12/09/2026

Rock in Rio 1985: Lama, acampamento e perrengues que marcaram a edição 'raiz' no Rio

Rock in Rio 1985: Lama, acampamento e perrengues que marcaram a edição 'raiz' no Rio
Reprodução / TV Globo

O Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo, teve sua primeira edição em 1985, no Rio de Janeiro, e foi um marco cultural que até hoje ecoa no imaginário popular. Longe do conforto e da infraestrutura das edições atuais, o evento de Jacarepaguá ficou conhecido como o “Rock in Rio raiz”, onde o público enfrentou desafios como lama, calor intenso e filas intermináveis, mas não perdeu o bom humor e o espírito festivo. As imagens da época, resgatadas de telejornais da TV Globo, revelam uma experiência única e inesquecível para os roqueiros daquele tempo.

Em contraste com as edições mais recentes, que contam com uma estrutura robusta para lidar com as intempéries, o festival de 1985 testou a resiliência dos participantes. Chuvas torrenciais transformaram a Cidade do Rock em um verdadeiro lamaçal em pelo menos cinco dos dez dias de evento, especialmente em 17 de janeiro. No entanto, nem a lama nem o calor desanimaram a multidão, que encontrava formas criativas de se divertir e se refrescar, criando um ambiente de camaradagem e aventura que se tornou lendário.

A Cidade do Rock sob Chuva e Sol Intenso

A primeira edição do Rock in Rio foi marcada por condições climáticas extremas. Houve registro de chuva em 5 dos 10 dias do festival, transformando o terreno em um mar de lama. Reportagens da época mostram cenas de jovens dançando e se locomovendo com dificuldade em meio às poças, demonstrando uma capacidade notável de adaptação e alegria.

Quando o sol aparecia, o desafio era o calor escaldante. Para se refrescar, o público invadia o chafariz da Cidade do Rock, transformando-o em uma espécie de praia improvisada, com muitos usando biquínis e sungas. Essas cenas, impensáveis hoje, ilustram o espírito descontraído e a falta de inibições que caracterizavam o evento.

O Espírito Aventureiro do Camping e os Orelhões

A experiência do Rock in Rio 1985 ia muito além dos palcos. Muitos fãs acampavam nos arredores de Jacarepaguá, enfrentando condições precárias, como a falta de chuveiros. Um garimpeiro, vindo da Serra Pelada, chegou a relatar que abandonou o trabalho para passar oito dias acampado, mostrando o nível de dedicação dos fãs.

Outro perrengue comum eram as longas filas para os orelhões, os telefones públicos da época. Com a ausência de celulares e internet, comunicar-se com o mundo exterior era um desafio que exigia paciência. As filas eram usadas para deixar recados apaixonados ou, como no caso de um entrevistado bem-humorado, para justificar a ausência da namorada, brincando com a quantidade de “brotinhos” presentes no festival. Essas situações, hoje pitorescas, eram parte integrante da aventura.

Moda e Multidão: O Legado de 1985

O Rock in Rio 1985 não foi apenas um festival de música, mas também um espelho da cultura e da moda da época. A jornalista Ilze Scamparini, em uma reportagem, destacou as tendências que circulavam entre o público, como óculos divertidos e brincos de raio, que ela mesma experimentou. A moda era um reflexo da irreverência e da liberdade que o evento proporcionava.

Ao longo de 10 dias, de 11 a 20 de janeiro, o festival reuniu um público impressionante de 1,38 milhão de pessoas, com uma média de 138 mil por dia. A noite de abertura, 11 de janeiro, foi a que registrou o maior público, com cerca de 470 mil pessoas. Apesar dos perrengues, o evento foi um sucesso estrondoso, com shows memoráveis de artistas como Queen, Iron Maiden, Ney Matogrosso, Barão Vermelho e James Taylor, que consolidaram o Rock in Rio como um fenômeno cultural no Brasil e na Região dos Lagos.

O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando os grandes eventos que marcam a história do Rio de Janeiro e do Norte Fluminense.

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