
Em Rio das Ostras e em toda a Região dos Lagos, muitos consumidores se deparam com a dificuldade de acessar crédito, mesmo com o nome limpo e as contas em dia. Essa situação, comum no Norte Fluminense, geralmente está ligada a um score de crédito considerado baixo pelas instituições financeiras.
Para desvendar esse cenário, o Rio das Ostras Jornal conversou com especialistas que explicam como essa pontuação é calculada, o que pode elevá-la ou reduzi-la, e quais são as estratégias para que os moradores da Costa do Sol melhorem sua avaliação e garantam acesso a serviços financeiros.
O que é o score de crédito e sua função
A advogada especialista em Direito do Consumidor, Angélica Sousa Fraga, explica que o score de crédito é uma pontuação produzida por modelos estatísticos para estimar o risco de concessão de crédito. Em termos simples, ele indica a probabilidade de o consumidor cumprir compromissos financeiros futuros, com base em seu histórico e comportamento de crédito.
Angélica reforça que a pontuação não mede caráter ou honestidade financeira, mas sim uma “fotografia probabilística de risco”, sujeita a alterações e à metodologia de cada gestor ou instituição. Ter o nome limpo, por exemplo, não garante um bom score.
“Uma pessoa pode não ter dívidas negativadas e, ainda assim, apresentar pontuação baixa ou intermediária por possuir pouco histórico de crédito, ter assumido obrigações recentes, apresentar elevado comprometimento financeiro, realizar muitas solicitações de crédito em curto período ou ainda não ter acumulado histórico positivo suficiente. A ausência de negativação é importante, mas não equivale automaticamente a um bom perfil de risco”, detalha a especialista.
O impacto do score na vida real: um caso da Região dos Lagos
O criador de conteúdo digital Gusttavo Losi, de 26 anos, morador da Região dos Lagos, vivenciou a dificuldade de ter um financiamento negado em março deste ano por conta de seu score. Ele descobriu uma dívida antiga de cartão de crédito, de 2016, que havia reduzido sua pontuação para 395.
Após a negativa, Gusttavo parcelou a dívida e está quitando-a, além de usar o cartão de crédito de forma responsável, pagando as faturas em dia e, por vezes, antecipando valores. Essas ações visam reconstruir seu histórico e melhorar o score.
Direitos do consumidor e a transparência do score
O Procon-RJ, Autarquia de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado do Rio de Janeiro, esclarece que a utilização do score é lícita no Brasil. O consumidor tem o direito de acessar os dados considerados na avaliação e as fontes utilizadas para compor a pontuação, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
No entanto, não há obrigação de divulgar a fórmula matemática ou o algoritmo empregado no cálculo. É proibida a utilização de informações excessivas, desnecessárias ou sem relação com a análise de risco de crédito, bem como dados sensíveis ou discriminatórios.
Quando o crédito é negado, o consumidor pode solicitar informações sobre os dados considerados na análise e requerer a revisão dessas decisões automatizadas que afetem seus interesses.
Fatores que influenciam a pontuação e como melhorá-la
De acordo com Angélica Sousa Fraga, os principais fatores que afetam a pontuação do score são:
- Histórico de pagamentos;
- Existência de dívidas e pendências;
- Tempo e experiência no mercado de crédito;
- Contratos de empréstimos e financiamentos;
- Frequência de solicitações ou consultas relacionadas a crédito;
- Consistência das informações cadastrais.
A especialista ressalta que cada gestor possui uma metodologia própria. A Serasa, por exemplo, distribui pesos entre pagamentos do Cadastro Positivo, experiência no mercado, dívidas, busca por crédito, informações cadastrais e contratos de empréstimos/financiamentos.
Para melhorar a pontuação, as mudanças mais importantes são comportamentais e de médio prazo, como:
- Pagar as obrigações em dia;
- Regularizar pendências;
- Evitar assumir crédito além da capacidade de pagamento;
- Reduzir o endividamento excessivo;
- Manter os dados cadastrais corretos e construir um histórico financeiro estável.
Angélica também alerta para evitar uma sequência de pedidos de crédito sem necessidade, pois isso pode ser interpretado como aumento de risco. É crucial desconfiar de promessas de “aumento garantido de score” mediante pagamento, pois não existe fórmula legal ou serviço que assegure determinada pontuação.
O tempo para a mudança na pontuação
Após o pagamento de todas as dívidas, não existe um prazo único para o score aumentar, explica Wesley Brandão, especialista da Serasa em educação financeira. A pontuação é dinâmica e pode ser recalculada sempre que novas informações financeiras são registradas.
A quitação de uma dívida e a manutenção dos pagamentos em dia podem contribuir para a melhora, mas o resultado depende de todo o histórico e dos demais fatores considerados no cálculo. É importante diferenciar a retirada da negativação da atualização do score.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as principais notícias sobre economia e direitos do consumidor na Região dos Lagos e Norte Fluminense.
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