03/10/2026

Esgoto toma rua, invade cisternas e deixa moradores sem conseguir sair de casa em Rio das Ostras


Um mar de esgoto tomou conta da Rua Cachoeiras de Macacu, no Recreio, em Rio das Ostras, e transformou a rotina dos moradores em um problema de saúde, mobilidade e segurança. Há semanas, o extravasamento prejudica quem vive na região, com relatos de água contaminada, mau cheiro e dificuldade até para sair de casa.

A situação é ainda mais grave para pessoas com mobilidade reduzida. O morador Paulo Roberto Coelho, que é cadeirante e vive na rua há seis anos, afirma que perdeu o direito de ir e vir por causa do esgoto. “É muito complicado não poder sair de casa por causa deste mar de esgoto. Meu caso se agrava bastante porque sou cadeirante, com mobilidade reduzida. Perdi meu direito de ir e vir. É uma total falta de respeito”, desabafou.

Moradores relatam insalubridade e contaminação de cisternas

A terapeuta Nathalie Leão e Silva também afirma que o problema já interfere diretamente no trabalho e na vida da família. Ela atende clientes em casa e diz que o mau cheiro e a sujeira tornaram o ambiente inadequado para receber pessoas.

“Trabalho com terapias integrativas e atendo aqui em casa. Esse ambiente, com fedor de esgoto e sujeira, é insalubre para receber meus clientes e principalmente viver aqui com minha família”, reclamou.

Segundo a moradora, o vazamento também teria atingido suas cisternas de água.

Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Rio das Ostras mobilizou, na sexta-feira (2), equipes de diferentes órgãos municipais para atuar no local e cobrar providências da Rio+ Saneamento, concessionária responsável pelo serviço.

De acordo com o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Maycon Prata, o extravasamento já durava mais de uma semana e afetava diretamente os moradores.

“As pessoas estão com suas cisternas afetadas, água nos tornozelos e sem mobilidade urbana. O morador não consegue sair de casa”, afirmou.

Segundo Maycon, inicialmente a concessionária teria informado que o problema não seria de sua responsabilidade. Após ações de investigação realizadas pelo Município, entretanto, a empresa teria reconhecido a existência da falha.

O presidente do SAAE informou ainda que as equipes municipais identificaram um extravasamento no coletor-tronco da concessionária. A solução, segundo ele, deverá exigir uma intervenção de maior porte, envolvendo áreas do Recreio, Costazul e Jardim Mariléa.

A Prefeitura afirma que o problema relacionado ao sistema de esgotamento sanitário vem sendo acompanhado desde a chegada da Rio+ Saneamento ao Município e que a atual Administração intensificou a fiscalização e a cobrança por intervenções da concessionária.

Além do SAAE, participaram da operação equipes da Vigilância Sanitária, Procon, Guarda Ambiental e das secretarias municipais de Segurança Pública e de Licenciamento, Habitação e Urbanismo.

Esgoto atingiu corpo hídrico e fiscalização aponta dano ambiental

A gravidade do caso fez com que outros órgãos fossem acionados. Segundo a Prefeitura, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) foram mobilizados.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que também irá autuar e multar a Rio+ Saneamento.

O secretário de Meio Ambiente, Ricardo Torres, afirmou que a Fiscalização Ambiental esteve no local no início da semana e lavrou auto de constatação e auto de intimação, determinando que a concessionária adotasse providências para interromper o extravasamento.

Como as medidas adotadas até então não teriam sido suficientes, uma nova atuação determinou que a empresa ampliasse o efetivo e o maquinário utilizados na região.

A fiscalização também constatou que o esgoto extravasado atingiu um corpo hídrico, provocando impacto ambiental na região da Lagoa de Iriry. O caso continuará sendo acompanhado pelos órgãos ambientais, que deverão avaliar as medidas cabíveis e eventual responsabilização pelos danos constatados.

A superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, também chamou atenção para os riscos à população.

“A Vigilância Sanitária atua na defesa da saúde única. Esse problema na rua é muito sério, porque causa contaminação cruzada, problemas respiratórios, o que afeta a todos”, alertou.

Procon diz já ter aplicado mais de R$ 1 milhão em multas

O Procon de Rio das Ostras também esteve no local e informou que constatou vazamento de esgoto a céu aberto e moradores diretamente afetados.

Segundo a chefe-geral do órgão, Michele Mansur, o Procon já aplicou mais de R$ 1 milhão em multas contra a Rio+ Saneamento e novas penalidades poderão ser aplicadas.

“Aplicaremos outras multas tanto quanto necessárias para que a concessionária respeite o consumidor, que pagou por um serviço que não foi realizado”, afirmou.

O órgão também orienta os moradores prejudicados a procurar o Procon para solicitar a análise de eventual abatimento da cobrança referente ao serviço de esgoto e buscar reparação por prejuízos comprovados.

O caso continua sendo acompanhado pelos órgãos municipais e ambientais enquanto a concessionária trabalha na tentativa de solucionar o extravasamento.

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