05/10/2026

Cleitinho Azevedo é eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno

Cleitinho Azevedo é eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno

Em um resultado que movimentou o cenário político nacional, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno neste domingo (4). Ele conquistou 55% dos votos válidos, superando o deputado federal Patrus Ananias (PT) e consolidando sua vitória no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

A eleição de Cleitinho, um "outsider" da política tradicional, representa uma guinada para o estado e gera expectativas sobre os rumos da gestão. Sua trajetória, marcada por uma ascensão rápida nas urnas, é vista com curiosidade e certa apreensão por analistas políticos, que apontam para a falta de experiência administrativa e propostas concretas.

Trajetória Inusitada: de vendedor a governador

Nascido em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo tem uma história que foge do perfil político tradicional. Antes de ingressar na vida pública, ele estudou até o ensino fundamental e trabalhava como vendedor no sacolão de verduras da família, além de ser músico em uma banda de pagode. Sua entrada na política ocorreu em 2016, quando se elegeu vereador em sua cidade natal, sendo o terceiro mais votado com 3 mil votos.

A ideia de disputar eleições surgiu após seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, notar a popularidade de Cleitinho com vídeos que ele publicava para divulgar suas músicas nas redes sociais. Dois anos depois, em 2018, elegeu-se deputado estadual com o apoio de 115 mil eleitores. Já em 2022, concorreu ao Senado e obteve 4,2 milhões de votos, um desempenho notável que o tornou o senador mais votado em Minas Gerais naquele ano. Seu mandato no Senado, que iria até 2031, será interrompido pela nova função de governador.

A Incógnita da Gestão: desafios e expectativas

A vitória de Cleitinho Azevedo levanta questionamentos entre cientistas políticos sobre o futuro de sua administração. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a gestão do republicano ainda é uma incógnita, principalmente devido à ausência de propostas concretas durante a campanha e à falta de experiência administrativa. Esse cenário torna o futuro do estado, que é crucial para o panorama nacional, ainda mais imprevisível.

Lucas Gelape, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca a preocupação com a ausência de um plano de governo estruturado. "Ninguém consegue extrair essa resposta do Cleitinho, que é justamente, ninguém sabe como ele irá governar", afirmou Gelape. Ele também questiona a formação de sua equipe: "Quem vai governar com ele é uma outra grande pergunta. [...] você não governa um estado somente com o seu CPF."

O cientista político Carlos Ranulfo complementa, descrevendo o governo como "um tiro no escuro com grandes possibilidades de dar errado". Ele expressa preocupação com a situação de Minas Gerais, que já enfrenta uma crise, e a eleição de um candidato que não detalhou suas propostas. A repercussão dessa eleição é observada atentamente em todo o país, inclusive no Interior do RJ, onde o Rio das Ostras Jornal acompanha os principais acontecimentos políticos que afetam a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, como Macaé e Rio das Ostras.

A "Novela" da Candidatura: indecisão e reviravoltas

Antes de sua eleição, Cleitinho Azevedo protagonizou um período de grande indecisão sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Em abril, ele declarou ao portal G1 que não havia definição. No mês seguinte, selou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, mas sem confirmar sua própria disputa pelo governo estadual.

A hesitação se intensificou em julho, após o falecimento de seu irmão mais novo, Matheus Azevedo, aos 30 anos. No dia 25 do mesmo mês, Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos, alimentando rumores de sua desistência. Quatro dias depois, o partido chegou a divulgar uma nota criticando sua postura e negando-lhe a candidatura.

Apesar disso, o senador manteve sua pré-candidatura, para depois anunciar a desistência em 3 de agosto. Contudo, apenas quatro dias depois, em 7 de agosto, ele mudou novamente de posição e confirmou sua participação na disputa. Essa indefinição, porém, não abalou sua liderança nas pesquisas de intenção de voto, que o mantiveram à frente em levantamentos de institutos como Quaest, Datafolha, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data.

A indecisão de Cleitinho também desarticulou alianças à direita, levando o PL a sondar outros nomes e, por fim, a lançar a candidatura do empresário Flávio Roscoe às vésperas do prazo legal. O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando os desdobramentos políticos no cenário nacional e regional.

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