08/10/2026

Críticas a Janja crescem dentro do próprio campo de Lula após resultado do 1º turno

Críticas a Janja crescem dentro do próprio campo de Lula após resultado do 1º turno

A avaliação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o primeiro turno das eleições presidenciais abriu espaço para uma cobrança que ultrapassou a oposição: aliados do próprio presidente passaram a questionar o espaço ocupado pela primeira-dama Janja na estratégia eleitoral.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (8) mostra que dirigentes petistas e integrantes da campanha discutem mudanças para o segundo turno, incluindo uma redução da exposição de Janja e maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A discussão ganhou força depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL).

O episódio mais explícito ocorreu durante uma reunião de coordenadores da campanha. A ex-senadora Kátia Abreu, integrante da campanha petista no Tocantins, defendeu uma mudança de equilíbrio na exposição dos principais nomes e resumiu sua posição com a frase “menos Janja e mais Alckmin”. A declaração foi aplaudida pelos participantes, segundo relatos publicados pela imprensa. Kátia posteriormente confirmou a fala e afirmou que sua crítica era relacionada à estratégia eleitoral, e não uma questão pessoal contra a primeira-dama.

O protagonismo de Janja já vinha sendo questionado

O desconforto não começou depois do resultado das urnas. Em reportagem publicada em 29 de setembro, a Folha havia relatado que Janja vinha ganhando espaço nos palanques, na propaganda eleitoral e na definição da agenda de eventos da campanha. Aliados também relatavam dificuldade de acesso reservado ao presidente e preocupação com a exposição da primeira-dama. A assessoria de Janja, entretanto, afirmou que ela participa da campanha desde o início e que sua atuação é validada pelo próprio Lula.

Um dos episódios que aumentaram a exposição de Janja ocorreu em 29 de setembro, durante um ato de campanha em Salvador. Após uma controvérsia envolvendo uma fala de Lula sobre exames de saúde e críticas feitas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a primeira-dama chamou o parlamentar de “piá de bosta”. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e voltou a ser lembrado nas avaliações internas da campanha.

Nikolas respondeu posteriormente nas redes sociais com a frase “Nunca subestime um piá”, depois de ser reeleito deputado federal por Minas Gerais com mais de 3,1 milhões de votos, segundo o UOL.

A discussão sobre Janja ocorre ao mesmo tempo em que a própria campanha de Lula passa por uma revisão. O presidente criticou publicamente a organização do primeiro turno, classificando-a como a campanha “menos organizada” desde 1989, segundo relato do UOL. Entre as mudanças discutidas está uma maior participação de Alckmin e de outros articuladores políticos, além de uma reformulação da comunicação digital.

Não é possível atribuir individualmente a Janja o resultado eleitoral de Lula no primeiro turno. O desempenho de uma candidatura envolve uma combinação de fatores políticos, econômicos, regionais, estratégicos e de comunicação.

Mas a própria existência de críticas vindas de dentro da campanha mostra que o papel da primeira-dama se transformou em um dos temas da reorganização petista para a segunda etapa da eleição.

E fica a pergunta que atravessa o debate interno do PT: a maior exposição de Janja ajuda ou atrapalha a estratégia de Lula para o segundo turno?

A resposta será dada não apenas pelos dirigentes da campanha, mas também pela reação dos eleitores nas urnas em 25 de outubro.


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