Prefeitura afirma que o problema relacionado ao sistema de
esgotamento sanitário vem sendo acompanhado desde a chegada da Rio+ Saneamento
ao Município e que a atual Administração intensificou a fiscalização e a
cobrança por intervenções da concessionária.
Além do SAAE, participaram da operação equipes da Vigilância
Sanitária, Procon, Guarda Ambiental e das secretarias municipais de Segurança
Pública e de Licenciamento, Habitação e Urbanismo.
Esgoto atingiu corpo hídrico e fiscalização aponta dano
ambiental
A gravidade do caso fez com que outros órgãos fossem
acionados. Segundo a Prefeitura, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o
Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Agência Reguladora de Energia e
Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) foram mobilizados.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que também
irá autuar e multar a Rio+ Saneamento.
O secretário de Meio Ambiente, Ricardo Torres, afirmou que a
Fiscalização Ambiental esteve no local no início da semana e lavrou auto de
constatação e auto de intimação, determinando que a concessionária adotasse
providências para interromper o extravasamento.
Como as medidas adotadas até então não teriam sido
suficientes, uma nova atuação determinou que a empresa ampliasse o efetivo e o
maquinário utilizados na região.
A fiscalização também constatou que o esgoto extravasado
atingiu um corpo hídrico, provocando impacto ambiental na região da Lagoa de
Iriry. O caso continuará sendo acompanhado pelos órgãos ambientais, que deverão
avaliar as medidas cabíveis e eventual responsabilização pelos danos
constatados.
A superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga,
também chamou atenção para os riscos à população.
“A Vigilância Sanitária atua na defesa da saúde única. Esse
problema na rua é muito sério, porque causa contaminação cruzada, problemas
respiratórios, o que afeta a todos”, alertou.
Procon diz já ter aplicado mais de R$ 1 milhão em multas
O Procon de Rio das Ostras também esteve no local e informou
que constatou vazamento de esgoto a céu aberto e moradores diretamente
afetados.
Segundo a chefe-geral do órgão, Michele Mansur, o Procon já
aplicou mais de R$ 1 milhão em multas contra a Rio+ Saneamento e novas
penalidades poderão ser aplicadas.
“Aplicaremos outras multas tanto quanto necessárias para que
a concessionária respeite o consumidor, que pagou por um serviço que não foi
realizado”, afirmou.
O órgão também orienta os moradores prejudicados a procurar
o Procon para solicitar a análise de eventual abatimento da cobrança referente
ao serviço de esgoto e buscar reparação por prejuízos comprovados.
O caso continua sendo acompanhado pelos órgãos municipais e
ambientais enquanto a concessionária trabalha na tentativa de solucionar o
extravasamento.

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