09/10/2026

Eleições 2026: Rio das Ostras distribui seus votos, mas não elege representantes próprios para a Alerj e a Câmara Federal


As eleições de 4 de outubro deixaram um recado importante para Rio das Ostras. O município tem eleitorado expressivo, lideranças políticas, candidatos da própria cidade e capacidade de mobilizar milhares de votos. Mesmo assim, terminou a disputa sem eleger um representante local para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ou para a Câmara dos Deputados.

Na disputa por uma cadeira na Alerj, Rodrigo da Aposentadoria (PDT) foi o candidato mais votado em Rio das Ostras, com 6.884 votos. O resultado demonstrou sua força eleitoral no município, mas não foi suficiente para garantir uma vaga no Legislativo estadual. Em todo o estado, ele recebeu 8.919 votos e ficou como suplente.

Na disputa federal, Maurício BM (PSDB) liderou a votação municipal entre os candidatos a deputado federal, com 4.766 votos em Rio das Ostras, mas também ficou como suplente. Já Kátia Macillo (PT), candidata a deputada estadual, recebeu 1.099 votos no município e somou 4.289 em todo o estado, sem conquistar uma cadeira. Os resultados mostram que houve espaço para candidaturas locais, mas não uma votação suficiente para transformá-las em representação parlamentar.

Enquanto isso, Macaé conseguiu eleger Márcio Rezende (PSD) para a Câmara Federal, com 75.148 votos no estado, e Chico Machado (PL) para a Alerj, com 50.664 votos. Os dois resultados reforçam a presença política de Macaé no cenário estadual e nacional. Diante desse contraste, uma pergunta precisa ser feita: por que Rio das Ostras não conseguiu transformar suas candidaturas locais em mandatos?

A força eleitoral e as diferentes correntes políticas

O desempenho dos candidatos de Rio das Ostras revela um cenário político plural, com diferentes partidos, posicionamentos ideológicos e projetos. Rodrigo da Aposentadoria concorreu pelo PDT, Maurício BM pelo PSDB e Kátia Macillo pelo PT. Não se trata apenas de siglas partidárias, mas de trajetórias, bases eleitorais e maneiras distintas de se posicionar no debate público.

Historicamente, o PT é identificado com a esquerda, enquanto o PDT tem raízes trabalhistas e costuma ser situado na centro-esquerda. O PSDB, por sua vez, é geralmente classificado como um partido de centro ou centro-direita, embora seus posicionamentos e alianças tenham variado ao longo do tempo.

Essa distinção ajuda a compreender o cenário, mas não explica sozinha o comportamento do eleitor. A credibilidade de um candidato também está relacionada à sua atuação na cidade, à proximidade com os moradores, à capacidade de apresentar propostas e à confiança que consegue construir durante sua trajetória política.

Rodrigo da Aposentadoria alcançou a maior votação municipal para deputado estadual. Maurício BM liderou entre os candidatos a deputado federal. Kátia Macillo também obteve votos que demonstram a existência de uma base eleitoral local. Entretanto, nenhum desses resultados se converteu em mandato.

É preciso reconhecer o mérito eleitoral de cada candidatura sem confundir votação municipal com eleição garantida. Nas eleições proporcionais, o resultado depende também do desempenho partidário e das regras de distribuição das cadeiras. O candidato mais votado individualmente em um município não necessariamente será eleito.

A política local e o desafio de construir consenso

A ausência de representantes próprios na Alerj e na Câmara Federal reacende uma discussão antiga: Rio das Ostras consegue construir um projeto político que ultrapasse os interesses individuais e as disputas entre grupos?

A cidade já teve representantes locais na política estadual, entre eles Carlos Augusto Balthazar e Alcebíades Sabino, que também ocuparam a Prefeitura. A experiência histórica mostra que Rio das Ostras já contou com lideranças que chegaram à Alerj. A questão atual é compreender por que o município não conseguiu repetir esse resultado em 2026.

A falta de consenso entre as lideranças é uma hipótese que merece ser examinada. A fragmentação das candidaturas, a divisão dos apoios e as disputas internas podem ter contribuído para o cenário, mas não devem ser tratadas como a única explicação sem uma análise mais ampla dos resultados e das estratégias eleitorais.

Não se espera que vereadores, partidos e lideranças municipais pensem da mesma maneira. A democracia depende justamente da pluralidade de ideias. Entretanto, divergências partidárias não deveriam impedir a construção de compromissos mínimos em torno de pautas importantes para a população.

A pergunta que fica é se a cidade tem conseguido transformar suas diferenças políticas em uma estratégia de representação ou se os projetos individuais acabam prevalecendo sobre a possibilidade de construir uma força eleitoral mais articulada.

Rodrigo da Aposentadoria e as divergências nos bastidores

Outro episódio que merece atenção envolve as relações políticas na Câmara Municipal. Nos bastidores, circulou uma interpretação segundo a qual o voto de Rodrigo da Aposentadoria contra a composição da nova Mesa Diretora teria relação com a falta de apoio de vereadores à sua candidatura a deputado estadual.

Essa versão precisa ser examinada com responsabilidade. Para estabelecer uma relação entre os episódios, é necessário confirmar a votação, ouvir o vereador e os demais envolvidos e verificar se houve manifestações públicas que sustentem essa interpretação.

A política municipal é feita de alianças, divergências e negociações. O problema surge quando disputas internas passam a ocupar o espaço que deveria ser dedicado à construção de soluções para a cidade.

Se houve divergência em torno de apoios eleitorais, a população tem o direito de conhecer os fatos e compreender os motivos apresentados pelos envolvidos. O jornalismo, por sua vez, tem o dever de apurar os acontecimentos sem transformar relatos de bastidores em conclusões definitivas.

Mais importante do que apontar culpados é discutir como as lideranças podem superar divergências e estabelecer compromissos que beneficiem a população, independentemente de quem ocupe a Mesa Diretora ou dispute uma eleição.

Os candidatos de fora e a responsabilidade de quem recebeu votos

Outro aspecto importante do pleito foi o apoio de lideranças municipais a candidatos de outras cidades. Vereadores e outros agentes políticos podem apoiar livremente os nomes que consideram mais preparados para representar seus interesses e os da população.

A questão não é de onde vem o candidato, mas o que ele fará depois de eleito. Um deputado estadual representa a população fluminense, e um deputado federal exerce seu mandato em âmbito nacional. Ambos têm condições de atuar em favor de Rio das Ostras, mesmo que suas bases políticas estejam em outros municípios.

O eleitor, porém, precisa acompanhar se os compromissos assumidos durante a campanha se transformarão em resultados concretos. Obras, investimentos, recursos destinados ao município, articulação por melhorias nos serviços públicos e presença efetiva no debate regional são aspectos que podem ser cobrados ao longo dos mandatos.

Não basta aparecer em Rio das Ostras durante o período eleitoral, apresentar realizações de anos anteriores ou prometer novas conquistas. É necessário demonstrar, com transparência, o que foi feito, quais recursos foram destinados à cidade e quais resultados chegaram efetivamente à população.

Aos vereadores e demais lideranças que apoiaram candidaturas externas, cabe também acompanhar a atuação dos eleitos e prestar contas aos moradores sobre os compromissos que ajudaram a construir.

O voto recebido em Rio das Ostras não deve ser tratado como uma conquista que termina no dia da eleição. Ele representa uma expectativa de trabalho e uma oportunidade de construir uma relação permanente com o município.

O legado eleitoral precisa chegar à população

O resultado das urnas também deixa um legado para os próprios candidatos que não conquistaram mandato. A votação obtida pode representar uma base política para projetos futuros, mas isso dependerá da capacidade de manter o diálogo com a população e participar da vida pública para além do calendário eleitoral.

Uma candidatura não deve servir apenas para tornar um nome conhecido, ampliar sua visibilidade ou preparar o terreno para disputas futuras. Apresentar-se ao eleitor implica assumir compromissos, expor propostas e demonstrar disposição para contribuir com a sociedade.

É legítimo que candidatos construam suas trajetórias políticas e pensem em novas disputas. O que precisa ser questionado é quando a exposição eleitoral se sobrepõe à apresentação de propostas consistentes e ao compromisso com as necessidades da população.

Para Rio das Ostras, o desafio é transformar a experiência de 2026 em aprendizado. Isso exige avaliar as estratégias adotadas, compreender os limites das candidaturas, discutir a distribuição dos apoios e buscar formas de fortalecer a representação política do município.

A cidade precisa de investimentos em saúde, educação, saneamento, infraestrutura, mobilidade urbana, acessibilidade e serviços públicos. Essas demandas não desaparecem quando termina a campanha eleitoral. Pelo contrário, tornam ainda mais importante acompanhar os mandatos e cobrar resultados.

Rio das Ostras precisa transformar votos em resultados

O resultado eleitoral não significa que Rio das Ostras esteja condenada a permanecer sem representantes locais. Significa que a cidade precisa avaliar o caminho percorrido e discutir como poderá ampliar sua presença política nas próximas disputas.

Não é necessário que todas as lideranças estejam no mesmo partido, defendam a mesma ideologia ou apoiem o mesmo candidato. O que se espera é que sejam capazes de dialogar sobre prioridades comuns, respeitar as diferenças e construir compromissos que ultrapassem os interesses individuais.

Aos candidatos locais, fica o desafio de demonstrar que a votação recebida pode se transformar em participação política permanente. Aos vereadores e às demais lideranças, cabe acompanhar os representantes que apoiaram. Aos deputados eleitos que receberam votos dos moradores, fica a responsabilidade de mostrar que Rio das Ostras continuará sendo considerada depois das eleições.

Aos eleitores, cabe acompanhar, questionar e cobrar. A democracia não termina quando as urnas são fechadas. É justamente a partir dali que começa o acompanhamento daqueles que receberam a confiança popular.

Rio das Ostras tem população, demandas e capacidade de mobilização suficientes para ocupar um espaço importante no debate regional. O que precisa ser construído é uma articulação política capaz de transformar essa força em resultados concretos.

No fim, a pergunta mais importante não é apenas quem ganhou, quem perdeu ou qual partido saiu fortalecido. A questão central é o que Rio das Ostras ganhará com os votos depositados nas urnas.

Porque o verdadeiro legado de uma eleição não está somente nos mandatos conquistados, mas nos benefícios que chegam à população.

E a cobrança precisa continuar muito depois de encerrada a campanha.

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